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Cinema / TV

Análise a ‘O Príncipe Dragão’

Estando no currículo de um dos criadores de O Príncipe Dragão os títulos de diretor e escritor principal de Avatar: The Last Airbender, as comparações e expetativas estavam em alta. Aaron Ehasz, em conjunto com Justin Richmond, procura agora explorar um mundo de fantasia medieval através dos olhos de mais um grupo de crianças e adolescentes.

A introdução, narrada por uma voz exageradamente dramática, expõe o cenário onde um dia elfos e humanos viveram em harmonia, num mundo onde a magia existe com seis fontes primárias: o sol, a lua, as estrelas, a terra, o céu e o oceano. Isto, até os humanos terem descoberto e utilizado uma nova fonte de poder: a magia negra. Foram então exilados pelos elfos, dividindo o continente pelas duas fações que permanecem em guerra até à época onde a história decorre. Os protagonistas, com membros de ambos os lados, irão rebelar-se contra os seus superiores e desafiar os preconceitos numa missão que procura trazer a paz entre os povos.

O tom da série é leve, com um diálogo e humor direcionados para um público infantil. Está também repleta de clichés, chegando ao cúmulo de justapor uma cena com “a avalanche causada por barulho” a um “o personagem cai através do gelo quebradiço do lago”. Mas a quem conseguir ultrapassar esses problemas, O Príncipe Dragão apresenta um universo de fantasia interessante, com personagens divertidas e sem alinhamentos definidos. Com uma notável exceção, os lados não são pintados a preto e branco, entre bons e maus, tratando-os antes como indivíduos com motivações próprias, envolvidos num conflito que os ultrapassa.

A animação é, ao mesmo tempo, o ponto forte e um dos maiores problemas. O design das criaturas mágicas, das personagens e até das paisagens, alimentam a espetacularidade e a magnificência deste mundo de fantasia. Com animações em três dimensões, algumas cenas bem trabalhadas enchem o olho. Mas a qualidade é inconstante, e uma escolha consciente para limitar o frame rate de forma a imitar um estilo de animação desenhado à mão, tornam certos momentos num slideshow doloroso. Da mesma forma, a técnica de cel shading que tenta dar um aspeto de duas dimensões às personagens e objetos, nem sempre resulta numa integração perfeita com os ambientes.

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O Príncipe Dragão

'O Príncipe Dragão' abre as portas para um mundo que desperta a curiosidade, num cenário de fantasia medieval chamativo, mas que é demasiadas vezes explorado de forma infantil e superficial.

Pros

  • Design das personagens e criaturas
  • Personagens interessantes e divertidas

Cons

  • "Frame rate" inconstante e distrativo
  • Diálogo infantil regado de clichés
@SopraCartuchos
Estudante de jornalismo, amante de histórias em todas as formas: escritas, no pequeno e grande ecrã, ou exploradas com um comando de videojogos na mão.
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