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Passatempo Antestreia – ‘Este Coração Traiçoeiro’

O  8.5Bits e a Pris Audiovisuais têm para te oferecer a possibilidade de assistires à antestreia do filme ‘Este Coração Traiçoeiro‘.

VENCEDORES

LISBOA
Ana Cristina Tavares de Sá Cerqueira Afonso
Ana Rita Gonçalves Dias Gil
Andreia Filipa Vieira da Silva
Fabio Haroldo Tavares Fonseca Dantas
Joana Cristina Pampulim Figueiredo
João Lourenço Vicente Galhofa
Luís MIguel de Freitas Barradas
Maria Assunção Videira
Maria Gabriela Martins Mendes
Maria Matos Martins

PORTO
Álvaro Júlio de Sousa da Silva
Ana Rita Aires Cardoso
Isabel Cristina Martins Teixeira
Márcia Sofia Laranjeira Madureira
Marta Luísa Carranca Neves

Filme sensação na Alemanha com mais de dois milhões de espectadores.

Baseado no “bestseller” de Lars Amend e Daniel Meyer, “Este Coração Traiçoeiro” é inspirado numa história verdadeira de alegria e esperança, de sonhos e de uma intensa amizade.

Quando Lenny, o jovem de 30 anos, de familias abastadas, tem forçosamente que cuidar de um adolescente de 15 anos que sofre de uma rara doença cardíaca, inicia-se entre ambos uma aventura maravilhosa. Lenny, destemidamente, quebra todas as regras para satisfazer os sonhos do seu jovem amigo que está com a vida suspensa.

“Este Coração Traiçoeiro” é realizado por Marc Rothemund (“Sophie Scholl – Os Últimos Dias”) e protagonizado por Elyas M´Barek (“A Onda”), Philip Schwarz e Nadine Wrietz.

Temos 15 convites para a antestreia:

10 convites duplos
Lisboa – Cinema NOS, Avaláxia – Dia 14 de Novembro, às 21:30h

5 convites duplos
Porto – Cinema NOS, Alameda Shop & Spot – Dia 14 de Novembro, às 21:30h

Podes participar até às 23:59h de dia 13 de Novembro.

Para participares só tens de
-Preencher o formulário abaixo
-Partilhar publicamente esta publicação:

-Fazeres like à página do 8.5Bits (caso não o tenhas feito antes)

Verifica as regras do passatempo aqui: http://8dot5bits.com/regulamentos/

PASSATEMPO TERMINADO

NO CINEMA A 15 DE NOVEMBRO

O envio da listagem de vencedores para os cinemas é da responsabilidade do distribuidor do filme sendo o 8.5Bits apenas promotor do passatempo. 
Em situações extraordinárias, os vencedores poderão contactar-nos via mensagem privada no Facebook.

Passatempo Antestreia – ‘Viúvas’

8.5Bits, a Big Picture Films e a 20th Century Fox Portugal têm para te oferecer a possibilidade de assistires à antestreia do filme ‘Viúvas‘.

VENCEDORES

 

LISBOA

Ana Filipa Marques Encarnação

Ana Flávia Velez Peixe

Andreia Cristina Pereira de Sande e Castro

Helena Sofia dos Santos von Hafe

João Gonçalo Martins Neves Pereira

Lídia Priscila da Silva Ferreira Farinha

Soraia Maria Soares Amarelinho

Susana Andreia Antunes da Costa

Tiago Miguel Oliveira Brandão

Vanda Cristina Seabra Teixeira

 

PORTO

André da Silva Gouveia

Claudia Franco Rodrigues

Cláudia Sofia Faia Miranda Ferreira

Daniel Augusto Coelho Saião

Diana Isabel Ferreira de Pinho

Dino Miguel Pereira Fernandes

Michel Correia Brandão

Raquel Wilson Tavares Montenegro

Renato Maickel Pereira da Silva

Vânia Catarina Pereira Ribeiro

Do galardoado Steve McQueen (Vencedor do Oscar® com “12 Anos Escravo”) e da autora do best-seller “Em Parte Incerta” Gillian Flynn, chega-nos um thriller intenso com o pano de fundo do crime, paixão e corrupção. “Viúvas” conta a história de quatro mulheres sem nada em comum, exceto uma dívida deixada  pelas  atividades  criminosas  dos  seus  maridos  falecidos.  Em  plena  Chicago,  no  meio  do tumulto,  as  tensões  aumentam  quando  Veronica  (Viola  Davis),  Alice  (Elizabeth  Debicki),  Linda (Michelle  Rodriguez)  e  Belle  (Cynthia  Erivo)  assumem  o  destino  nas  suas  próprias  mãos  e  planeiam construir o seu futuro nos seus próprios termos. “Viúvas” é também protagonizado por Liam Neeson, Colin Farrell, Robert Duvall, Daniel Kaluuya, Lukas Haas e Brian Tyree Henry.

Título Original: Widows
Género: Crime/Drama
Realização: Steve McQueen
Elenco: Michelle Rodriguez, Jon Bernthal, Liam Neeson, Colin Farrell, Viola Davis
Data de Estreia: 15 de Novembro de 2018

Temos 20 convites para a antestreia:

10 convites duplos
Lisboa –Cinema UCI, El Corte Inglés – Dia 14 de Novembro, às 21:30h

10 convites duplos
Porto –Cinema UCI, Arrábida Shopping– Dia 14 de Novembro, às 21:30h

Podes participar até às 23:59h de dia 13 de Novembro.

Para participares só tens de:

-Preencher o formulário abaixo
-Partilhar publicamente esta publicação:

-Fazeres like à página do 8.5Bits (caso não o tenhas feito antes)

Verifica as regras do passatempo aqui: http://8dot5bits.com/regulamentos/

PASSATEMPO TERMINADO

NO CINEMA A 15 DE NOVEMBRO

O envio da listagem de vencedores para os cinemas é da responsabilidade do distribuidor do filme sendo o 8.5Bits apenas promotor do passatempo. 
Em situações extraordinárias, os vencedores poderão contactar-nos via mensagem privada no Facebook.

‘Desbobinar’: O Engenho da Inspiração

Foi anunciado no mês passado o próximo projeto de Luca Guadagnino. O cineasta italiano, também responsável pela adaptação de Call Me By Your Name ao cinema, vai realizar um filme baseado no disco Blood On The Tracks de Bob Dylan, lançado em 1975. Trata-se do primeiro álbum musical a ser dramatizado para o grande ecrã e um exemplo de como a inspiração cinematográfica não encontra limites.

Ora, é precisamente a partir dessa notícia que o ‘Desbobinar’ de novembro vai procurar desconstruir o modo como as ideias podem surgir aos cinéfilos. O conteúdo de um bom filme precisa de estar bem assente numa premissa sólida e fortemente articulada com os tópicos a abordar, formando uma aliança com as características e motivações das personagens. O modo como todos esses elementos se interligam depende muito da capacidade criativa do autor quando desenha um universo próprio, ou da forma como interpreta um fator externo que o ajude a concretizar o argumento e guião. Comummente, associamos adaptações de livros ou encenações biográficas à intertextualidade do cinema. Contudo, existe um variado conjunto de fatores por explorar na criação de arte. Seja uma carta que recebemos no correio, um simples poema ou um acontecimento marcante da vida pessoal, a natureza inspiracional não tem limites de validade para ser transposta para o grande ecrã.

Aproveito o preâmbulo do artigo para referir as adaptações de discos. A potencialidade de adaptação é enorme. Cada música representa uma cena diferente, a leveza ou tensão são medidas pelos acordes e a panóplia de emoções são exploradas pela mistura instrumental. Por exemplo, The Wall dos Pink Floyd, acompanha uma personagem que Roger Waters baseou em si próprio. Somos levados a acompanhar um rapaz pela sua infância penosa e adolescência sufocante que o levam a refugiar-se no rock ‘n’ roll, já em adulto, que culmina com o seu isolamento da sociedade. Um álbum bastante introspetivo cujos ricos temas sensíveis sobre a fragilidade humana e a sua condição precária permitem semear um filme com uma montanha-russa de emoções. Aliás, caso fosse bem planeado e executado, só a abordagem temática possibilitaria piscar o olho a uma eventual estatueta dourada.

The Rise and Fall of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars, de David Bowie, apesar de ter sido convertido num documentário no final dos anos 70, é outro exemplo válido, a par do recente Tranquility Base Hotel & Casino, dos Arctic Monkeys. Podemos afirmar que este último se inspirou nos conceitos e sons do primeiro para narrar uma visão mais matura da banda de Sheffield sobre a modernidade. Quem ouve o lirismo de Alex Turner embarca numa aventura na lua em que cada uma das onzes composições formam capítulos de antologia sobre um escape ao consumismo, fama e religião, por exemplo. No futuro, seria interessante abordar os tópicos do álbum numa minissérie de ficção científica comandadas pelo mais ponderado sotaque de Yorkshire.

Todavia, não passam de sugestões e um reflexo de um desejo pessoal. Há, por outro lado, outras fontes de inspiração fora do universo musical que já mereceram a deslocação para o grande ecrã. Os poemas, pela riqueza simbólica que lhes é característica e o modo como enaltecem o heroísmo, em certos casos, revelam grande potencial para tal. Braveheart ilustra este caso, cuja narrativa dos atos heróicos do guerreiro escocês William Wallace é inspirada num poema épico escrito por Blind Harry, no século XIV. Prova que um conjunto de estrofes tem conteúdo suficiente para poder realizar um filme repleto de ação entreter a audiência durante quase três horas, bastando para tal desconstruir o raciocínio dos autores. Um simples tema também é suficiente para poder inspirar um autor e conduzi-lo à apoteose da crítica. Veja-se Vince Gilligan, que recorreu ao simbolismo do poema Ozymandias, de Percy Bysshe Shelley, para metaforizar o colapso do império de Walter White. Não só ofereceu mais relevo à personagem, como também permitiu abrir caminho para o final desejado de Breaking Bad. Prova que as simples figuras de estilo podem ter tanto ou mais peso que a presença de uma personalidade real ou fictícia numa narrativa.

Além dos poemas, há que ter em conta a estrutura prosaica, não dos livros, mas de artigos de jornais ou revistas. Não é obrigatório uma adaptação cingir-se a um número ínfimo de páginas. O seu conteúdo pode ser formal e redigido em menos de cinco laudas. O enredo do filme Live Free or Die Hard, da saga protagonizada por Bruce Willis, foi inspirado num artigo de John Carlin para a Wired sobre a guerra cibernética. Mesmo com um vasto leque de personagens definidas e desenvolvidas, os produtores de Die Hard não se limitaram à originalidade das suas ideias para introduzir um conceito novo ao franchise. War Dogs adaptou um artigo de Guy Lawson publicado na Rolling Stone, para pormenorizar os esquemas de Efraim Diveroli (Jonah Hill) e David Packouz (Miles Teller). A aventura dos dois jovens traficantes de armas que celebram um contrato para fornecer armas ao exército afegão foi altamente ficcionada e alguns elementos foram influenciados por experiências pessoais do guionista, Stephen Chin. Ainda assim, o enredo teve o seu núcleo essencial no editorial de Lawson.

Para concluir, apresento Frank, o caso mais singular deste texto. A inspiração para o filme transcende a qualquer um dos mencionados anteriormente. Um dos argumentistas, Jon Ronson, baseou-se na personagem Frank Sidebottom, criada pelo humorista Chris Sievey, com o qual fizera parte de uma banda, para dar vida ao protagonista da narrativa. Com as devidas adaptações, concebeu uma estória tocante que combina a sua experiência enquanto músico e as vivências com o peculiar indivíduo que usava uma cabeça de papel-machê. A personagem Frank, interpretada por Michael Fassbender, é uma variação da celebrizada por Sievey, e não centra em si um efeito cómico. Acaba por servir de alerta para uma condição sensível que não deve ser menosprezada pela sociedade, que deve ter a obrigação de prestar o auxílio necessário a quem padece de doenças mentais.

A inspiração pode tardar em surgir, especialmente quando temos uma pletora de ideias que nos impede de colher frutos inventivos. Porém, quando esta floresce, apercebemo-nos que existem diversas maneiras de conceber um objeto criativo a partir de inúmeras fontes que ajudam à verossimilidade da narrativa, bem como à mensagem a transmitir. O mercado dos álbuns musicais como meio de formulação de filmes ainda se encontra numa fase embrionária. Mas, como vimos, a temática é rica e o seu material simbólico também fortalece o seu potencial. Caso a adaptação do disco de Bob Dylan seja um sucesso, podemos testemunhar uma revolução no que diz respeito à transposição de material para o cinema.

Análise a “Operação Overlord”

Operação Overlord” eleva as horríveis experiências feitas durante o Holocausto a novas proporções , utiliza no cenário do desembarque na Normandia e tornando-o num massacre com zombies Nazis. Julius Avery alia-se a um elenco jovem para criar um filme que à partida pode parecer apenas para fãs de horror, mas que facilmente atinge um público mais vasto.

O elenco jovem apresenta clara quimica e talento, apesar de não existir grande profundidade nas personagens e os protagonistas não fugirem ao cliché de filmes de guerra, onde encontramos o soldado Boyce (Jovan Adepo), militar apenas há 3 meses, é inocente e puro; Ford (Wyatt Russell) encarnando o clássico badass que fará tudo para assegurar o sucesso da missão.

Acompanhamos o soldado Boyce, na sua primeira missão onde é encarregue de destruir uma antena que os Alemães tinham instalado no topo de uma igreja, com o intuito de impossibilitar o suporte aéreo para o Dia D. O filme começa na noite antes do acontecimento histórico, no avião, onde a camera foca os jovens paraquedistas claramente nervosos enquanto sobrevoam território inimigo. Até que o avião é destruido por fogo cerrado antes que alguém consiga saltar de paraquedas. Quando finalmente atingem o chão a maioria dos militares já tinham morrido, os sobreviventes seguem para a vila onde são acolhidos por Chloe (Mathilde Ollivier), uma rebelde francesa que é forçada a envolver-se sexualmente com um oficial Nazi para manter a sua casa.

Quando finalmente os protagonistas chegam à igreja descobrem que a sua missão não seria tão simples como esperavam, ao descobrir que os Nazis desenvolveram um quimico capaz de reanimar cadaveres e coloca-los a lutar sob seu controlo.

“Operação Overlord” consegue criar uma mistura de “Saving Private Ryan” e “28 Days Later” e ter sucesso ao fazê-lo, inicialmente, até nos esquecemos que estamos prester a assistir uma carnificina Zombie. O filme é repleto de cenas violentas e extremamente gory, com o tipico jump scare ao qual tão bem estamos habituados, conseguindo mesmo assim proporcionar algumas gargalhadas, algumas mais propositadas que outras.

É um filme que merece ser visto, com o espirito adequado, pois é algo que se deve saber para o que se vai.

Rating:7.4

Teste a ‘Déraciné’

Déraciné é o título de estreia na Realidade Virtual do director da FromSoftware, Hidetaka Miyazaki, e da própria FromSoftware. Para quem não conhece, Hidetaka Miyazaki é um dos nomes associados ao mais que conhecido Bloodborne. Em Déraciné, os jogadores controlam um espírito num colégio interno, num mundo onde o tempo pode parar, e no qual vamos tentar resolver um mistério através dos fragmentos de informação que apanhamos. A história desenrola-se aos poucos, fragmentada, sem um aparente fio condutor, mas à medida que avançamos esta vai-se formando, apesar de não ser nada do outro mundo, mas é suficientemente interessante para nos querer fazer chegar ao final. Não vamos estragar algumas das surpresas que vos aguardam, mas ao completar a jornada sentimos um misto de sensação de dever cumprido e vontade que o jogo continuasse, acima de tudo porque é bastante curto e limitado ao cenário do colégio.

Déraciné é, na sua essência, um jogo de aventuras, na linha das clássicas aventuras gráficas, mas com recurso à Realidade Virtual e aos controlos PS Move, um requisito obrigatório deste jogo, que em muito contribuem para a sensação de imersão, embora sem deixarem de trazer os problemas associados à jogabilidade aos que, infelizmente, já nos vamos habituando quando falamos de jogos para o PSVR com este tipo de controlo, que em nada contribui para a fluidez da ação em jogos mais rápidos. Afortunadamente, não estamos perante um título de ação, mas sim perante uma aventura pausada e na qual queremos perder algum tempo para observar tudo o que nos rodeia, pelo que o uso do PS Move é o mais adequado. Com um comando Move em cada mão, iremos controlar as mãos do espírito que controlamos, interagindo com os objetos no cenário, assim como com os nossos anéis, um em cada mão, com funções diferentes que aprenderemos durante o tutorial.

Graficamente, estamos perante um jogo que aproveita bem as já parcas capacidades da PS4, pois ao ser pausado e em espaços fechados permite um detalhe bastante satisfatório ao nível dos cenários e objetos com que interagimos. A música poderia ser mais elaborada, pois limita-se a melodias muito semelhantes entre si, sempre em violino, que são, no entanto, adequadas à atmosfera que se pretende transmitir. Já as vozes, completamente em português, são muito agradáveis de ouvir, apesar de ser aconselhável ligar as legendas, para que melhor se compreendam todas as mensagens. A banda sonora, essa sim, poderia ser bem melhor: estamos perante uma série de melodias tocadas em violino, muito adequadas à atmosfera que se pretende transmitir, mas são, sem dúvida, monocórdicas, e ao fim de pouco tempo tornam-se tão agradáveis como o som de um martelo pneumático.

Gostaríamos de dizer que estamos perante um título que vem revolucionar os jogos em Realidade Virtual. Gostaríamos de dizer que Déraciné é um título obrigatório. Gostaríamos, mas não o podemos fazer. Não nos interpretem mal, Déraciné é um bom videojogo, uma boa aventura gráfica, nota-se que foi feito com carinho e com a vontade de nos fazer viver uma experiência diferente, original, que nos cause impacto a nível emocional, e consegue-o a espaços. No entanto, tendo em conta a sua curta duração, a falta de variedade nos cenários e na música, e a falta de alguma substância a nível de conteúdo em geral, estamos perante apenas mais um entre tantos pequenos jogos para o PSVR, o que é pena, pois Déraciné tem boas ideias e teria potencial para se destacar. No seu estado, é uma boa aventura, mas só isso…

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

Análise a ‘Bohemian Rhapsody’

A ideia de trazer até ao grande ecrã a história de vida de Freddie Mercury, o carismático vocalista dos Queen, já circulava por Hollywood há vários anos. O inglês Sacha Baron Cohen começou por ser a primeira escolha para interpretar Mercury mas “diferenças criativas” com os membros reais da banda, Brian May e Roger Taylor (que integraram o projecto como produtores musicais executivos) levaram à sua saída. Cohen pretenderia que o filme fosse apenas focado no líder da banda, ignorando os outros membros ao passo que May e Taylor tinham em mente o foco em todos os membros e a forma como a banda sobreviveu à morte prematura do seu vocalista. Nem uma nem outra das vontades prevaleceu e ‘Bohemian Rhapsody’ acabou por arrancar situando-se algo no meio, não se focando estritamente em Mercury mas também retratando apenas o período desde a formação da banda até à actuação estrondosa no Live Aid, em 1985. No entanto, e tal como a vida do cantor dos Queen, a sua produção não ficou imune a polémicas. O realizador Bryan Singer foi despedido pela 20th Century Fox antes do fim da rodagem pelas suas ausências prolongadas das filmagens e por violentas discussões com Rami Malek, actor escolhido para encarnar Freddie Mercury. Dexter Fletcher foi o escolhido para finalizar os dezasseis dias de filmagem restantes e a pós-produção mas Singer acabou por ser creditado como único realizador por indicação do sindicato de realizadores americanos.

Farrokh Bulsara (Rami Malek), um jovem nascido em Zanzibar e de ascendência parse, conhece Brian May (Gwilym Lee) e Roger Taylor (Ben Hardy), respectivamente guitarrista e baterista da banda Smile, que acabara de perder o seu vocalista. Juntamente com o baixista John Deacon (Joseph Mazzello), Bulsara entra para a banda, renomeada Queen, e altera o seu nome artístico para Freddie Mercury. A banda rapidamente regista uma ascensão brutal através das suas canções icónicas e som revolucionário. Contudo, a fama, o reconhecimento internacional e mesmo a sobrevivência da banda são postas em causa devido ao estilo de vida corrosivo de Mercury. A reunião triunfante acontece na véspera do evento musical de caridade Live Aid, onde Mercury, lutando contra uma doença mortal, guia a banda por uma das maiores actuações da história do rock.

Is this the real life? Is this just fantasy? É com estes dois versos em forma de pergunta que começa ‘Bohemian Rhapsody’, canção célebre dos Queen que dá nome a este filme. Entre optar por um retrato fiel da época e dos acontecimentos ou uma abordagem mais fantasiada dos mesmos, o argumento de Anthony McCarten e Peter Morgan escolhe, claramente, a primeira opção. É claro que há lugar a alguma ficção e a alguns anacronismos grosseiros (por exemplo, Mercury não foi diagnosticado como portador do síndrome VIH antes de 1987) mas que não impedem o bom desenvolvimento da narrativa. Uma das razões para a falta de alguma liberdade criativa prende-se também com o facto de, para além dos já referidos contributos dos membros originais da banda em actividade, May e Taylor (John Deacon retirou-se em 1997), o filme é produzido por Jim Beach, advogado e empresário de longa data da banda, o que garante uma certa fidelidade dos factos narrados. Isto acaba por impedir um rasgo de criatividade na narrativa e que verdadeiramente surpreenda o espectador.

Este não é um biopic clássico no sentido de filme biográfico que acompanha a banda desde a sua formação até ao fim, até porque os Queen ainda se mantêm em actividade (com Adam Lambert como vocalista). Opta por uma lógica de “ascensão, queda e reerguer” e por cobrir um determinado período e depois “salta” entre datas, uma característica dos filmes de Singer e que aqui resulta nos referidos anacronismos. Comparando com outra banda que tinha um vocalista “maior que a vida” como os ‘The Doors’ e o seu biopic realizado por Oliver Stone, Singer não explora muito a psique de Mercury como Stone o fez com Jim Morrison fora da sua banda, o que teria sido interessante. Muito do comportamento errático e perigoso de Morrison acontecia em palco, ao passo que Mercury era extravagante mas extremamente profissional e possivelmente o maior front man de sempre a interagir com o público. Faltou explorar melhor a mente de Mercury e como encarava os seus relacionamentos bissexuais com Mary Austin, Paul Prenter ou Jim Hutton e a ligação entre o homem nascido Farrokh Bulsara e a sua persona de palco.

Rami Malek, actor norte-americano de ascendência egípcia (conhecido principalmente pelo papel de Elliot Alderson na série ‘Mr. Robot’) tem uma notável interpretação como Mercury. É certo que não é a sua voz que ouvimos nas canções (isso ficou a cargo do cantor canadiano Marc Martel, que detém um tom de voz parecido com Freddie e por gravações do próprio) mas Malek conseguiu capturar bem os maneirismos, movimentos e energia em palco do ícone musical. Todos os restantes membros da banda têm interpretações sólidas mas sem muito espaço a brilhar, em contraste com a personagem de Malek. Uma palavra ainda para Lucy Boynton, segura no papel de Mary Austin, “o amor da vida” de Mercury e para Aaron McCusker, competente nas poucas cenas como Jim Hutton, o companheiro de vários anos até à morte do artista.

‘Bohemian Rhapsody’ funciona como uma celebração firme dos Queen, da sua música e do seu extraordinário vocalista Freddie Mercury, que desafiou estereótipos e quebrou as convenções para se tornar um dos artistas mais amados do mundo. Os problemas de produção que o filme enfrentou estão à vista no resultado final, com uma montagem desequilibrada e que alterna entre cenas interessantes cortadas algo abruptamente e outras potencialmente supérfluas que se arrastam e por ter, por vezes, um tom algo morno e moralista de homenagem à banda e condenação gratuita de comportamentos desviantes do seu vocalista. O final é o ponto alto do filme, com a apoteótica prestação no Live Aid recriada ao pormenor. Foi, efectivamente, a primeira cena a ser rodada (antes dos problemas começarem) e o cenário do antigo estádio de Wembley foi, inclusive, o maior de sempre para um filme de Bryan Singer (que, recorde-se, rodou vários da saga ‘X-Men’). A energia em palco do quarteto e a interacção de Mercury com 72,000 pessoas ao vivo, incluindo o momento à capela depois de ‘Radio Ga Ga’ que ficou conhecido como “a nota ouvida em todo o mundo” é um marco emocionante na espécie de” filme-concerto” que fecha a película. Também isto é cinema.

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