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Análise a ‘Detroit: Become Human’

O nome da cidade ser destacado no título do jogo guarda um simbolismo presente na humanização das personagens principais que não são de carne e osso, mas de metal e circuitos eletrónicos. E esse simbolismo prende-se com três coisas: a opressão, a depressão e a liberdade.

Sofisticado e eletrizante!

Na margem americana do Rio Detroit, com o Canadá à mão de semear, observamos a Gateway to Freedom, uma estátua do escultor Ed Dwight, demonstrado um grupo de escravos a tentar escapar para o Canadá, onde seriam livres. Para muitos, a única chance de sentirem a liberdade. Kara, uma das personagens principais do jogo, num dos momentos apoteóticos, observa o Canadá com os mesmos olhos.

A Detroit de daqui a vinte anos é bem diferente da de hoje e daquela que foi há cem anos. Do auge da indústria, à violència e ao racismo, mais de um milhão de habitantes saíram da cidade nos últimos cinquenta anos, deixando literalmente arranha-céus ao abandono. Hoje, observamos uma Detroit vazia e deprimida, onde o frenesim que seria de esperar numa das mais conhecidas cidades do mundo é surpreendentemente inexistente.

E isto leva-nos a viajar 20 anos no futuro, em 2038, onde Detroit é uma cidade evoluída, principalmente, de novo, pela indústria automóvel e a sua alta tecnologia (que de facto, já hoje, começar a empregar muitos programadores informáticos na cidade). Entre os humanos, existem Androides, máquinas iguais aos seres humanos construídas para servirem o Homem, na tarefas mais básicas até às mais complexas. São responsivos e detêm uma inteligência artificial superior que leva à necessidade de construção de protótipos como Connor, para perseguir androids desviantes, que anseiam por uma revolução e pela liberdade, como Markus. Já Kara, parece ter desenvolvido algo muito mais profundo. Sentimento e amor, cuidando de uma criança como fosse, de facto, sua filha.

Um jogo que desde o primeiro minuto defende a beleza da tecnologia inteligente do futuro, através de máquinas humanóides, elegantes e programados essencialmente para responderem apenas às necessidades do ser humano. Para exemplificar a frase anterior, temos o Android ST200, com o nome Chloe, a nossa anfitriã sempre que iniciamos o jogo.

Detroit Become Human desenrola-se principalmente em três caminhos, mas ramifica-se em inúmeros trajetos, tudo com base nas escolhas que o jogador faz em cada instante. Pode ter até 40 horas e a sua jogabilidade é tão imprevisível que acabamos por ter de repetir as sequências para encontrar novos caminhos e saber o que poderia acontecer se aquela decisão tivesse sido tomada. E jogar em família ou entre amigos também é bem divertido pois as decisões têm de ser tomadas num período específico de tempo e não sabemos onde vamos chegar ao seguir por um caminho e não por outro.

Podemos jogar com Connor, um protótipo RK800 que tem como papel principal auxiliar detetives humanos nas cenas de crime, investigando todas as evidências e interrogando todos os que forem suspeitos à caça de androids desviantes, que rumam contra o sistema. Depois temos Markus, um protótipo RK200 com funções mais domésticas, especialmente construído para fazer companhia ao seu amigo e famoso pintor Carl, este que é um idoso paraplégico. E por fim, Kara, a android modelo AX400 que está programada para executar tarefas domésticas e ajudar crianças.

Como é fácil de perceber todos os androids foram concebidos com o intuito de auxiliar os humanos, todos eles são autónomos, com inteligência artificial capazes de se adaptar às variadas situações. No entanto, há uma característica que os diferencia dos seres humanos: a falta de sentimentos. Apesar de um início relativamente calmo em todas as personagens, existe uma determinada missão em que estas se libertam da barreira psicológica invisível e entram numa nova fase do conhecimento e de vivências. A título pessoal, considero que estes momentos em que os robôs se libertam pode ser interpretado como uma mensagem positiva para os seres humanos, que por vezes é preciso lutar contra o nosso interior para compreender o mundo ao nosso redor.

Na minha opinião, além da narrativa cativante e das funcionalidades únicas (a forma como se pode analisar o cenário em 360°, etc) que este jogo apresenta deve-se destacar a interface limpa e simples e os cenários tridimensionais futuristas que certamente exigem grandes estudos e investigação por parte dos criadores, pois para cada projeto é preciso criar algo que não existe. No meu ponto de vista, pareceu-me tudo bem idealizado sem querer fugir demasiado da realidade que será o mundo daqui a 20 anos, com revistas digitais, montras com publicidade focada no nosso interessante pessoal e claro androides a desempenhar profissões de humanos.

Detroit Become Human é sofisticado e eletrizante. É um filme que nos transporta para dentro da quarta parede e nos coloca a responsabilidade de conduzir o rumo das personagens. Uma experiência que não pode ser deixada de lado.

(por Bernardo Candeias e Gonçalo Béjinha)

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Filmmaker, Writer, Champion Gamer, Part-Time Comedian, Aspirant Avenger CrossFitter and Otorhinolaryngologist
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