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Bom
Videojogos

Análise a ‘Tennis World Tour’ (PS4)

Desde os primeiros tempos da história dos videojogos que o ténis ocupa um lugar de honra no sector. O que é o clássico ‘Pong’ senão uma pioneira tentativa de apresentar um jogo de desporto, reduzido à sua mínima expressão? Ao longo do tempo tivemos sempre representantes do género, desde os tempos do ZX Spectrum com ‘Match Point’, da Mega Drive através de ‘Pete Sampras Tennis’ e ‘ATP Tour Championship Tennis’ ou da anterior geração de consolas com títulos como ‘Virtua Tennis 4’ ou o muito elogiado ‘Top Spin 4’.

 

No entanto, já passaram mais de 7 anos desde o lançamento deste último e ainda as actuais consolas não tinham recebido um jogo de ténis. Um pouco na sombra, ‘AO Tennis’ antecipou-se no início deste ano, com um lançamento desastroso apenas para o mercado australiano para coincidir com o Open da Austrália. E foi então que surgiu ‘Tennis World Tour’, prometendo oferecer a melhor e mais realista simulação de ténis da actualidade e estando disponível nas edições normal e Legends, esta última contando com a presença das lendas Andre Agassi e John McEnroe, assim como mais opções de customização para o modo carreira.

 

 

Avancemos então para o court. O modo de exibição permite-nos escolher entre 24 jogadores do circuito ATP, em que se destaca a presença do por muitos considerado o melhor tenista de sempre, Roger Federer. Infelizmente não marcam presença os seus grandes rivais Rafael Nadal e Novak Djokovic mas a lista inclui 6 jogadores do actual Top 10 mundial, o que é assinalável. Com um grupo masculino equilibrado que tanto permite escolher estrelas em ascensão como Alexander Zverev ou Dominic Thiem e jogadores de créditos firmados como Stan Wawrinka, o mesmo não se passa com as suas congéneres femininas. Apenas 5 tenistas do circuito WTA estão presentes, ainda que 3 das quais sejam ex-Nº1 mundiais: Caroline Wozniacki, Angelique Kerber e Garbiñe Muguruza. De referir que todos os tenistas têm os seus específicos equipamentos (da época transacta) e raquetes das marcas oficiais.

 

Temos à nossa disposição 17 estádios distintos, nas mais variadas superfícies, incluindo alguns muito invulgares como um court de terra batida de cor azul e outro em piso de madeira. Infelizmente são todos fictícios mas há 4 de maior dimensão a imitar os mesmos 4 do Grand Slam. A superfície de jogo, o facto de serem recintos ao ar livro ou cobertos e mesmo a temperatura e a altitude da localização do torneio têm influência no ressalto da bola.

 

Graficamente é agradável, os estádios estão bem conseguidos e com bom nível de detalhe, com a curiosidade de apresentarem diferente arquitectura consoante o continente onde se inserem. Os jogadores estão bem representados e houve um trabalho de captura de movimentos realizado por um jogador profissional para traduzir as movimentações e a especificidade dos diferentes tipos de pancadas. É, no entanto, genérico e não reflecte os movimentos de cada um dos tenistas em específico. O som ambiente, já depois do jogo ter recebido um patch de actualização, está agora aceitável, com o público a reagir ao final dos pontos e com espanto a bolas que tocam as linhas. Os comentários estão a cargo da “lenda” John McEnroe, no seu estilo inconfundível, que rapidamente se tornam repetitivos pelo número reduzido de linhas de comentário que tem ao seu dispor e que até, em algumas situações, revelam-se inadequados, como por exemplo quando elogia a potência da resposta e a mesma até foi um amorti. E depois há o caricato de podermos estar a jogar com ou contra McEnroe e o próprio estar também a fazer os comentários…

 

Uma novidade nos videojogos de ténis é, desta vez, termos cartas de habilidade para podermos conjugar e usar como estratégia para os jogos. Num desporto em que o factor mental é muito importante para levar de vencida o adversário, as cartas funcionam como se fossem um bónus psicológico. Estas são diversas e podem melhorar a potência ou precisão de determinada pancada, tipo de serviço ou afectar a condição física em todo o encontro ou somente em pontos fundamentais.

 

A jogabilidade por vezes deixa-nos um gosto “agridoce”. Se por um lado é fácil adaptar-nos à física da bola e a mesma parece-nos acertada, também por vezes temos a sensação que há bolas que podíamos ter chegado a tempo de responder em condições e isso não acontece. Ou que o tipo de pancada que escolhemos usar não é a que depois vemos o nosso jogador realizar. O tal patch também veio trazer melhorias a nível da jogabilidade e é de esperar que não fiquem por aqui.

 

A inteligência artificial não é, de todo, um ponto forte do jogo. Em qualquer um dos 4 níveis de dificuldade é visível o facto de o nosso opositor raramente cometer erros não forçados e não enviar bolas contra a rede ou para fora, o que faz com que tenhamos que ganhar grande parte dos pontos através de winners. Só em situações de cometer dupla falta no serviço é que vemos a inteligência artificial a errar, o que se torna um pouco frustrante e irreal.

 

Para além do modo exibição, que permite fazer partidas únicas ou realizar um torneio, ‘Tennis World Tour’ apresenta também um tutorial chamado ‘Tennis School’ que nos ensina e ajuda a dominar qualquer um dos diferentes tipos de pancada, seja de resposta ou serviço. Há algumas das lições mais avançadas que só poderão ser desbloqueadas através do modo carreira. E eis que chegamos precisamente a um dos pontos fortes do jogo. O modo carreira apresenta-nos uma visão com uma boa dose de realismo sobre o que precisa de fazer um jogador profissional para alcançar o topo da hierarquia mundial. Em vez de apenas entrar em torneios e ganhar jogos, vamos ter que conciliar isso com a nossa condição física, treinar, comprar equipamento, contratar treinadores e empresários ou simplesmente descansar para recuperar energias.

 

 

Podemos, assim, criar o nosso próprio tenista à nossa imagem ou, se preferirmos, utilizar qualquer uma das 20 vagas disponíveis para criar jogadores que não se encontrem no jogo como os já referidos Djokovic ou Nadal e “viver” as suas carreiras. Qualquer dos jogadores criados poderá depois ser utilizado também em partidas do modo de exibição.

 

‘Tennis World Tour’ tem tudo para ser a mais completa e realista simulação de ténis para a actual geração de consolas pois parece-nos bater o seu concorrente ‘AO Tennis’ a toda a linha, (talvez perdendo apenas na questão da customização) mas o seu lançamento parece ter sido um pouco precipitado. Pressionados para coincidir com a realização do torneio de Roland Garros, tendo mesmo existido um evento de eSports com a beta do jogo no recinto do certame francês, a verdade é que a Breakpoint e a Bigben Interactive serviram-nos uma dupla falta, ao lançarem o jogo ainda sem possibilidade de jogar online e sem a modalidade de pares, para além da existência de falhas entretanto já corrigidas parcialmente através de um patch. A produtora já comunicou que o modo de jogar em rede estará para breve e que a variante de pares chegará no verão mas não se livraram das acusações de bait-and-switch por parte de alguns meios de comunicação. ‘Tennis World Tour’ tem muito para crescer e melhorar mas a bola está do lado de lá.

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Bom

Tennis World Tour

Após 7 anos de espera, chega-nos o herdeiro de 'Top Spin 4' para a actual geração de consolas

Pros

  • O interessante modo carreira
  • Cartas de habilidade

Cons

  • Falta de licenças
  • (Ainda) sem online e modo de pares
Licenciado em Sociologia. Cinema, música e videojogos são áreas de eleição.
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