“Emoji: O Filme” – Análise ao Filme

Não há razão nenhuma para este filme existir. Numa época em que os filmes de animação são cada vez mais sofisticados (para além da consistência da Pixar, The Lego Movie foi um passo certeiro neste mundo cinematográfico), Emoji: O Filme surge como uma desculpa esfarrapada para o product placement mais descarado do ano – o filme é um anúncio gigante sem fim. YouTube, Candy Crush, Dropbox,… todas as apps funcionam como plot points importantes, numa espécie de tentativa de hipnotizar a audiência a consumir esses produtos..

O protagonista é um emoji que está sempre aborrecido com tudo e mais alguma coisa, mas o grande twist é que quem fica aborrecido acaba por ser o espetador. Este nem o Shyamalan conseguiria fazer. Mas passemos à história propriamente dita. O filme passa-se dentro do smartphone de um jovem, onde os emojis – seres que possuem apenas uma única emoção – vivem numa cidade (que se assemelha demasiado à Metropolis, do Monstros e Companhia). Se isto já não é a antevisão de um festival de aborrecimento, certamente todas as tentativas de tornarem os emojis interessantes contribuirão para isso. A história enfatiza (ou tenta enfatizar, melhor dizendo) a importância de sermos verdadeiros a nós próprios, bem como o valor da honestidade e do trabalho de equipa. Tudo isto com emojis falantes. O problema é que a Sony depositou toda a confiança nestes bonequinhos supostamente queridos mas que de interessante têm muito pouco; a monotonia apodera-se de todo o filme ainda nos primeiros cinco minutos.

Para além de toda a incoerência narrativa, o filme nem sabe para quem é que foi feito. Se as piadas básicas e a narrativa simples parecem ser catapultadas para uma audiência infanto-juvenil, o simples facto de se tratarem de emojis já implica um público mais velho, uma vez que as crianças pequenas ainda não ligam a esse novo alfabeto. O filme embarca numa demanda gigante para mostrar o quão necessário é expressarmo-nos tal como nos sentimos, mas acaba por falhar redondamente porque todos os seus esforços revelam-se verdadeiros clichês, lugares comuns e, em quase todos os casos, maus pedaços de história. O design dos bonecos e as cores vivas que pairam a toda a hora são uma boa mas  basicamente mal-sucedida tentativa em camuflar que o filme só existe por causa da publicidade a imensos produtos do smartphone.

Imagino que a versão original tenha mais piada, ou pelo menos o emoji do cocó, mais que não seja por ter a voz de Sir Patrick Stewart. Ainda assim, a versão portuguesa faz um trabalho competente mas que acaba por não salvar o filme (tarefa impossível essa). Qualquer uma das personagens é má, mas a personagem da emoji hacker é tão mal concebida que se torna risível; a certa altura ela proclama pelos direitos das mulheres, sem razão aparente para o fazer, apenas ser um assunto que está na berra e que irá com certeza garantir palmas silenciosas.

O filme custou 50 milhões de dólares para ser feito mas demorou uma eternidade inteira para conseguir aguentá-lo até ao fim. A fasquia está alta para os próximos projetos da Sony, já que acabaram de fazer o filme mais desnecessário dos últimos tempos. Aqui está um filme que implora pelo dinheiro dos espetadores de forma totalmente desavergonhada. Só este facto merecia um pelotão de emojis de cocó.

2
Mau
Escrito Por
Com a escrita e a música em plano de fundo desde pequeno, e sendo licenciado em Argumento pela ESTC e autodidata musical por natureza, ambiciona escrever filmes, séries, e compôr música para cinema.

Esta análise foi-te últil?

1 0

Deixa o teu Comentário

Recuperar a Password

Escreve o teu nome de utilizador ou e-mail. Vais receber um link para criares uma nova password na tua caixa de correio electrónico.

Registar