Análise a ‘Stranger Things 2’

Coisas estranhas continuam a acontecer em Hawkins... o regresso da série sensação da década é uma agradável e viciante surpresa!

No Verão do ano passado, a Netflix estreou ‘Stranger Things’ uma série criada pelos então desconhecidos irmãos Duffer que se tornou numa das maiores surpresas de 2016. Por um lado, tinha um elenco incrível de jovens actores ao lado de Winona Ryder, David Harbour e Matthew Modine, lançando para o estrelato, principalmente, a jovem actriz Millie Bobby Brown. Por outro, a nostalgia dos anos 80 e todas as referências culturais presentes na série, conquistaram os mais velhos pelas recordações e os mais novos pelo estilo retro-cool que se conseguia respirar a quilómetros de distância. Foram oito episódios mágicos que fizeram mergulhar os espectadores (ou utilizadores – qual termo certo) num mundo tão característico, desenhado com um argumento bem estruturado que inspirou os fãs, mas que deixou várias pontas soltas que aguardaram um ano por respostas.

Stranger Things’ regressa com a mesma qualidade cinematográfica, um enredo fascinante e muitas surpresas pelo meio, passando a ser por si só, um dos maiores selos de qualidade da Netflix.

Mas essa espera termina hoje. E a pergunta mais frequente é “supera as expectativas”? Sem spoilers (para já), posso mandar soar as sirenes. A segunda temporada de ‘Stranger Things’ é tão boa quanto a primeira, abrindo um mundo de possibilidades em termos de storytelling que servem tanto as expectativas dos fãs como preenchem o depósito de combustível comercial e de marketing para temporadas futuras.

Se na primeira temporada o argumento tinha como pilares três camadas interligadas (os míudos, os jovens e os adultos), ‘Stranger Things 2’ atreve-se a baralhar estas camadas, criando parcerias improváveis e introduzindo várias personagens que irão, com toda a certeza, protagonizar o enredo dos episódios de futuras sequelas do franchise.

A partir daqui há spoilers das duas temporadas!

Mas o que aconteceu a Eleven? Será que Barb está viva? O que é, na verdade, aquele bicho esquisito que sai do corpo de Will? E claro… há mais crianças como Eleven? Todas estas perguntas têm resposta nesta nova temporada! Vamos então olhar para as novidades e desvendar alguns mistérios!

O espírito dos anos 80 permanece? As músicas? As referências aos filmes?

Tal como a primeira temporada, os anos 80 transparecem de várias formas, não apenas naquilo que vemos ou ouvimos, mas especialmente nas pequenas coisas: numa das cenas iniciais, temos os miúdos a procurar moedas perdidas entre os colchões dos sofás, rasgando-me um sorriso. Os miúdos de hoje não sabem o valor de uma moeda de 50 escudos que desbravava caminho para comprar um gelado. Acho que uma das coisas mais especiais nesta série é a questão da identidade espácio-temporal, física e psicológica, presente nas acções, nas decisões, no mood das personagens e no ambiente externo que as circunda.

Voltamos a ter o tema “Should I Stay or Should I Go” dos The Clash como ponto de ligação entre os irmãos Byers, que na primeira temporada significava o fortalecer da relação e agora é um dos elementos que ajuda a despertar Will quando a sua mente está a ser controlada. Mas são muitas outras músicas que vão preencher os ouvidos de nostalgia, como a cena do baile da escola no final do último episódio, ao som de “Every Breath You Take” dos The Police.

Como easter egg, se ouvirem as bandas sonoras de ‘Stranger Things‘ no Spotify, poucos segundos depois da música começar a tocar, o ecrã mergulha no Upside Down. Apenas disponível no Spotify para o browser. Ouçam aqui a banda sonora da nova temporada.

Sobre referências ao cinema, estas vão mais além dos anos 80. ‘O Exorcista’ está presente no facto de Will estar a ser controlado por uma entidade externa e a cena na casa de campo com a lareira e os aquecedores a tentarem expelir o vírus faz lembrar perfeitamente as cenas do filme.

Halloween’ está presente nas máscaras tanto dos miúdos de Hawkins como no grupo de “exilados” dirigido por Kali. E surpreendentemente, temos referências recentes, como é o caso de “Sinais” de Shyamalan (com o qual os irmãos Duffer trabalharam em ‘Wayward Pines‘), com o ambiente Lovecraftiano do som dos Demo-Dogs que é quase igual ao dos extraterrestres do filme, na forma como se escondem e como a câmara se movimenta nos campos de cultivo, como circundam a casa de Will quanto todos aguardam que um deles entre por ali adentro (pouco antes de Eleven regressar) e também como Steve treina a tacada com o taco de baseball (tal como a personagem de Joaquin Phoenix no filme de Shyamalan).

Neste preciso momento, enquanto eles esperam impacientemente que os Demo-Dogs não entrem, temos um travelling que se assemelha ao momento em que em “O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel”, quando presos nas Minas de Moria, a irmandade aguarda que os Orcs entrem para o interior do túmulo de Balin. Curiosamente, Sean Astin entra nesta temporada com uma nova personagem, ele que interpretou Sam na trilogia de Peter Jackson e foi um dos miúdos de ‘Os Goonies’. Mas podem contar como muito mais, desde “Os Caça-Fantasmas” a “Indiana Jones” e até “Hunger Games“. É só ficar atento a cada cena!

E de todas as novas personagens, destaca-se Max, uma miúda com muita pinta que vai ser o elemento que vai destabilizar a “irmandade”, não apenas por ser uma entidade estranha ao grupo, mas por ser uma rapariga… é que Dustin e Lucas começam numa competição para ganhar o coração da craque dos videojogos MadMax

E o nome Andrew Stanton diz-vos algo? Realiza dois dos episódios… e tem na sua filmografia apenas filmes como “Uma Vida de Insecto”, “À Procura de Nemo”, “Wall-E” e claro, escreveu os argumentos de “Toy Story”!

A Eleven sobreviveu?

A primeira temporada termina com Jim Hopper a colocar Eggos dentro de uma caixa no pinhal. Obviamente, os fãs começaram a perceber que talvez Eleven não tenha desaparecido para sempre. Na verdade, ela ficou perdida no Upside Down depois de por termo à vida do Demogorgon. Mas as ramificações deste “mundo ao contrário” chegam a abrir portas para o mundo real e Eleven consegue escapar num portal dentro da escola de Hawkins, sobrevivendo algum tempo no pinhal até ser encontrada por Hopper. Desde então, o polícia passa a viver com ela numa casa de campo, longe dos perigos que ainda vagueiam no laboratório. Embora esta “parceria” tenha resultado inicialmente, Eleven mal pode esperar por regressar para os braços de Mike e dos seus amigos.

O que se passa, na verdade, com Will?

No ano passado, deixamos Will na noite da véspera de Natal a vomitar um estranho bicho que foge pelo cano do lavatório, e vemos de novo que o Upside Down está ligado de alguma forma a ele. Agora um novo perigo acorda, algo muito mais vasto que o Demogorgon, que se alastra no subsolo da cidade de Hawkins. O pobre do Will, depois de várias visões, passa a ser controlado por este vírus e a sua mãe, irmão e amigos vão ter de perceber se quem está a falar com eles é o verdadeiro Will ou o vírus disfarçado, espiando o que se passa em Hawkins.

E a Barb??

Aparentemente, Barb morreu na primeira temporada e essa ideia fica presente também na segunda. No entanto, ficamos com a ideia de que o Dr. Martin Brenner pode estar vivo e, se isso acontecer, ficam abertas as portas para o regresso de Barb. Será que morrer no Upside Down é o mesmo que morrer no mundo real?

Há mais crianças como a Eleven?

Logo no início do primeiro episódio de “Stranger Things 2” ficamos a conhecer Kali, a número 8. Kali não tem o poder da mente de Eleven mas consegue criar imagens na mente das pessoas para que elas vejam algo que não é real. Eleven procura por ela depois de tentar falar com a sua mãe e conseguem criar uma ligação que será explorada, de certeza, numa terceira temporada. Se existe uma 11 e uma 8… devem existir mais crianças com poderes especiais!

O que podemos esperar da próxima temporada? Que mistérios ficam por revelar?

Ficamos a saber que Eleven se chama, na verdade, Jane e que Jim Hopper é o pai dela. O facto de Brenner estar vivo ou não pode ser uma reviravolta importante. Mas o mais assustador de tudo: o último episódio termina no Upside Down com um perigo iminente, algo grande demais, um desafio hercúleo para os nossos heróis, em especial para Eleven. Talvez vá precisar da ajuda de “Eight” na próxima temporada…

Stranger Things’ regressa com a mesma qualidade cinematográfica, um enredo fascinante e muitas surpresas pelo meio, passando a ser por si só, um dos maiores selos de qualidade da Netflix.

9.6
Brutal

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