9.6
Excelente
Cinema / TV

Análise a ‘Aniquilação’

 

Depois de levantar questões sobre humanidade e moralidade em “Ex Machina”, que lhe valeu uma nomeação para os Óscares, o escritor e realizador Alex Garland vem novamente explorar a natureza humana em “Aniquilação”. O filme baseado no livro de Jeff VanderMeer com o mesmo nome, foi lançado nos cinemas do mercado norte-americano pela Paramount Pictures a 23 de fevereiro, mas devido a conflitos internos sobre resultados de testes de audiência, a distribuição internacional foi negociada com a Netflix, onde já está disponível, apenas 17 dias depois da estreia.

O thriller é contado sobre o ponto de vista de Lena (Natalie Portman), uma Professora especialista em biologia celular cujo marido, Kane (Oscar Isaac), desapareceu numa missão militar durante um ano. Quando este inesperadamente aparece em sua casa, com uma atitude soturna, memória confusa e um súbito ataque de convulsões sangrentas, ela rapidamente se vê envolvida no assunto de nível governamental que originou o incidente.

Após a colisão de algo com a Terra, um fenómeno apelidado pelos que o começaram a estudar de “the Shimmer” (luz difusa, trémula), começou a alastrar-se de forma lenta mas contínua, criando uma barreira que bloqueia qualquer tipo de comunicação. Várias expedições entraram na área sem regresso, incluindo uma onde participou Kane, o único sobrevivente até ao momento.

Lena irá assim integrar uma nova missão à procura de respostas acompanhada de outras quatro cientistas, desempenhadas por Jennifer Jason Leigh, Gina Rodriguez, Tuva Novotny e Tessa Thompson.

O que se segue tem tanto de ficção científica, como de thriller, numa exploração de um mundo mudado, que oscila entre o fascinante e o macabro, ambos categoricamente bem capturados no ecrã. Também a relação entre as personagens se transforma quando se vêm confrontadas com o desconhecido, num crescendo de tensão. Flashbacks ocasionais da relação entre Lena e Kane podem parecer fora de lugar numa descrição literal do filme, mas são fundamentais para desenvolver a sua própria tragédia romântica que ao mesmo tempo representa a imperfeição e falhas humanas, e ancora as ações da personagem principal no presente.

Os mistérios introduzidos, apesar de na sua maioria ganharem explicação no universo do filme à medida que as personagens progridem, vão aumentando no seu âmbito. Isto culmina num final capaz de induzir terror existencial ao mesmo tempo que cativa com a sublimidade da sua representação. Mais assustador do que fantásticas histórias de fantasmas ou mortos-vivos, são os mistérios da nossa própria vida e do universo que nos rodeia.

A trilha sonora sinistra que dá enfase aos momentos de tensão, joga com os longos momentos de silêncio em que os sons da natureza dominam. Neste filme em particular, estes segundos momentos não são necessariamente menos desconcertantes que os primeiros.

Tanto Natalie Portman como Oscar Isaac têm excelentes performances, destacadas ainda mais nas sua cenas em conjunto, onde é possível sentir as palavras que os personagens não dizem. Jennifer Jason Leigh faz também um excelente trabalho como Dra. Ventress, a líder da expedição.

9.6
Excelente

Aniquilação

Um filme que combina suspense, ficção científica e uma boa dose de exploração humana, numa viagem que termina com uma das cenas mais desconcertantes e cinematograficamente artísticas desde "2001: Odisseia no Espaço".

Pros

  • Bom mistério/suspense
  • Visuais cativantes
  • Ideias transcendentais pedem reflexão

Cons

  • Ritmo propositadamente lento pode ser um desafio para os mais impacientes
@SopraCartuchos
Estudante de jornalismo, amante de histórias em todas as formas: escritas, no pequeno e grande ecrã, ou exploradas com um comando de videojogos na mão.
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