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‘Logan’ – Análise ao Filme

Naquela que é a despedida de Wolverine do cinema, Logan trata sobre um mundo quase pós-apocalíptico, onde os mutantes estão praticamente extintos, e os poucos que sobram estão escondidos: tanto Logan como o Professor Xavier. E, se por um lado, Deadpool mostrou-nos, no ano passado, que os super-heróis podem ser hilariantes, Logan agora mostra-nos que eles também podem sofrer como nós.

Existem muitas coisas boas sobre o filme; a história flui com naturalidade, as cenas de acção são várias e estão bem feitas – desde uma fuga de carro até uma corrida desenfreada pela floresta – e os temas que aborda são tratados com o tempo merecido e com o tom necessário. No entanto, aquilo que mais falha, ou, melhor dizendo, poderia ter sido mais bem trabalhado, tem a ver com as personagens.

A personagem de Laura pode ser algo querida à primeira vista – afinal de contas, quando é que um miúdo não é querido num filme? -, mas é praticamente só esse o fator que tem a oferecer ao filme. Quantas vezes já vimos um filme que tem uma relação tão improvável como esta entre Laura e Logan? Esta ligação entre eles culmina, como não podia deixar de ser, numa lição de moral preguiçosa, e isto porque são escassos os momentos que temos entre eles os dois para que possamos estar totalmente envolvidos no crescimento destas personagens.

Boyd Holbrook e Richard E. Grant são os responsáveis pelos vilões do filme e é aqui que o filme mereceria ter sido (também) mais trabalhado. Ambos são competentes mas deixam algo a desejar, uma vez que o método de como estas personagens foram escritas de certeza que passou por mergulhá-las três ou quatro vezes num mar de características genéricas e de exposição desenfreada. Nenhum deles tem uma prestação particularmente memorável, ainda que Donald Rice (Holbrook) consiga impor respeito e ter graça nos momentos certos, isto é, tem uma performance decente.

Dito tudo isto, Patrick Stewart é um dos pontos altos do filme. A sua atuação consegue ser trágica e humana, humanizando um super-herói ao ponto de estarmos com ele na sua vida, de percebermos e vivermos aquilo por que ele está a passar, a chorar com ele. Stephen Merchant também tem neste filme uma lufada de ar fresco na sua carreira, e apresenta uma performance bastante competente.

Ainda que o filme não seja uma obra-prima nas mais variadas áreas, o desfecho do final é satisfatório o suficiente para que esta aventura de Wolverine seja uma conclusão competente nesta saga que conta já tantos filmes. Logan é uma boa despedida desta personagem – consegue equilibrar um ambiente pesado e doloroso com um lado inspirador e de esperança.

Pedro Gomes é Editor de Cinema no 8.5Bits | pedrogomes@8dot5bits.com

Com a escrita e a música em plano de fundo desde pequeno, e sendo licenciado em Argumento pela ESTC e autodidata musical por natureza, ambiciona escrever filmes, séries, e compôr música para cinema.

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