Guns N’ Roses – Passeio Marítimo de Algés (02/06/2017)

Depois de 25 anos de espera, a “banda mais perigosa do mundo” finalmente regressou a Portugal. Ainda que dois dos membros da formação original não tenham marcado presença no Passeio Marítimo de Algés, Axl Rose, Slash e Duff McKagan conseguiram voltar atrás no tempo e fazer com que a nostalgia de quase 60 mil fãs fosse totalmente saciada.

A história da separação da banda é mais que sabida, a produção do “Chinese Democracy” – o álbum editado em 2008, cujo único membro original é Axl Rose – é ainda mais conhecida, por isso é natural que este concerto tenha sido tão antecipado e faça já parte de uma das tours mais rentáveis dos últimos anos.

Depois das intermináveis filas para entrar no recinto e da espera até à primeira banda de abertura, Tyler Bryant & The Shakedown abriram as festividades às sete da tarde, cumprindo a sua tarefa de aquecer o público para o evento principal da noite. Infelizmente, a banda que veio a seguir, Mark Lanegan Band, pouco fez para tentar acalorar o público, tendo feito uma atuação muito morna e que não fazia jus à banda icónica que viria a seguir.

Banda essa que, como não podia deixar de ser, se atrasou quinze minutos perante o horário que estava estabelecido. Mas nem ninguém queria uns Guns N’ Roses totalmente pontuais – perdia-se a mística rebelde. Assim, às nove da noite em ponto, e depois da clássica música dos Looney Tunes ter posto a fervilhar de ansiedade todos os fãs que esperaram tantos e tantos anos por este momento, o palco foi assaltado por uma energia brutal e com níveis de adrenalina que raramente baixaram durante o concerto.

Se ainda restavam dúvidas sobre a química e a energia dos Guns N’ Roses, essas foram totalmente dissipadas logo na música que abriu o concerto – “It’s So Easy”. De facto tudo pareceu fácil para aquela que outrora foi a maior banda de rock do início dos anos 90; partilhavam finalmente o palco, tantos anos depois, e fizeram-no com a maior das facilidades, como se nunca se tivessem separado. A seguir a essa veio “Mr. Brownstone”, “Welcome to the Jungle”, “Estranged”, enfim, eram euforias atrás de euforias, deixando o público sem conseguir estar quieto. Os clássicos não faltaram, desde “Nightrain” até “Knockin’ On Heaven’s Door”, e até algumas covers foram tocadas, passando pelas melodias da “Wish You Were Here” dos Pink Floyd ou “Whole Lotta Rosie” dos AC/DC, e claro, como não poderia deixar de ser, o famoso solo de Slash sobre a música d’O Padrinho.

A noite foi épica, no verdadeiro sentido da palavra. Houve pirotecnia, confettis, adrenalina de sobra e também muitos momentos mais calmos e onde o público pôde mostrar o quão bem decoradas estavam as letras da discografia da banda de Axl e Slash. Mesmo que a banda tenha exagerado na quantidade de músicas que tocou do seu álbum mais mundialmente odiado – ainda que o álbum seja bom, não têm tanta pujança ao vivo quanto as músicas do “Appetite for Destruction” ou “Use Your Illusion” – ou nas covers que acabaram por encher uns bons quinze ou vinte minutos de concerto, toda a gente saiu do Passeio Marítimo de Algés com uma enorme sensação de sonho cumprido.

Ainda que agora estejam bem mais velhos e tenham perdido a irreverência e a rebeldia que marcou os então jovens Axl, Slash e Duff, a música e o espetáculo que os os Guns N’ Roses deram foi o suficiente para que, durante quase três horas, pudéssemos fechar os olhos e viver a última grande banda do rock.

Escrito Por
Com a escrita e a música em plano de fundo desde pequeno, e sendo licenciado em Argumento pela ESTC e autodidata musical por natureza, ambiciona escrever filmes, séries, e compôr música para cinema.

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