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O GRANDE LEBOWSKI – Relembrar o Gajo

Como recordar é viver, já dizia alguém, esta semana celebramos na companhia dos enormes Jeff Bridges, John Goodman e Steve Buscemi, o vigésimo aniversário do clássico filme de culto dos Irmãos Cohen, que recentemente se juntaram à mesma mesa, para um jantar de comemoração do mesmo.

 

Foto 2oº Aniversário

 

Este filme que, nascido há vinte anos atrás, e de então para cá inspirou a sua própria religião e filosofias de vida, é um dos mais apreciados e discutidos filmes que há memória, que geração após geração, ainda consegue ver vezes sem conta.

Se nunca viu, siga a nossa recomendação, e se depois de o ver uma vez, tiver vontade de ver a segunda, ou uma terceira, faça-o, e faça-o com prazer, porque está na presença do tipo de filme em que vai descobrir sempre novas coisas a cada exibição, e que o arrastará para quase uma sessão terapêutica.

Faz neste mês em Portugal, dia 30, 20 anos, o filme de nome, O Grande Lebowski, estreava, e com ele vieram claro as primeiras teorias sobre o que faz de um filme, um filme do estilo de culto, este que é bem capaz de ser o verdadeiro, o genuíno e primeiro filme de culto do cinema moderno, incorporado obviamente, na persona do Dude.

Dude, possivelmente o mais preguiçoso, relaxado, despreocupado ser humano em Los Angeles, é ao mesmo tempo, e até estranhamente, a personagem central desta história, inspirada numa pessoa da vida real, que nos ilumina fascinantemente com toda a sua aura calma e tranquila, um pacifista em todos os pensamentos e aspetos, e mesmo até um símbolo para muitos, dos ensinamentos budistas.

Esta personagem eternizou-se, em toda a década dos anos 90, como uma das mais centrais e moralmente carismáticas da época, criada e idealizada por dois excelentes argumentistas, que do mesmo sangue que partilham, extraíram em conjunto as melhores ideias, que deram azo a dezenas de grandes filmes ao longo dos seus vários anos.

O filme que se desenrola em Los Angeles, Califórnia, é na base uma comédia envolta na cobertura por crime, em que Dude, confundido por um milionário com o seu mesmo nome e apelido, procura recuperar o seu tapete arruinadamente urinado por criminosos, e conta com os seus colegas da equipa de bólingue para o fazer.

Preenchido ao detalhe por uma linguagem muito própria, torna-se por vezes difícil de descrever para quem não aprecie este tipo de filmes, mas na verdade, é que se a personagem Dude, um orgulhoso fumador e bebedor funcionar e fizer sentido em nós, somos imediatamente transportados para esta viagem alucinante, porque o facto é que é divertido de ser ver, para bem entreter e que num sempre tom inteligente nos prende à ação, tanto ao nível do seu humor como do talento presente, em que se cruzam a odisseia escrita entre o homem e o seu derradeiro cosmos.

O herói de cada um de nós, alucinante e cativante, Dude é um ácido que nos sobe à cabeça e nos projeta em sequências de sonhos e pesadelos, numa roda de acontecimentos que o fazem ser um verdadeiro Deus nos tempos atuais, e que sempre de forma subtil, nos traz umas boas e agradáveis gargalhadas.

Não precisa de nos refutar, não há filme que mais bem disponha que este, uma peça deliciosamente bem escrita, realizada como na ponta do nariz, com atuações extravagantes e que nos ficam na memória, é o filme que, depois de escavado um pouquinho, o vai prender para sempre.

Um grande clássico para ver ou rever, onde como sempre, o Dude obedece.

9/10

TÍTULO ORIGINAL: The Big Lebowski
REALIZAÇÃO: Joel Cohen
ARGUMENTO: Ethan Cohen, Joel Cohen
ELENCO: Jeff Bridges, John Goodman, Julianne Moore, Steve Buscemi, Philip Seymour Hoffman, John Turturo
GÉNERO: Comédia, Drama
DURAÇÃO: 112 minutos

22 anos. A licenciar-me em Comunicação Social e Cultural. Um futuro Jornalista de Cinema.
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