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‘John Wick: Chapter 2’ – Análise ao Filme

Quando o primeiro John Wick chegou às salas, no final de 2014, apanhou-me de surpresa. Não por ser uma obra-prima de ação ou por ter uma performance magistral de Keanu Reeves; pelo contrário, até tem bastantes pontos negativos, o maior deles sendo o argumento. No entanto, as sequências de ação estavam suficientemente bem feitas, aliadas claro à Fotografia e a uma banda sonora forte, para que retenha boas memórias do filme. Por isso, foi com alguma esperança que recebi este segundo capítulo, esperança essa que se veio materializar num filme ao mesmo nível do seu antecessor. Em poucas palavras: John Wick: Chapter 2 tem falhas mas entretém.

As coisas não são completamente diferentes. Existe um novo vilão, interpretado por Riccardo Scarmacio, que não é particularmente memorável (e isso também se deve à performance do ator) e até inferior ao seu equivalente no primeiro filme (interpretado por Michael Nyqvist), e a sua ajudante muda (Ruby Rose), que pouco faz durante todo o desenrolar do filme, e aquilo que faz não é nada digno de se relembrar um ou dois dias depois de ter visto o filme.

O argumento em si é bastante medíocre, tratando-se apenas do primeiro filme mas com uma roupagem diferente. No seu antecessor, John Wick é arrastado para o mundo do crime, após ter dito que se ia aposentar de vez. Neste filme, o mesmo volta a acontecer.

Tudo isto, por outro lado, acaba por ser contornado pelas sequências de ação, essas sim, são de encher o olho com as suas cores e as suas coreografias. A parafernália da história acaba por ter o seu clímax numa cena incrível passada numa sala de espelhos, e aqui é fácil imaginar a quantidade quase ilimitada de coisas que isto pode permitir em termos de realização e fotografia, e a verdade é que o resultado final é extremamente bem conseguido. (O facto de o filme não ter medo de arriscar em cenas mais violentas, que juntam lápis na mesma equação que cérebros e orelhas, também ajuda e muito neste fator.) O realizador – apenas um dos dois da equipa de realização do primeiro filme – consegue recarregar a estética e o ambiente brutal da primeira instalação da saga, fazendo com que as cenas de ação sejam até em maior quantidade que as do primeiro filme.

O final de Chapter 2 antecipa, sem qualquer vergonha, uma sequela à vista. Certamente o próximo filme da saga não será um clássico contemporâneo ou sequer um filme de culto, e, como este, terá os seus problemas e falhas, conseguindo ainda assim cumprir o seu maior ponto positivo: boas cenas de ação. E não há nada de mal nisso.

Pedro Gomes é Editor de Cinema no 8.5Bits | pedrogomes@8dot5bits.com

Com a escrita e a música em plano de fundo desde pequeno, e sendo licenciado em Argumento pela ESTC e autodidata musical por natureza, ambiciona escrever filmes, séries, e compôr música para cinema.

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