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Análise a ‘Insatiable’

Estamos no século vinte e um, e o tema do corpo da mulher está na boca do mundo. Cada vez mais encontramos filmes e séries que relatem e falem acerca daquilo que são as inseguranças de uma mulher e do seu corpo. E a série Insatiable não foge à exceção.

Estreada em agosto de 2018, a série do Netflix Insatiable, criada por Laura Gussis, tenta abordar este tema na forma de humor negro. O enredo desta história de 12 episódios, baseia-se na nossa personagem principal, Patty Bladell; uma rapariga adolescente obesa, que sofre muito bullying por parte dos colegas por ser gorda. No entanto, um dia leva um murro de um sem abrigo, que lhe parte o maxilar. Patty, passa o verão inteiro a beber líquidos enquanto o maxilar recupera, e desta forma emagrece e promete vingar-se de todos aqueles que alguma vez lhe fizeram mal unindo-se ao seu advogado Bob que promete fazer dela a vencedora de concursos de beleza.

A série em si, acaba por fugir muito ao tema do corpo. Ao contrário do que muita gente entende pelo trailer, o objetivo por parte da criadora é de criar uma série que faça as pessoas rir, independentemente dos temas que sejam mencionados serem temas sérios. Todavia, a receção da mesma não foi a melhor. A série criou muita controvérsia por parte de mulheres pelo mundo inteiro, especialmente nos Estados Unidos da América. Muitas criticaram a realizadora e a atriz que passa por Patty Bladell, Debby Rian, ao verem o trailer. Dizendo que não é correto em 2018 ainda afirmar que a única forma de uma mulher ser bem-sucedida, ou neste caso uma rapariga na sua juventude, é perder peso. E mais que isso, foi criticada pela personagem principal procurar vingança em vez de tentar sentir-se bem consigo própria e passar uma imagem positiva à audiência. Inclusive criou-se uma petição online onde mais de 100.000 mil pessoas teriam assinado para que a série fosse cancelada por ser uma série de fat-shaming (um termo muito usado hoje em dia para a ação de humilhar alguém por ser gordo, ou por fazer bullying a uma pessoa com excesso de peso; tendo como intenção fazer entender as pessoas que não é por alguém ser mais gordo que deixa de ser bonito/a ou inteligente). Em resposta, a criadora escreveu um tweet a explicar que também foi uma criança que sofreu muito pelo o seu peso, e que o objetivo é explicar os prejuízos que o bullying pode ter através da comédia.

Particularmente, entendo onde a criadora quis chegar com a série. Mas acaba por ter um guião muito oco e vazio. Mesmo quando uma pessoa pode ou não rir, nenhum episódio é 100% cómico ou tem uma linha de sentido que é percorrida do início ao fim. A série acaba por se perder pelo meio e parece que a história muda totalmente a partir de um dos episódios do fim. Não tem ligações entre os episódios e por consequente, tem muitas falhas. Não só não explora tão bem quanto podia o tema do peso; mas também perde uma grande oportunidade de pegar num tema importante, quando no início da série tem homens que independentemente de gostarem de concursos de belezas seriam heterossexuais, mas para o final da série, e spoiler alert, tinham de terminar a serem gays. O que foi uma grande deceção.  Não pelo o facto de serem gays, não me interpretem mal, mas sim porque mostra mais uma vez que um homem para ser “homem” não pode gostar de “coisas de mulher” e tem de ser sempre “másculo” nos padrões da sociedade. Sendo que a criadora poderia ter utilizado um bom exemplo como os homens podem apoiar as mulheres a fazerem-se sentir seguras de si mesma por eles mesmos estarem seguros da sua masculinidade.   A verdade é que poderia ter sido uma grande série, com boas mensagens ou com uma boa comédia, mas ficou muito há quem. A criadora não soube explorar os temas de transtornos alimentares ou a comunidade lgbtq+ quando tinha tudo para o conseguir fazer! Procurou muito falar de todos os temas que são polémicos nos dias de hoje, mas falhou completamente em qualquer um deles, porque se dispersou. Nem em termos de comédia a série conseguiu ser sádica.

5
Vazio

Insatiable

Podia ter sido a série juvenil do ano.

Pros

  • Cómica e Bom Cast

Cons

  • Aborrecido, Confuso, Desinteressante
Part time dreamer and writer, master degree's student at ISCTE and full time dreamer.
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