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Análise a “Marvel’s Spider-Man”

As aventuras do Homem-Aranha fazem parte do imaginário dos fãs de banda desenhada há 56 anos, quando se começou a balancear pelos arranha-céus de Nova Iorque. A olhar para o fato, parece que foi ontem. Foi tudo e mais alguma coisa: de action figures a um sem fim de peças de merchandise, a adaptações à TV, ao cinema, aos jogos de mesa, de casino, aos videojogos das arcades, até às mais recentes versões domésticas das caixas de entretenimento interactivo. Já conhecemos Peter Parker a ser picado pela aranha que lhe dará os super-poderes, como jovem estudante, como jovem adulto repórter e em tantas mais metamorfoses das mais oficiais, às mais previsíveis, até chegar a algumas muito estranhas. Talvez seja a personagem de banda desenhada mais transversal aos meios de comunicação. Mas principalmente, é sem qualquer dúvida, uma das mais reconhecidas personagens alguma vez criadas em todo o mundo.

Marvel’s Spider-Man é uma afirmação de qualidade.

Marvel’s Spider-Man não é a primeira adaptação da personagem na PlayStation 4, mas é definitivamente a mais ambiciosa de todas as anteriores, para todas as plataformas. Para além de se apresentar como um jogo de mundo aberto, num impressionante e vasto cenário onde há sempre tanto a acontecer, no solo e pelos recantos dos arranha-céus, é objectivamente um jogo de cariz cinematográfico, onde embora certos plot points não sejam particularmente originais, formular cerca de 30h da história principal com tantos elementos e personagens sem adulterar os conceitos base da BD, é realmente mais uma pesada afirmação por parte da indústria dos videojogos a dizer que estamos aqui e somos tão bons quanto o cinema.

Algo que me surpreendeu logo desde o início foi a jogabilidade que, se me deixou algumas dúvidas nas sequências promocionais apresentadas, descomplicou-se a minha teoria de que todos os combos e acrobacias seriam difíceis de consumar pelo comum jogador mortal: todos os controlos, dos mais básicos de movimento, à estrutura dos ataques e dos ditos combos é muitíssimo simples – mas não são fáceis! Isto permite que o jogador aproveite os momentos de maior pressão de uma forma mais espectacular, mantendo o grau de dificuldade que cada um requer, com o avançar da história.

Já Peter Parker é um jovem adulto com provas dadas. E num jogo totalmente localizado em português, temos um Spider-Man extremamente sarcástico (por vezes demais, Deadpool-demais) facto que o ajuda a simpatizar com o jogador, o que pode ser de muita importância uma vez que existem cut-scenes longas, apenas como Peter Parker a lidar com os seus problemas pessoais.

Numa comparação muito linear temos o Batman: Arkham Knight, mas neste a possibilidade de combos é mais limitada na luta corpo-a-corpo. No jogo em si, toda a mecânica é bastante similar. À medida que passamos os níveis principais e secundários, o nosso Spider-Man vai também subindo de nível e com isso ganha pontos de habilidade que podem ser trocados por melhorias em três áreas: Inovador, Defensor, e Atirador de Teias. Estes novos ataques, defesas ou truques vão ajudar-nos a percorrer o perigoso mundo que nos rodeia e em especial os inimigos que chegam às dúzias. Este menu, também muito simples, apresenta o mapa, as personagens, as missões e a Lista de Técnicas, uma listagem de combos de sequências de teclas que faz lembrar o Tekken. Os developers foram buscar um pouco do melhor que se tem feito e inseriram esses modelos na génese do jogo.

Aliás eu tenho vindo a dizer que a indústria dos videojogos tem memória e aprende. Middle Earth: Shadow of Mordor e The Witcher 3: Wild Hunt, que já tinham recebido sugestões de tantos outros, passaram o testemunho ao Batman: Arkham Knight, ao Final Fantasy XV, a Horizon Zero Dawn até mesmo ao novo God of War, para falar de alguns e recentes.

Marvel’s Spider-Man é uma afirmação de qualidade. É aquele momento em que passamos a beber apenas café que foi moído no momento. Não há grande volta a dar – os videojogos passarão a dominar o espectro cultural num curto espaço de tempo porque são de uma qualidade acima de tudo o que se faz nas outras indústrias do entretenimento, combina o melhor de todas as artes. Na minha opinião, é um jogo de arestas bem limadas, bastante competente e que surpreende pela positiva. Será que com isto tudo, vamos ter cameo do Stan Lee?

9
Excelente

Marvel's Spider-Man

Um jogo de arestas bem limadas, bastante competente e que surpreende pela positiva.

Pros

  • Jogabilidade e controlos
  • Argumento cativante
  • Mundo aberto

Cons

  • Os NPCs são esquisitos
  • Existem algumas pontas soltas sobre personagens secundárias
Filmmaker, Writer, Champion Gamer, Part-Time Comedian, Aspirant Avenger CrossFitter and Otorhinolaryngologist
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