‘Death Note’ – Análise ao Filme

User Rating: 5.5

Death Note é um dos animes mais conhecidos em todo o mundo, tendo sido já adaptado para o cinema japonês (formato live-action) em 2006. A adaptação americana está a cargo de Adam Wingard (realizador de filmes como Blair Witch e You’re Next) e estreia já dia 25. A pergunta que está na cabeça de todos os fãs: fará esta nova adaptação justiça ao material original? Bem, nem por isso.

É sabido que uma adaptação para cinema vai sempre deixar muita matéria de fora. O anime tem imensos twists, reviravoltas, plot lines, enfim, muita coisa própria de uma duração bem mais extensa que uma hora e meia, por isso a longa-metragem é obviamente incapaz de alguma vez conseguir espremer todo o sumo que a série original tem. No entanto, mesmo que não tenham seguido uma cópia beat-by-beat (como foi feito com o Watchmen, em 2009) do anime, muita coisa ficou por ser abordada, já que este filme é totalmente vocacionado para um género específico, em vez de ter a personalidade própria (e tão original) da narrativa japonesa. Tudo aqui foi banalizado, quase como se a própria vida lhe tivesse sido retirada. Com isto não quero dizer que é um totalmente mau filme; a premissa é seguida, a ação desenvolve-se de forma fluída, a fotografia e a banda sonora são boas o suficiente para prenderem a atenção. Contudo, Death Note não tem sequer metade da inteligência da série original.

Muitas coisas estão erradas no filme e uma delas é a falta de subtileza. Existe uma cena em que Kira e a namorada falam sobre o caderno a alto e bom som pela escola toda; se os alunos não fossem personagens básicas, certamente teriam desvendado ali mesmo sobre a verdadeira identidade de Kira. Para além disso, o filme também peca por ter uma duração tão curta – pouco mais de noventa minutos -, o que resulta num clímax fraco, uma vez que o ambiente de tensão não teve tempo suficiente para crescer em toda a sua plenitude, fazendo com que tudo se desenvolva demasiado rapidamente entre Kira e L, o seu antagonista.

A banda sonora, por outro lado, é bastante boa. Outra coisa não seria de esperar, uma vez que esteve a cargo de Atticus Ross (colaborador de Trent Reznor nas bandas sonoras dos filmes de David Fincher) e Leopold Ross. Visualmente, o filme também é bom – Wingard estiliza tudo ao seu gosto e isso resulta num look particularmente interessante, sendo ao mesmo tempo próximo da banda-desenhada mas também de um aspecto cinematográfico que dá gosto observar; a violência é bem realizada e filmada, preenchendo assim a quota pedida pelos fãs mais próximos do terror, ainda que esta destoe um pouco da série original, bem mais reservada em termos de gore.

Willem Dafoe tem uma boa performance enquanto Ryuk, ainda que a personagem não tenha sido tão bem explorada como merecia. O monstro tem um lado bem mais maluco e matreiro, na série original, e teria sido interessante ver essa faceta no filme, uma vez que é um mecanismo que contribuía para a temática geral do filme. Em vez disso, Ryuk é reduzido a um (muito bem) maquilhado monstro que se ri de vez em quando.

Este filme não tem metade da inteligência da série, a dinâmica das personagens não está tão bem explorada, há uma lacuna enorme em relação a todos os twists e reviravoltas. Ou seja, não tem grande parte dos elementos responsáveis pelo sucesso da narrativa japonesa. Bem ao estilo da adaptação de Ghost in the Shell para o cinema americano, o que foi feito neste filme passou por uma banalização dos conteúdos mais filosóficos e interessantes da série original – o que significa interpretar o papel de Deus? -, e deu lugar a um filme com a sua própria personalidade, um pouco não tão colada da fonte do material original e mais próxima de um filme de género, com tudo o que isso (de mal) implica. Pegar no material original e adaptá-lo de forma sensível era uma tarefa incrivelmente desafiante, se não mesmo quase impossível. Expectativas à parte, este filme não conseguiu chegar à superfície de todo o fenómeno internacional que é o Death Note.

5.5
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Escrito Por
Com a escrita e a música em plano de fundo desde pequeno, e sendo licenciado em Argumento pela ESTC e autodidata musical por natureza, ambiciona escrever filmes, séries, e compôr música para cinema.

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