Balanço de Cinema e Blockbusters 2017 por Mário Augusto

Deixo para os críticos uma analise mais profunda do que foi o panorama cinematográfico na produção nacional que seguiu a tendência que vem marcando os últimos anos e que nos revela uma leva de jovens talentosos e dispostos a marcar o seu espaço com um cinema que chega a um publico diferente e arrasta para a discussão publica e consequente curiosidade do publico para ir á sala ver do que se fala quando se diz que o cinema português está a crescer em importância. Muitos prémios internacionais e um reconhecimento de uma cinematografia que á vezes é experimental, outra vez reduzida de meios, obrigando os novos realizadores a desenvolver narrativas que acabam por espantar positivamente quem vê. Nesse aspeto tenho que aplaudir de pé os mais jovens que nos curtas metragens têm vindo a marcar lugar de destaque no circuito dos festivais. Não estou certo de que todos se possam abalançar depois para os longas metragens que já são outro território, mas fui surpreendido por alguns filmes nesse formato que auguram uma nova fornada de talentosos cineastas. 2017 foi de boa colheita. Surpreendeu-me a “Fábrica do Nada”. Um jogo entre o ensaio doc, a fábula real que nos põe a pensar.

Tivemos um ano em que algumas cinematografias europeias surpreenderam com abordagens diferenciadoras e sem a formatação que o cinema popular exige. Da América e ainda do circuito paralelo das produções independentes, Jim Jamusch voltou ao ecrã e surpreendeu com “Paterson”. Filme que se agarra a quem vê num ritmo muito próprio ao longo de uma semana na vida de um aspirante a poeta que é também motorista de autocarro numa carreira regular e rotineira. Podemos ver o filme como uma interessante reflexão sobre a criação artística com um surpreendente Adam Driver que é hoje um valor seguro do cine a americano, sejam blockbusters ou filmes de autor. Do circuito de produção independente americana foi este o filme que mais me encantou.

Entre muitos baldes de pipocas – de que não sou que para não variar, foi um ano de muitos super-heróis…efeitos e filmes que apesar de serem iguais …continuam a levar muita gente ao cinema, garantindo para a MARVEL/Disney” chorudos cheques como retorno financeiro do investimento. Assim vai continuar enquanto o filão estiver a render…desenganem-se os que como eu, já não têm paciência para este género porque heróis não faltam, aliás a “DC Comics” anda numa grande euforia com os seus super-heróis todos no ginásio para lhe dar músculo para novos desafios…por aí estamos falados. A Mulher maravilha tem fato novo e está aí para a s curvas

“Os Guardiões da Galáxia” sabem bem o que têm que fazer, efeitos e pancadaria e piadas secas.

Thor, Homem-Aranha e outros bons rapazes de fatos cada vez mais sofisticados estão ai para lavar e durar…Nesse universo, eu este ano tirei o chapéu a Logan…que foi a melhor reinvenção do ano com um Hugh Jackman ao seu melhor nível. Foi para mim o único super-herói que se safou bem em 2017

Mas de cinema…mesmo cinema!  como passamos o ano?

Sem números que surpreendam (não ultrapassou os 25 milhões de receita), Martin Scorsese começou o ano a surpreender com o velho projeto Silêncio que andou anos a adiar. O mercado português não foi exemplo, por cá foi um enorme êxito de bilheteira, também trata de um tema que nos toca, a evangelização dos padres jesuítas portugueses no Japão. No resto do mundo este grande filme de Scorsese não recebeu a atenção que merecia.

Mas a desatenção do grane público de cinema alastrou a outros filmes…estou a lembrar-me de “Vedações”, interpretado e realizado por Denzel Washington.  Houve outros bons filmes que nem tiveram tempo de aquecer os écrans. A alguns valeu-lhes a festa dos Óscares como “Moonlight” foi para a academia o melhor filme do ano e maior gaffe de toda a história da cerimonia dos Óscares. O envelope estava trocado e os apresentadores tiveram que dar o dito por não dito quando a boca lhes fugiu para a vontade…Tudo levava a crer que “La La Land – Melodia de Amor” …seria o filme da festa, mas não, esse evocar dos clássicos do cinema musical levou – isso sim – o prémio do publico. Ganhou parcialmente na academia, mas foi o favorito de toda a gente que comprou bilhete de cinema para ver cantar e dançar como nos bons velhos tempos de Hollywood.

Por falar em passado, foi também o ano que voltamos atrás uns anos nas memórias.

“Trainspotting 2”. Danny Boyle juntou a malta que há muito tempo não se via …uns recuperados das drogas, outros ainda perdidos no tempo, mas, eu confesso que gostei da formatação da história. Estas histórias que continuam velhos dramas e ficções muito anos depois, permitem-nos refletir sobe a carreira de uns quantos atores sem caracterização caso para dizer…são lindos sem make-up…e alguns evoluíram como é o caso de Ewan McGregor e outros nem por isso…ou não demos por eles a andarem por aí.

E por falar em voltar atrás, a expectativa era grande e demorou anos, mas finalmente foi o ano em que chegou o anunciado Blade Runner. Mais uma vez vimos o Harrison Ford a fazer o seu testamento das melhores personagens que alguma vez interpretou, já o tinha feito com Hans Solo e fica só a faltar a reforma de Indiana Jones que se anuncia para 2020.

Blade Runner merecia ter tido melhor resultado junto do publico mas valeu a espera e a forma como  se cruzam tempos tão diferentes na produção de cinema entre este e o filme original.

Ridley Scott foi o produtor do filme, num ano em que andou ás voltas com o Alien que também continua a sua saga depois de tantos filmes e estéticas diferentes…

Olhando para o Box Office:

Os aceleras de velocidade furiosa continuam a transgredir na estrada e nas aventuras, contando desta vez com a Charleze Theron, sempre bonita, mas mazinha que chegue. Tomem nota porque enquanto nenhum deles for multado ou mesmo preso por excesso de velocidade eles não largam o guiador. E para o ano há mais.

Também a acelerar destaco como surpresa o filme Baby Driver, uma produção divertida e com boa dose de adrenalina juvenil.

Nesse jogo de continuações obvias mas a perderem espaço, não posso deixar de falar de piratas das caraíbas – Homens mortos não contam histórias e digo eu que receitas velhas não garantem filmes frescos e renovados, o Johnny Depp em “over-acting” já não sabe como se descolar da personagem que continua a render.

Nos efeitos surpreendentes do cinema digital, vimos este ano o concluir da trilogia e planeta dos macacos do seculo XXI.

E para fechar com aplauso entusiasmado dos mais jovens e fans da velha saga, foi ano de “Star Wars – Os Últimos Jedi”, não posso dizer que tenha desiludido mas a força anda a chover no molhado, mesmo assim está a anos luz de “Valerian” que foi a mais cara produção europeia, alguma vez feita, 200 milhões num catalogo de efeitos sem grande sedução, eu até era  fan da BD original. Besson baralhou-se no guião, sem densidade nem “tcharan” que nos encantasse.

Por ultimo deixem que deixe aqui a minha nota do filme que mais me surpreendeu entre as grandes produções do ano. Sem dúvida e espero que chegue aos Óscares, “Dunkirk” de Christopher Nolan, não foi mais um filme sobre a segunda guerra, foi uma historia poderosa filmada e produzida como só o Chris Nolan sabe fazer, “the old fashioned way”. Pode a academia ignorar, mas será um reconhecimento adiado porque é sem duvida um dos filmes do ano. A produção de 2017 foi marcada também pelo congestionamento de écrans, com imagens de animação digital. Nunca se fizeram tantos filmes de animação, dificilmente conseguem ultrapassar a PIXAR que voltou a surpreender com aquele toque digital que faz de histórias simples um delicioso momento cinematográfico. COCO é daqueles que se vêem sempre em qualquer idade. Lá va a academia dar mais um Oscar aos estúdios PIXAR.

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