Passatempo Antestreia – Agora Estamos Sozinhos

8.5Bits e a NOS Audiovisuais têm para te oferecer a possibilidade de assistires à antestreia do filme ‘Agora Estamos Sozinhos‘.

Del (Peter Dinklage) está sozinho no mundo. Depois da raça humana ter sido destruída, ele vive numa pequena e vazia cidade, satisfeito, na sua solidão, e com a utopia que metodicamente criou para si mesmo.

Assim é até que Del é descoberto por Grace (Elle Fanning), uma estranha com motivos e um passado obscuro. E o pior de tudo é que ela não se quer ir embora.

Realizador: Reed Morano
Elenco: Peter Dinklage, Elle Fanning, Charlotte Gainsbourg

Temos 20 convites para a antestreia:

10 convites duplos
Lisboa –Cinema NOS, Amoreiras – Dia 25 de  Setembro, às 21:30h

10 convites duplos
Porto –Cinema NOS, Alameda Shop & Spot– Dia 25 de  Setembro, às 21:30h

Podes participar até às 12h de dia 24 de Setembro.

Para participares só tens de
-Preencher o formulário abaixo
-Partilhar publicamente esta publicação:

-Fazeres like à página do 8.5Bits (caso não o tenhas feito antes)

Verifica as regras do passatempo aqui: http://8dot5bits.com/regulamentos/

NOS CINEMAS A 20 DE SETEMBRO

O envio da listagem de vencedores para os cinemas é da responsabilidade do distribuidor do filme sendo o 8.5Bits apenas promotor do passatempo. 
Em situações extraordinárias, os vencedores poderão contactar-nos via mensagem privada no Facebook.

Análise a ‘Insatiable’

Estamos no século vinte e um, e o tema do corpo da mulher está na boca do mundo. Cada vez mais encontramos filmes e séries que relatem e falem acerca daquilo que são as inseguranças de uma mulher e do seu corpo. E a série Insatiable não foge à exceção.

Estreada em agosto de 2018, a série do Netflix Insatiable, criada por Laura Gussis, tenta abordar este tema na forma de humor negro. O enredo desta história de 12 episódios, baseia-se na nossa personagem principal, Patty Bladell; uma rapariga adolescente obesa, que sofre muito bullying por parte dos colegas por ser gorda. No entanto, um dia leva um murro de um sem abrigo, que lhe parte o maxilar. Patty, passa o verão inteiro a beber líquidos enquanto o maxilar recupera, e desta forma emagrece e promete vingar-se de todos aqueles que alguma vez lhe fizeram mal unindo-se ao seu advogado Bob que promete fazer dela a vencedora de concursos de beleza.

A série em si, acaba por fugir muito ao tema do corpo. Ao contrário do que muita gente entende pelo trailer, o objetivo por parte da criadora é de criar uma série que faça as pessoas rir, independentemente dos temas que sejam mencionados serem temas sérios. Todavia, a receção da mesma não foi a melhor. A série criou muita controvérsia por parte de mulheres pelo mundo inteiro, especialmente nos Estados Unidos da América. Muitas criticaram a realizadora e a atriz que passa por Patty Bladell, Debby Rian, ao verem o trailer. Dizendo que não é correto em 2018 ainda afirmar que a única forma de uma mulher ser bem-sucedida, ou neste caso uma rapariga na sua juventude, é perder peso. E mais que isso, foi criticada pela personagem principal procurar vingança em vez de tentar sentir-se bem consigo própria e passar uma imagem positiva à audiência. Inclusive criou-se uma petição online onde mais de 100.000 mil pessoas teriam assinado para que a série fosse cancelada por ser uma série de fat-shaming (um termo muito usado hoje em dia para a ação de humilhar alguém por ser gordo, ou por fazer bullying a uma pessoa com excesso de peso; tendo como intenção fazer entender as pessoas que não é por alguém ser mais gordo que deixa de ser bonito/a ou inteligente). Em resposta, a criadora escreveu um tweet a explicar que também foi uma criança que sofreu muito pelo o seu peso, e que o objetivo é explicar os prejuízos que o bullying pode ter através da comédia.

Particularmente, entendo onde a criadora quis chegar com a série. Mas acaba por ter um guião muito oco e vazio. Mesmo quando uma pessoa pode ou não rir, nenhum episódio é 100% cómico ou tem uma linha de sentido que é percorrida do início ao fim. A série acaba por se perder pelo meio e parece que a história muda totalmente a partir de um dos episódios do fim. Não tem ligações entre os episódios e por consequente, tem muitas falhas. Não só não explora tão bem quanto podia o tema do peso; mas também perde uma grande oportunidade de pegar num tema importante, quando no início da série tem homens que independentemente de gostarem de concursos de belezas seriam heterossexuais, mas para o final da série, e spoiler alert, tinham de terminar a serem gays. O que foi uma grande deceção.  Não pelo o facto de serem gays, não me interpretem mal, mas sim porque mostra mais uma vez que um homem para ser “homem” não pode gostar de “coisas de mulher” e tem de ser sempre “másculo” nos padrões da sociedade. Sendo que a criadora poderia ter utilizado um bom exemplo como os homens podem apoiar as mulheres a fazerem-se sentir seguras de si mesma por eles mesmos estarem seguros da sua masculinidade.   A verdade é que poderia ter sido uma grande série, com boas mensagens ou com uma boa comédia, mas ficou muito há quem. A criadora não soube explorar os temas de transtornos alimentares ou a comunidade lgbtq+ quando tinha tudo para o conseguir fazer! Procurou muito falar de todos os temas que são polémicos nos dias de hoje, mas falhou completamente em qualquer um deles, porque se dispersou. Nem em termos de comédia a série conseguiu ser sádica.

Debaixo do Radar

Uma das minhas ocupações preferidas é descobrir pequenos jogos indie que nos meus olhos se podem transformar em pequenas pérolas. Bem-vindos a debaixo do radar.

 

A Semana passada deparei-me com um jogo chamado “Second Second” talvez seja um nome estranho mas ate fica debaixo da língua, feito por um estúdio recente (Sinkhole Studio).

A arte rapidamente cativou-me, aliás, acho que esse é sempre o primeiro passo para algo me chamar a atenção, não tem de ter bons gráficos, basta esta ser limpa e interessante.

A história é meramente introduzida no trailer, coisa básica de vamos salvar o mundo, mas a jogabilidade interessou-me, talvez seja suspeita porque sempre tive um fraquinho por jogos com cartas, mas este soa diferente, ao contrário de os demais o fator sorte não existe, não temos um baralho onde vamos biscar as cartas, esta tudo a nossa disposição conforme construímos. O sistema de tempo é interessante, ao que parece o tempo passa conforme as nossas jogadas, as cartas custam tempo para jogar, então acaba tudo por ser um jogo muito mais estratégico.

Com data anunciada para Outubro de 2018 no Steam (pagina ainda não existente) Second Second parece-me ainda ter alguns obstáculos pela frente, principalmente no que toca em animações, mas tem muito por onde brilhar.

 

www.playsecondsecond.com

 

 

“Project Winter” foi outro jogo que me captou a atenção recentemente, ao que me parece baseia-se em muitos jogos de tabuleiro onde temos os “bons”, e os “maus” tentam sabotar os outros.

O que destaca o “Project Winter” é ele aparentemente faze-lo num mundo aberto, com pequenos objetivos para orientar-te no teu papel. Talvez o melhor ponto de comparação para mim será o mundo de “Dont Starve Together” exceto que o teu amigo provavelmente te esta a tentar matar.

Este jogo ainda sem data anunciada parece estar ainda numa fase bastante embrionária, mas com todas as ferramentas para ser um grande jogo.

 

www.projectwinter.co

 

 

Análise a ‘The Handmaid’s Tale’ – Temporada 2

Em Abril de 2017, a Hulu estreou a primeira temporada de ‘The Handmaid’s Tale’, uma adaptação do livro de Margaret Atwood. Durante 10 episódios, ficámos a conhecer a República de Gilead, um regime totalitário cristão no qual as mulheres não têm quaisquer direitos.

O principal objectivo de Gilead passa pelo combate à taxa de natalidade e, para isso, as mulheres férteis são tornadas Servas, cuja função é, única e exclusivamente, serem engravidadas pelos Comandantes, os chefes das famílias para as quais são destacadas.

A protagonista, Offred (literalmente, Of-Fred, o nome do seu Comandante), é uma mulher que foi apanhada a tentar escapar de Gilead com o marido e a filha depois do golpe de Estado que instituiu o regime.

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ATENÇÃO: a partir daqui há spoilers das duas temporadas

A primeira temporada termina no momento em que Offred é levada pelos Olhos, os espiões de Gilead, sem saber se será detida por oposição ao Estado ou libertada – tal como acontece no livro. Aliás, a adaptação foi feita de forma bastante fiel, salvo raras excepções. Por exemplo, no livro, as personagens do Comandante e da sua Esposa, Serena, são bastante mais idosas – torna-se lógico que, com 60 anos, Serena seja incapaz de engravidar. Porém, a tensão entre Serena e Offred ganha contornos diferentes na série já que, estando ambas na casa dos 30 anos, a frustração de ver o marido recorrer a outra mulher para fazer um filho devido à sua infertilidade culmina nos maus tratos da Esposa para com a Serva.

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O facto de a segunda temporada deixar de ter o livro como base foi exactamente o que me deixou mais apreensivo, se bem que entusiasmado pela continuação de uma série que se mostrou tão poderosa.

Em Abril deste ano, a Hulu lançou os dois primeiros episódios da nova temporada e tirou-me as dúvidas: ‘The Handmaid’s Tale’ vai continuar a ser tão bom ou melhor. Os dez minutos iniciais são de cortar a respiração e preparam-nos bem para o tom que se estende pelo resto da temporada.

Quanto às novas personagens, destaco o Comandante Lawrence, um homem enigmático que desempenhou funções importantes na criação da República de Gilead e que acolhe Emily – que conhecemos na primeira temporada como Ofglen, apoiante da resistência. Só aparece nos episódios finais, mas traz consigo vários mistérios interessantes: por que razão está a sabotar um regime que ajudou a criar? O que o leva a acolher os misfits? Algo me diz que ele é gay e/ou foi castrado… mas, não menos importante, o que raio vai ele fazer com a Aunt Lydia?! Mesmo assim, a melhor das novas personagens é Eden.

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Eden exemplifica a mestria dos escritores da série em construir personagens. Tem tantas camadas que, mesmo que a odiemos de cada vez que surge no ecrã, não deixamos de ficar desolados com o seu destino. Sobretudo, Eden é a representação do fanatismo religioso e de como isso acaba por destruí-la, ainda que o facto de quebrar as regras não a faça desacreditar nos ideais de Gilead – é essa uma das facetas doentias de ‘The Handmaid’s Tale’.

Mas as personagens do elenco original não são descuradas. O passado de Emily e de Moira, por exemplo, é explorado durante alguns episódios, ainda que a coisa saiba a pouco. No entanto, o grande destaque para o character development da temporada vai para Serena, que torna Yvonne Strahovski uma das fortes candidatas ao Emmy de Melhor Actriz Secundária numa Série Dramática deste ano.

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Não só ficamos a conhecer um pouco do passado de Serena – nomeadamente, a origem da sua infertilidade e a campanha que construiu para ajudar a erguer Gilead – como a vemos impor-se perante o marido e o regime, sentindo-se oprimida pelos ideais que antes defendera. Em 13 episódios, Serena é uma supremacista louca, uma mãe angustiada, uma mulher revoltada e um monte de cacos que previamente construíam uma pessoa – tudo isto escrito com a maior coerência. Também a relação de Serena com Offred toma contornos mais rebuscados: a Serva passa de ser tida como persona non grata para o ai-jesus da Esposa. Tanto se tornam aliadas quanto se provocam uma à outra.

Elizabeth Moss, por sua vez, mantém-se impecável no papel principal (aquela cena do parto… corre lá novamente para o Emmy e para o Globo, vá). A sua prestação, acima de tudo, fica marcada pelas expressões faciais e pela forma como domina os close-ups, representando o isolamento de Offred perante tudo o que a rodeia. E ela é matreira, mesmo! Todos os olhares directos para a câmara mostram não só como está a desafiar o regime e as restantes personagens mas (especialmente!) como nos desafia a nós, espectadores.

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De facto, o investimento na cinematografia atinge o seu pico nesta temporada, vivendo sobretudo dos primeiros planos e dos planos abertos, mais gerais. ‘The Handmaid’s Tale’ não é só uma série visualmente bonita; é uma série cujos planos, cada um deles, transmitem uma tensão gigante.

Destaco a cena inicial do sétimo episódio (essa mesmo, a do funeral), que usa e abusa dos planos abertos para mostrar a imponência de Gilead perante as Servas, minúsculas, que caminham pelo cemitério coberto de neve. Este cenário invernoso prolonga-se durante toda a série. Durante os nove meses de gravidez de Offred, toda Gilead está coberta de neve, o que é um indicador óbvio de que, também simbolicamente, o inverno permanece. Só a queda do regime poderá trazer de volta a luz.

O final foi um tanto ou quanto descabido, sejamos sinceros, e alguns monólogos em voz-off de Offred no início da temporada pareceram-me demasiado embelezados, quase como que uma tentativa de os tornar literários – para aproximá-los aos do livro, talvez? Ainda assim, deste lado, permanece o entusiasmo para ver como Offred se vai safar na terceira temporada, já anunciada pela Hulu.

Blessed be the fruit.

Análise a ‘O Predador’

 

O Predador está de volta, depois de três filmes a caçar humanos e ainda outros dois spin-offs enfrentando a também raça alienígena da saga ‘Alien’. O que seria, inicialmente, um reboot de todo o universo e mitologia em torno desta personagem icónica, apresentada originalmente em ‘Predador’ de John McTiernan de 1987, acabou por resultar em mais uma espécie de “reinvenção” que reconhece e menciona eventos passados nos anteriores filmes mas que tenta dar um novo rumo a esta saga.

Quinn McKenna (Boyd Holbrook) é um ex-militar a soldo que avista a chegada de um predador alienígena numa selva mexicana e consegue apoderar-se de alguns artefactos tecnológicos deste. Procede ao envio, por correio, dos mesmos para casa e é o seu filho Rory (Jacob Tremblay) que os recebe, acabando por, acidentalmente, emitir um sinal de localização para que uma versão mais avançada destes caçadores letais do universo seja enviada para o nosso planeta. Eles estão mais fortes, mais inteligentes e mais mortais que nunca, aperfeiçoados geneticamente com o ADN de outras espécies. A partir desse momento, só McKenna, um grupo disfuncional de ex-soldados e uma entusiástica bióloga (Olivia Munn) pode impedir o fim da raça humana.

Foi grande a expectativa gerada pela revelação de que Shane Black iria realizar e escrever o novo filme da saga ‘Predador’, resultando no seu regresso ao franchise depois de ter sido Hawkins, um dos personagens do filme original. Black é também um argumentista com créditos firmados (‘Arma Mortífera’, ‘Bons Rapazes’) e a sua ideia de revitalizar a saga depois do mediano ‘Predadores’ de 2010 era bem-vinda. Infelizmente, o tiro saiu pela culatra. O estilo do realizador americano está bem presente e é identificável no ritmo frenético das sequências de acção e como combina esta com apontamentos cómicos mas é aqui precisamente que reside o maior problema. Em alguns momentos fica a sensação de que ‘O Predador’ é uma comédia (e das más) pela quantidade excessiva de cenas com tiradas galhofeiras entre as personagens (especialmente por parte dos ex-militares, um grupo de homens a sofrer de stress pós-traumático e em que um deles também sofre de síndrome de Tourette – que conveniente para efeitos cómicos…), a patetice de alguns intervenientes (a bióloga que atinge o próprio pé com uma arma de tranquilizantes) e mesmo o caricato chega à personagem do “super predador “, que aparece acompanhado de “cães predadores” (com rastas também e que, pelos vistos, se comportam exactamente como cães humanos). Algumas piadas atingem o alvo, é certo, mas a meio do filme já são mais os revirar de olhos do que as gargalhadas.

Shane Black desenvolveu o argumento em parceria com Fred Dekker (conhecido pelo péssimo RoboCop 3, que acabou com a sua opção de carreira como realizador) e ambos tiveram que reescrever completamente todo o terceiro acto e clímax do filme. A principal razão prende-se com a má recepção que o filme teve nas visualizações de teste, prática habitual dos grandes estúdios de Hollywood para aferir a reacção de um público restrito ao produto final, antes de dar por concluídas as filmagens. Circulam rumores também que a cena final incluiria um cameo de Arnold Schwarzenegger (o Dutch do filme original) mas que o mesmo recusou e, assim, “furou” as expectativas dos argumentistas após ler o pouco que Black e Dekker haviam escrito para si. A realidade é o que o filme não funciona como um todo e essa mesma parte final que foi refilmada destaca-se por falhas no argumento, na montagem e até na continuidade de algumas cenas.

O elenco está recheado de actores facilmente reconhecíveis de outros trabalhos como Holbrook (da série ‘Narcos’ ou ‘Logan’), Munn (‘X-Men: Apocalypse’), Thomas Jane (‘Punisher’) ou Alfie Allen (‘A Guerra dos Tronos’), tendo os seus desempenhos prejudicados, em alguns casos, pelas ridículas linhas de diálogo atribuídas ou por fraco desenvolvimento das personagens. A bióloga Casey Brackett, por exemplo, passa de uma curiosa professora para uma heroína de acção num piscar de olhos, manuseando armas de fogo e saltando para cima de autocarros em andamento como se fosse “mais um dia no escritório”. Destaca-se o pouco tempo de ecrã do excelente Sterling K. Brown (da série ‘This Is Us’) e a interessante prestação do pequeno Jacob Tremblay (‘Wonder – Encantador’) no papel do menino autista que, aparentemente, é fluente em comunicação e tecnologia alienígena…

‘O Predador’ não é o regresso esperado mas até pode significar o retomar da saga nos próximos tempos, pela forma desenvergonhada como pisca o olho a uma sequela na cena derradeira. Apesar do insatisfatório produto final, compreende-se a boa intenção de Black em tentar emular o clássico de 1987, incluindo um grupo heterogéneo de militares e a decorrente camaradagem, sequências de acção intensas e com muita violência e gore à mistura e o uso da música de Henry Jackman que respeita o marcante trecho original de Alan Silvestri. No entanto, o filme simplesmente não resulta, apesar de toda a mitologia que tinha ao seu dispor para explorar. Seja por não ter um protagonista à altura como o era Schwarzenegger, um argumento sólido ou simplesmente por não conseguir equilibrar e equiparar acção, ficção científica e comédia quando esta última deveria apenas ser usada em doses moderadas, algo aconteceu. Como diria Mike Harrigan em ‘Predador 2’: “shit happens”…

Máquina de Jogos | Parte 1 – Cenários

Bem-vindos à Máquina de Jogos!

A Máquina de Jogos é a nova rubrica mensal de um dos membros da equipa 8.5Bits e visa ensinar os passos básicos na criação dos videojogos, através de textos, imagens, vídeos, entre outros suportes multimédia ficarás a saber como criar o teu próprio jogo.

Então, para todos os interessados em desenvolver jogos e para os mais curiosos que gostam de saber como são criados os jogos, a equipa 8.5Bits deixa aqui o primeiro de muitos artigos que irão enriquecer a tua cultura sobre desenvolvimento de videojogos.

Sem nenhuma ordem em particular, começamos por falar dos cenários, algumas vez pensas-te em como serão os cenários dos jogos criados?

À partida irás precisar de um software de modelação 3D, caso o jogo seja obviamente para explorar em três dimensões (x,y,z), por outro lado, caso o jogo seja em duas dimensões irás também certamente precisar de um editor de imagem e posteriormente programar e animar as imagens/personagens.

Vamos então “mostrar” um programa de modelação 3D, o Sketchup.

Importa saber que o Sketchup, conhecido inicialmente como Google Sketchup pertence atualmente à Trimble Navigation, sendo disponibilizada uma versão grátis aqui  (é preciso criar uma conta para depois se fazer o download do programa) e que chega para o objetivo deste nosso artigo.

Este programa tem uma interface amigável e é muito fácil de aprender, desenvolvido inicialmente para projetos arquitetónicos é utilizado hoje em dia em inúmeras industrias, cinema, animação, videojogos, entre outros.

O seguinte vídeo mostra a utilização das principais ferramentas do programa:

  • Ferramenta de seleção (Para selecionar linhas ou objetos );
  • Borracha (Para apagar);
  • Lápis (Para desenhar linhas de forma livre);
  • Arco;
  • Retângulo;
  • Pull/Push (Ferramenta muito importante para dar volume às formas);
  • Offset;
  • Mover;
  • Rodar;
  • Escala (Para aumentar ou diminuir o tamanho do objeto);
  • Régua;
  • Anotações (por exemplo par quem precisa de ter uma indicação de qual o tamanho de uma parede);
  • Balde (Utilizado para aplicar cores e texturas nos objetos);
  • Orbit (para rodar a vista/câmara);
  • Mão (Para posicionar horizontalmente a vista/câmara);
  • Lupa (Para fazer zoom in ou zoom out);

De referir que existe uma grande comunidade a suportar o desenvolvimento e a disponibilizar material sobre e para este software, de destacar o seu próprio Warehouse de modelos 3D, totalmente gratuitos  AQUI.

Se já estás a pensar, mas como é que se colocam estes modelos no jogo? A resposta é: Tenho de encontrar um game engine e depois importar para lá os cenários/objetos 3D. No nosso caso iremos trabalhar com o motor de jogos Unity 3D, mas antes ainda há trabalho a fazer com os cenários, como por exemplo, é preciso ainda adicionar texturas.

Para quem estiver interessado em criar os seus próprios cenários 3D, este é a ferramenta ideal para começar neste mundo, mas existem também outras ferramentas para este fim, mas claramente para quem já está noutro nível, por exemplo, aconselhamos o software da Autodesk, o 3D Studio Max, grátis para educação mas pago para profissionais da área.

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Um dos exemplos que demonstra o poder de Sketchup é o seguinte, as imagens falam por si….

Para terminar deixamos AQUI o ficheiro original criado no programa Sketchup, assim desta forma poderão acompanhar as próximas publicações.

 

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Passatempo Antestreia – Agora Estamos Sozinhos

8.5Bits e a NOS Audiovisuais têm para te oferecer a possibilidade de assistires à antestreia do filme ‘Agora Estamos Sozinhos‘.

Del (Peter Dinklage) está sozinho no mundo. Depois da raça humana ter sido destruída, ele vive numa pequena e vazia cidade, satisfeito, na sua solidão, e com a utopia que metodicamente criou para si mesmo.

Assim é até que Del é descoberto por Grace (Elle Fanning), uma estranha com motivos e um passado obscuro. E o pior de tudo é que ela não se quer ir embora.

Realizador: Reed Morano
Elenco: Peter Dinklage, Elle Fanning, Charlotte Gainsbourg

Temos 20 convites para a antestreia:

10 convites duplos
Lisboa –Cinema NOS, Amoreiras – Dia 25 de  Setembro, às 21:30h

10 convites duplos
Porto –Cinema NOS, Alameda Shop & Spot– Dia 25 de  Setembro, às 21:30h

Podes participar até às 12h de dia 24 de Setembro.

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NOS CINEMAS A 20 DE SETEMBRO

O envio da listagem de vencedores para os cinemas é da responsabilidade do distribuidor do filme sendo o 8.5Bits apenas promotor do passatempo. 
Em situações extraordinárias, os vencedores poderão contactar-nos via mensagem privada no Facebook.

Análise a ‘Insatiable’

Estamos no século vinte e um, e o tema do corpo da mulher está na boca do mundo. Cada vez mais encontramos filmes e séries que relatem e falem acerca daquilo que são as inseguranças de uma mulher e do seu corpo. E a série Insatiable não foge à exceção.

Estreada em agosto de 2018, a série do Netflix Insatiable, criada por Laura Gussis, tenta abordar este tema na forma de humor negro. O enredo desta história de 12 episódios, baseia-se na nossa personagem principal, Patty Bladell; uma rapariga adolescente obesa, que sofre muito bullying por parte dos colegas por ser gorda. No entanto, um dia leva um murro de um sem abrigo, que lhe parte o maxilar. Patty, passa o verão inteiro a beber líquidos enquanto o maxilar recupera, e desta forma emagrece e promete vingar-se de todos aqueles que alguma vez lhe fizeram mal unindo-se ao seu advogado Bob que promete fazer dela a vencedora de concursos de beleza.

A série em si, acaba por fugir muito ao tema do corpo. Ao contrário do que muita gente entende pelo trailer, o objetivo por parte da criadora é de criar uma série que faça as pessoas rir, independentemente dos temas que sejam mencionados serem temas sérios. Todavia, a receção da mesma não foi a melhor. A série criou muita controvérsia por parte de mulheres pelo mundo inteiro, especialmente nos Estados Unidos da América. Muitas criticaram a realizadora e a atriz que passa por Patty Bladell, Debby Rian, ao verem o trailer. Dizendo que não é correto em 2018 ainda afirmar que a única forma de uma mulher ser bem-sucedida, ou neste caso uma rapariga na sua juventude, é perder peso. E mais que isso, foi criticada pela personagem principal procurar vingança em vez de tentar sentir-se bem consigo própria e passar uma imagem positiva à audiência. Inclusive criou-se uma petição online onde mais de 100.000 mil pessoas teriam assinado para que a série fosse cancelada por ser uma série de fat-shaming (um termo muito usado hoje em dia para a ação de humilhar alguém por ser gordo, ou por fazer bullying a uma pessoa com excesso de peso; tendo como intenção fazer entender as pessoas que não é por alguém ser mais gordo que deixa de ser bonito/a ou inteligente). Em resposta, a criadora escreveu um tweet a explicar que também foi uma criança que sofreu muito pelo o seu peso, e que o objetivo é explicar os prejuízos que o bullying pode ter através da comédia.

Particularmente, entendo onde a criadora quis chegar com a série. Mas acaba por ter um guião muito oco e vazio. Mesmo quando uma pessoa pode ou não rir, nenhum episódio é 100% cómico ou tem uma linha de sentido que é percorrida do início ao fim. A série acaba por se perder pelo meio e parece que a história muda totalmente a partir de um dos episódios do fim. Não tem ligações entre os episódios e por consequente, tem muitas falhas. Não só não explora tão bem quanto podia o tema do peso; mas também perde uma grande oportunidade de pegar num tema importante, quando no início da série tem homens que independentemente de gostarem de concursos de belezas seriam heterossexuais, mas para o final da série, e spoiler alert, tinham de terminar a serem gays. O que foi uma grande deceção.  Não pelo o facto de serem gays, não me interpretem mal, mas sim porque mostra mais uma vez que um homem para ser “homem” não pode gostar de “coisas de mulher” e tem de ser sempre “másculo” nos padrões da sociedade. Sendo que a criadora poderia ter utilizado um bom exemplo como os homens podem apoiar as mulheres a fazerem-se sentir seguras de si mesma por eles mesmos estarem seguros da sua masculinidade.   A verdade é que poderia ter sido uma grande série, com boas mensagens ou com uma boa comédia, mas ficou muito há quem. A criadora não soube explorar os temas de transtornos alimentares ou a comunidade lgbtq+ quando tinha tudo para o conseguir fazer! Procurou muito falar de todos os temas que são polémicos nos dias de hoje, mas falhou completamente em qualquer um deles, porque se dispersou. Nem em termos de comédia a série conseguiu ser sádica.

Debaixo do Radar

Uma das minhas ocupações preferidas é descobrir pequenos jogos indie que nos meus olhos se podem transformar em pequenas pérolas. Bem-vindos a debaixo do radar.

 

A Semana passada deparei-me com um jogo chamado “Second Second” talvez seja um nome estranho mas ate fica debaixo da língua, feito por um estúdio recente (Sinkhole Studio).

A arte rapidamente cativou-me, aliás, acho que esse é sempre o primeiro passo para algo me chamar a atenção, não tem de ter bons gráficos, basta esta ser limpa e interessante.

A história é meramente introduzida no trailer, coisa básica de vamos salvar o mundo, mas a jogabilidade interessou-me, talvez seja suspeita porque sempre tive um fraquinho por jogos com cartas, mas este soa diferente, ao contrário de os demais o fator sorte não existe, não temos um baralho onde vamos biscar as cartas, esta tudo a nossa disposição conforme construímos. O sistema de tempo é interessante, ao que parece o tempo passa conforme as nossas jogadas, as cartas custam tempo para jogar, então acaba tudo por ser um jogo muito mais estratégico.

Com data anunciada para Outubro de 2018 no Steam (pagina ainda não existente) Second Second parece-me ainda ter alguns obstáculos pela frente, principalmente no que toca em animações, mas tem muito por onde brilhar.

 

www.playsecondsecond.com

 

 

“Project Winter” foi outro jogo que me captou a atenção recentemente, ao que me parece baseia-se em muitos jogos de tabuleiro onde temos os “bons”, e os “maus” tentam sabotar os outros.

O que destaca o “Project Winter” é ele aparentemente faze-lo num mundo aberto, com pequenos objetivos para orientar-te no teu papel. Talvez o melhor ponto de comparação para mim será o mundo de “Dont Starve Together” exceto que o teu amigo provavelmente te esta a tentar matar.

Este jogo ainda sem data anunciada parece estar ainda numa fase bastante embrionária, mas com todas as ferramentas para ser um grande jogo.

 

www.projectwinter.co

 

 

Análise a ‘The Handmaid’s Tale’ – Temporada 2

Em Abril de 2017, a Hulu estreou a primeira temporada de ‘The Handmaid’s Tale’, uma adaptação do livro de Margaret Atwood. Durante 10 episódios, ficámos a conhecer a República de Gilead, um regime totalitário cristão no qual as mulheres não têm quaisquer direitos.

O principal objectivo de Gilead passa pelo combate à taxa de natalidade e, para isso, as mulheres férteis são tornadas Servas, cuja função é, única e exclusivamente, serem engravidadas pelos Comandantes, os chefes das famílias para as quais são destacadas.

A protagonista, Offred (literalmente, Of-Fred, o nome do seu Comandante), é uma mulher que foi apanhada a tentar escapar de Gilead com o marido e a filha depois do golpe de Estado que instituiu o regime.

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ATENÇÃO: a partir daqui há spoilers das duas temporadas

A primeira temporada termina no momento em que Offred é levada pelos Olhos, os espiões de Gilead, sem saber se será detida por oposição ao Estado ou libertada – tal como acontece no livro. Aliás, a adaptação foi feita de forma bastante fiel, salvo raras excepções. Por exemplo, no livro, as personagens do Comandante e da sua Esposa, Serena, são bastante mais idosas – torna-se lógico que, com 60 anos, Serena seja incapaz de engravidar. Porém, a tensão entre Serena e Offred ganha contornos diferentes na série já que, estando ambas na casa dos 30 anos, a frustração de ver o marido recorrer a outra mulher para fazer um filho devido à sua infertilidade culmina nos maus tratos da Esposa para com a Serva.

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O facto de a segunda temporada deixar de ter o livro como base foi exactamente o que me deixou mais apreensivo, se bem que entusiasmado pela continuação de uma série que se mostrou tão poderosa.

Em Abril deste ano, a Hulu lançou os dois primeiros episódios da nova temporada e tirou-me as dúvidas: ‘The Handmaid’s Tale’ vai continuar a ser tão bom ou melhor. Os dez minutos iniciais são de cortar a respiração e preparam-nos bem para o tom que se estende pelo resto da temporada.

Quanto às novas personagens, destaco o Comandante Lawrence, um homem enigmático que desempenhou funções importantes na criação da República de Gilead e que acolhe Emily – que conhecemos na primeira temporada como Ofglen, apoiante da resistência. Só aparece nos episódios finais, mas traz consigo vários mistérios interessantes: por que razão está a sabotar um regime que ajudou a criar? O que o leva a acolher os misfits? Algo me diz que ele é gay e/ou foi castrado… mas, não menos importante, o que raio vai ele fazer com a Aunt Lydia?! Mesmo assim, a melhor das novas personagens é Eden.

Imagem relacionada

Eden exemplifica a mestria dos escritores da série em construir personagens. Tem tantas camadas que, mesmo que a odiemos de cada vez que surge no ecrã, não deixamos de ficar desolados com o seu destino. Sobretudo, Eden é a representação do fanatismo religioso e de como isso acaba por destruí-la, ainda que o facto de quebrar as regras não a faça desacreditar nos ideais de Gilead – é essa uma das facetas doentias de ‘The Handmaid’s Tale’.

Mas as personagens do elenco original não são descuradas. O passado de Emily e de Moira, por exemplo, é explorado durante alguns episódios, ainda que a coisa saiba a pouco. No entanto, o grande destaque para o character development da temporada vai para Serena, que torna Yvonne Strahovski uma das fortes candidatas ao Emmy de Melhor Actriz Secundária numa Série Dramática deste ano.

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Não só ficamos a conhecer um pouco do passado de Serena – nomeadamente, a origem da sua infertilidade e a campanha que construiu para ajudar a erguer Gilead – como a vemos impor-se perante o marido e o regime, sentindo-se oprimida pelos ideais que antes defendera. Em 13 episódios, Serena é uma supremacista louca, uma mãe angustiada, uma mulher revoltada e um monte de cacos que previamente construíam uma pessoa – tudo isto escrito com a maior coerência. Também a relação de Serena com Offred toma contornos mais rebuscados: a Serva passa de ser tida como persona non grata para o ai-jesus da Esposa. Tanto se tornam aliadas quanto se provocam uma à outra.

Elizabeth Moss, por sua vez, mantém-se impecável no papel principal (aquela cena do parto… corre lá novamente para o Emmy e para o Globo, vá). A sua prestação, acima de tudo, fica marcada pelas expressões faciais e pela forma como domina os close-ups, representando o isolamento de Offred perante tudo o que a rodeia. E ela é matreira, mesmo! Todos os olhares directos para a câmara mostram não só como está a desafiar o regime e as restantes personagens mas (especialmente!) como nos desafia a nós, espectadores.

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De facto, o investimento na cinematografia atinge o seu pico nesta temporada, vivendo sobretudo dos primeiros planos e dos planos abertos, mais gerais. ‘The Handmaid’s Tale’ não é só uma série visualmente bonita; é uma série cujos planos, cada um deles, transmitem uma tensão gigante.

Destaco a cena inicial do sétimo episódio (essa mesmo, a do funeral), que usa e abusa dos planos abertos para mostrar a imponência de Gilead perante as Servas, minúsculas, que caminham pelo cemitério coberto de neve. Este cenário invernoso prolonga-se durante toda a série. Durante os nove meses de gravidez de Offred, toda Gilead está coberta de neve, o que é um indicador óbvio de que, também simbolicamente, o inverno permanece. Só a queda do regime poderá trazer de volta a luz.

O final foi um tanto ou quanto descabido, sejamos sinceros, e alguns monólogos em voz-off de Offred no início da temporada pareceram-me demasiado embelezados, quase como que uma tentativa de os tornar literários – para aproximá-los aos do livro, talvez? Ainda assim, deste lado, permanece o entusiasmo para ver como Offred se vai safar na terceira temporada, já anunciada pela Hulu.

Blessed be the fruit.

Editor's Choice

Passatempo Antestreia – Agora Estamos Sozinhos

8.5Bits e a NOS Audiovisuais têm para te oferecer a possibilidade de assistires à antestreia do filme ‘Agora Estamos Sozinhos‘.

Del (Peter Dinklage) está sozinho no mundo. Depois da raça humana ter sido destruída, ele vive numa pequena e vazia cidade, satisfeito, na sua solidão, e com a utopia que metodicamente criou para si mesmo.

Assim é até que Del é descoberto por Grace (Elle Fanning), uma estranha com motivos e um passado obscuro. E o pior de tudo é que ela não se quer ir embora.

Realizador: Reed Morano
Elenco: Peter Dinklage, Elle Fanning, Charlotte Gainsbourg

Temos 20 convites para a antestreia:

10 convites duplos
Lisboa –Cinema NOS, Amoreiras – Dia 25 de  Setembro, às 21:30h

10 convites duplos
Porto –Cinema NOS, Alameda Shop & Spot– Dia 25 de  Setembro, às 21:30h

Podes participar até às 12h de dia 24 de Setembro.

Para participares só tens de
-Preencher o formulário abaixo
-Partilhar publicamente esta publicação:

-Fazeres like à página do 8.5Bits (caso não o tenhas feito antes)

Verifica as regras do passatempo aqui: http://8dot5bits.com/regulamentos/

NOS CINEMAS A 20 DE SETEMBRO

O envio da listagem de vencedores para os cinemas é da responsabilidade do distribuidor do filme sendo o 8.5Bits apenas promotor do passatempo. 
Em situações extraordinárias, os vencedores poderão contactar-nos via mensagem privada no Facebook.

Análise a ‘Insatiable’

Estamos no século vinte e um, e o tema do corpo da mulher está na boca do mundo. Cada vez mais encontramos filmes e séries que relatem e falem acerca daquilo que são as inseguranças de uma mulher e do seu corpo. E a série Insatiable não foge à exceção.

Estreada em agosto de 2018, a série do Netflix Insatiable, criada por Laura Gussis, tenta abordar este tema na forma de humor negro. O enredo desta história de 12 episódios, baseia-se na nossa personagem principal, Patty Bladell; uma rapariga adolescente obesa, que sofre muito bullying por parte dos colegas por ser gorda. No entanto, um dia leva um murro de um sem abrigo, que lhe parte o maxilar. Patty, passa o verão inteiro a beber líquidos enquanto o maxilar recupera, e desta forma emagrece e promete vingar-se de todos aqueles que alguma vez lhe fizeram mal unindo-se ao seu advogado Bob que promete fazer dela a vencedora de concursos de beleza.

A série em si, acaba por fugir muito ao tema do corpo. Ao contrário do que muita gente entende pelo trailer, o objetivo por parte da criadora é de criar uma série que faça as pessoas rir, independentemente dos temas que sejam mencionados serem temas sérios. Todavia, a receção da mesma não foi a melhor. A série criou muita controvérsia por parte de mulheres pelo mundo inteiro, especialmente nos Estados Unidos da América. Muitas criticaram a realizadora e a atriz que passa por Patty Bladell, Debby Rian, ao verem o trailer. Dizendo que não é correto em 2018 ainda afirmar que a única forma de uma mulher ser bem-sucedida, ou neste caso uma rapariga na sua juventude, é perder peso. E mais que isso, foi criticada pela personagem principal procurar vingança em vez de tentar sentir-se bem consigo própria e passar uma imagem positiva à audiência. Inclusive criou-se uma petição online onde mais de 100.000 mil pessoas teriam assinado para que a série fosse cancelada por ser uma série de fat-shaming (um termo muito usado hoje em dia para a ação de humilhar alguém por ser gordo, ou por fazer bullying a uma pessoa com excesso de peso; tendo como intenção fazer entender as pessoas que não é por alguém ser mais gordo que deixa de ser bonito/a ou inteligente). Em resposta, a criadora escreveu um tweet a explicar que também foi uma criança que sofreu muito pelo o seu peso, e que o objetivo é explicar os prejuízos que o bullying pode ter através da comédia.

Particularmente, entendo onde a criadora quis chegar com a série. Mas acaba por ter um guião muito oco e vazio. Mesmo quando uma pessoa pode ou não rir, nenhum episódio é 100% cómico ou tem uma linha de sentido que é percorrida do início ao fim. A série acaba por se perder pelo meio e parece que a história muda totalmente a partir de um dos episódios do fim. Não tem ligações entre os episódios e por consequente, tem muitas falhas. Não só não explora tão bem quanto podia o tema do peso; mas também perde uma grande oportunidade de pegar num tema importante, quando no início da série tem homens que independentemente de gostarem de concursos de belezas seriam heterossexuais, mas para o final da série, e spoiler alert, tinham de terminar a serem gays. O que foi uma grande deceção.  Não pelo o facto de serem gays, não me interpretem mal, mas sim porque mostra mais uma vez que um homem para ser “homem” não pode gostar de “coisas de mulher” e tem de ser sempre “másculo” nos padrões da sociedade. Sendo que a criadora poderia ter utilizado um bom exemplo como os homens podem apoiar as mulheres a fazerem-se sentir seguras de si mesma por eles mesmos estarem seguros da sua masculinidade.   A verdade é que poderia ter sido uma grande série, com boas mensagens ou com uma boa comédia, mas ficou muito há quem. A criadora não soube explorar os temas de transtornos alimentares ou a comunidade lgbtq+ quando tinha tudo para o conseguir fazer! Procurou muito falar de todos os temas que são polémicos nos dias de hoje, mas falhou completamente em qualquer um deles, porque se dispersou. Nem em termos de comédia a série conseguiu ser sádica.

Debaixo do Radar

Uma das minhas ocupações preferidas é descobrir pequenos jogos indie que nos meus olhos se podem transformar em pequenas pérolas. Bem-vindos a debaixo do radar.

 

A Semana passada deparei-me com um jogo chamado “Second Second” talvez seja um nome estranho mas ate fica debaixo da língua, feito por um estúdio recente (Sinkhole Studio).

A arte rapidamente cativou-me, aliás, acho que esse é sempre o primeiro passo para algo me chamar a atenção, não tem de ter bons gráficos, basta esta ser limpa e interessante.

A história é meramente introduzida no trailer, coisa básica de vamos salvar o mundo, mas a jogabilidade interessou-me, talvez seja suspeita porque sempre tive um fraquinho por jogos com cartas, mas este soa diferente, ao contrário de os demais o fator sorte não existe, não temos um baralho onde vamos biscar as cartas, esta tudo a nossa disposição conforme construímos. O sistema de tempo é interessante, ao que parece o tempo passa conforme as nossas jogadas, as cartas custam tempo para jogar, então acaba tudo por ser um jogo muito mais estratégico.

Com data anunciada para Outubro de 2018 no Steam (pagina ainda não existente) Second Second parece-me ainda ter alguns obstáculos pela frente, principalmente no que toca em animações, mas tem muito por onde brilhar.

 

www.playsecondsecond.com

 

 

“Project Winter” foi outro jogo que me captou a atenção recentemente, ao que me parece baseia-se em muitos jogos de tabuleiro onde temos os “bons”, e os “maus” tentam sabotar os outros.

O que destaca o “Project Winter” é ele aparentemente faze-lo num mundo aberto, com pequenos objetivos para orientar-te no teu papel. Talvez o melhor ponto de comparação para mim será o mundo de “Dont Starve Together” exceto que o teu amigo provavelmente te esta a tentar matar.

Este jogo ainda sem data anunciada parece estar ainda numa fase bastante embrionária, mas com todas as ferramentas para ser um grande jogo.

 

www.projectwinter.co

 

 

Análise a ‘The Handmaid’s Tale’ – Temporada 2

Em Abril de 2017, a Hulu estreou a primeira temporada de ‘The Handmaid’s Tale’, uma adaptação do livro de Margaret Atwood. Durante 10 episódios, ficámos a conhecer a República de Gilead, um regime totalitário cristão no qual as mulheres não têm quaisquer direitos.

O principal objectivo de Gilead passa pelo combate à taxa de natalidade e, para isso, as mulheres férteis são tornadas Servas, cuja função é, única e exclusivamente, serem engravidadas pelos Comandantes, os chefes das famílias para as quais são destacadas.

A protagonista, Offred (literalmente, Of-Fred, o nome do seu Comandante), é uma mulher que foi apanhada a tentar escapar de Gilead com o marido e a filha depois do golpe de Estado que instituiu o regime.

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ATENÇÃO: a partir daqui há spoilers das duas temporadas

A primeira temporada termina no momento em que Offred é levada pelos Olhos, os espiões de Gilead, sem saber se será detida por oposição ao Estado ou libertada – tal como acontece no livro. Aliás, a adaptação foi feita de forma bastante fiel, salvo raras excepções. Por exemplo, no livro, as personagens do Comandante e da sua Esposa, Serena, são bastante mais idosas – torna-se lógico que, com 60 anos, Serena seja incapaz de engravidar. Porém, a tensão entre Serena e Offred ganha contornos diferentes na série já que, estando ambas na casa dos 30 anos, a frustração de ver o marido recorrer a outra mulher para fazer um filho devido à sua infertilidade culmina nos maus tratos da Esposa para com a Serva.

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O facto de a segunda temporada deixar de ter o livro como base foi exactamente o que me deixou mais apreensivo, se bem que entusiasmado pela continuação de uma série que se mostrou tão poderosa.

Em Abril deste ano, a Hulu lançou os dois primeiros episódios da nova temporada e tirou-me as dúvidas: ‘The Handmaid’s Tale’ vai continuar a ser tão bom ou melhor. Os dez minutos iniciais são de cortar a respiração e preparam-nos bem para o tom que se estende pelo resto da temporada.

Quanto às novas personagens, destaco o Comandante Lawrence, um homem enigmático que desempenhou funções importantes na criação da República de Gilead e que acolhe Emily – que conhecemos na primeira temporada como Ofglen, apoiante da resistência. Só aparece nos episódios finais, mas traz consigo vários mistérios interessantes: por que razão está a sabotar um regime que ajudou a criar? O que o leva a acolher os misfits? Algo me diz que ele é gay e/ou foi castrado… mas, não menos importante, o que raio vai ele fazer com a Aunt Lydia?! Mesmo assim, a melhor das novas personagens é Eden.

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Eden exemplifica a mestria dos escritores da série em construir personagens. Tem tantas camadas que, mesmo que a odiemos de cada vez que surge no ecrã, não deixamos de ficar desolados com o seu destino. Sobretudo, Eden é a representação do fanatismo religioso e de como isso acaba por destruí-la, ainda que o facto de quebrar as regras não a faça desacreditar nos ideais de Gilead – é essa uma das facetas doentias de ‘The Handmaid’s Tale’.

Mas as personagens do elenco original não são descuradas. O passado de Emily e de Moira, por exemplo, é explorado durante alguns episódios, ainda que a coisa saiba a pouco. No entanto, o grande destaque para o character development da temporada vai para Serena, que torna Yvonne Strahovski uma das fortes candidatas ao Emmy de Melhor Actriz Secundária numa Série Dramática deste ano.

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Não só ficamos a conhecer um pouco do passado de Serena – nomeadamente, a origem da sua infertilidade e a campanha que construiu para ajudar a erguer Gilead – como a vemos impor-se perante o marido e o regime, sentindo-se oprimida pelos ideais que antes defendera. Em 13 episódios, Serena é uma supremacista louca, uma mãe angustiada, uma mulher revoltada e um monte de cacos que previamente construíam uma pessoa – tudo isto escrito com a maior coerência. Também a relação de Serena com Offred toma contornos mais rebuscados: a Serva passa de ser tida como persona non grata para o ai-jesus da Esposa. Tanto se tornam aliadas quanto se provocam uma à outra.

Elizabeth Moss, por sua vez, mantém-se impecável no papel principal (aquela cena do parto… corre lá novamente para o Emmy e para o Globo, vá). A sua prestação, acima de tudo, fica marcada pelas expressões faciais e pela forma como domina os close-ups, representando o isolamento de Offred perante tudo o que a rodeia. E ela é matreira, mesmo! Todos os olhares directos para a câmara mostram não só como está a desafiar o regime e as restantes personagens mas (especialmente!) como nos desafia a nós, espectadores.

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De facto, o investimento na cinematografia atinge o seu pico nesta temporada, vivendo sobretudo dos primeiros planos e dos planos abertos, mais gerais. ‘The Handmaid’s Tale’ não é só uma série visualmente bonita; é uma série cujos planos, cada um deles, transmitem uma tensão gigante.

Destaco a cena inicial do sétimo episódio (essa mesmo, a do funeral), que usa e abusa dos planos abertos para mostrar a imponência de Gilead perante as Servas, minúsculas, que caminham pelo cemitério coberto de neve. Este cenário invernoso prolonga-se durante toda a série. Durante os nove meses de gravidez de Offred, toda Gilead está coberta de neve, o que é um indicador óbvio de que, também simbolicamente, o inverno permanece. Só a queda do regime poderá trazer de volta a luz.

O final foi um tanto ou quanto descabido, sejamos sinceros, e alguns monólogos em voz-off de Offred no início da temporada pareceram-me demasiado embelezados, quase como que uma tentativa de os tornar literários – para aproximá-los aos do livro, talvez? Ainda assim, deste lado, permanece o entusiasmo para ver como Offred se vai safar na terceira temporada, já anunciada pela Hulu.

Blessed be the fruit.

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