5
Bom
Cinema / TV

Crítica ao filme “Para a Escuridão”.

 

 


 

O thriller venoso que exatamente precisávamos, mas não exatamente o que nele queríamos.

É esta a imagem final que se acaba depois de quase duas horas espectativas de trama arruinada, repleta em todo o seu redor de um negro vazio e em suspense, nesta mais recente aposta para a rentrée da Netflix, numa fita de género aventura e mistério quanto baste, mas que se pode afirmativamente explanar, se perde entre a bruma aterrorizadora dos seus próprios padrões pretendidos.

Estreou em Portugal nestas últimas semanas, depois de muito se falar, o filme que contempla o subtil metafórico toque híbrido de um Michael Meyers, enviado para as profundezas da gélida neve do Alasca, com sobrevivência ao resgate, e que confesso me desilude, tendo embora todo um enorme potencial de exploração à partida num cenário arrepiante e tanto sinistro, e donde a ação se desloca para um ponto onde rapidamente se percebe a presença, um tanto óbvia, da situação do estilo nada aqui é o que parece.

Contando nos principais desempenhos com os atores Jeffrey Wright, Alexander Skarsgard e Riley Keough, narra a história dum escritor naturalista e especialista em vida animal, contratado na esperança de recolher provas de vida de uma criança atacada e levada por lobos, de uma mãe perdida de esperanças e razões por demais.

O já retirado Russell Core, ao responder ao pedido em carta de ajuda, desloca-se aos limites  da civilização da sociedade moderna, ao norte das altas montanhas brancas da América, no auxílio de uma jovem mãe de um filho de seis anos de idade, Medora Slone, a própria que logo demonstra intensas e estranhas intenções, por fruto de uma mente deslocada e bastante afetada com a preocupação pelo rapto do filho, Bailey, suposta e aparentemente levado por uma numerosa alcateia.

Ausente do início na guerra no Iraque, o marido desta, Vernon Slone regressa pouco tempo após a casa, ele ferido e sem informações, apenas na chegada informado do acontecimento, deixando-o relutante e pouco cooperante com as autoridades e polícia locais, bem como com o principal detetive do caso, e com o pisteiro que a mulher contratara.

Ao desenrolar da ação, uma série de voltas e eventos surpreendentes mudam por inteiro a trama narrativa inicial, onde para isso muito contribui as cruciais revelações descobertas, ladeadas em crescendo por uma carga violenta na intensidade fílmica, e onde a transição e passagem para uma odisseia de clima e paisagem pintada a escuridão ameaçadora, envolve o espetador num turbilhão de crime e terror, servindo-nos um cocktail forte em emoções mas fraco em competência, com um cenário em tela de cenas carregadas pela sua brutal e sufocante atmosfera sangrenta, e onde nada é o que era.

Nesta interessante experiência em épico de uma negra natureza selvagem como breu, as personagens evoluem em formas inesperadas e incaracterísticas, aí tirando muito do valor com que o filme primeiramente cresce e desenvolve, que o passa apenas para uma cadeia de momentos pouco consistentes e muito mal amanhados, com o sabor também de uma ousada mas pouco conseguida e fraca realização, onde nem os já reputados atores o salvam por completo por si mesmos, donde a história nos começa a deixar lentamente de inquietar, e nos inicia a irritantemente aborrecer, com o mais de um clímax final de conclusão deixando muito a desejar, acaba então por fim, desapontar epicamente.

5
Bom

PARA A ESCURIDÃO

Embate entre homem e natureza, com twist à mistura, num filme de sobrevivência e de atmosfera crepitante, que apenas vale pela experiência cinematográfica, onde tudo o resto é desapontante.

Pros

  • Boa atmosfera e bons perfomances individuais.

Cons

  • Confuso, aborrecido e violento demais.
22 anos. A licenciar-me em Comunicação Social e Cultural. Um futuro Jornalista de Cinema.
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