8.0
Good
Cinema / TV Destaques

Análise a “Maniac”

Maniac, a nova minissérie “Netflix” criada por Patrick Somerville e realizada por Cary Fukunaga, traz certas características do cinema Japonês para alguns dos episódios. É uma série complexa que se vai tornando compreensível à medida que certas questões são respondidas. É isso que nos mantém presos, procurando descobrir o que realmente se passa, sendo extremamente satisfatório quando finalmente é possível juntar todos os pontos.

Protagonizada por Jonah Hill e Emma Stone, actores que representaram juntos pela primeira vez no filme “Superbad” (2007). A série acompanha Annie (Stone) e Owen (Hill), diagnosticados com transtorno de personalidade e esquizofrenia, respectivamente, que aceitam ser cobaias para um tratamento psicológico experimental realizado através de intervenções neurológicas com o intuito de curar os maiores traumas dos pacientes. A Neberdine Pharmaceutical & Biotech é uma empresa que testa drogas que se encontram ligadas a uma inteligência artificial.

Jonah Hill e Emma Stone conduzem espectacularmente esta série, não deixando o espectador perder o interesse no que por vezes é uma confusa viagem onde lutamos para entender se o que estamos a ver é real ou apenas uma alucinação. Owen é um homem solitário que nunca se conseguiu enquadrar no panorama social que o envolve, Hill consegue através de pequenos detalhes dar vida a um personagem fantástico. Stone por outro lado caracteriza uma mulher que devido a um acidente no seu passado recorre ao uso de drogas para se poder afastar da sua realidade e consequentemente dos seus sentimentos de perda e culpa.

A série existe numa realidade retro-futurista, como que imaginado por alguém nos anos 80, tornando-se assim visualmente fantástica, encontrando padrões de cores e cenários meio que “bunkerianos” acrescentando sentimentos de claustrofobismo e melancolia.

Os protagonistas começam a história dizimados, por diferentes motivos que procuram neste tratamento a sua última oportunidade de resolver as suas questões e voltar a ter uma vida normal. Apesar dos seus passados completamente diferentes, a dor e sofrimento que ambos experienciaram acaba por os unir, sendo que os seus traumas partem de questões relacionadas com as suas famílias. Owen encontra-se num dilema sendo forçado pela sua família a mentir em tribunal a favor do irmão que nunca o tratou como tal, enquanto que Annie passou pelo abandono da sua mãe e a perda num acidente que nunca conseguiu ultrapassar.

Ao longo da minissérie, os personagens são colocados em estados de alucinações sob o controlo da AI, onde se encontram os momentos mais cómicos de uma série por norma séria e pesada, que começa a tornar-se progressivamente mais realista, passando por temas de fantasia até uma luta entre espiões.

Existem outras personagens que aparecem constantemente nas alucinações dos protagonistas, e que têm grande importância no desenrolar da série: Billy Magnussen, encarna o irmão abusivo de Owen e por outro lado Julia Garner dá vida à irmã de Annie.

A série procura desconstruir a ideia preconcebida de normalidade e revelar constantemente o quão destrutivo pode ser para alguém que não se enquadra nesse padrão. Ao longo da minissérie acompanhamos temas de conflitos familiares, dúvida e desconfiança, relacionamentos disfuncionais e personagens caricatas. No final dos 10 episódios sentimos que passamos, juntamente com os protagonistas, por uma aventura atribulada que vale realmente a pena.

8.0
Good

Maniac

Pros

  • Fotografia
  • Elenco
  • Banda Sonora

Cons

  • Pode tornar-se confuso
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