Teste a ‘Horizon Zero Dawn’

Horizon Zero Dawn é a grande aposta da SIE na holandesa Guerilla Games, produtora de jogos como Killzone ou RIGS que, para todos os efeitos, são títulos que não servem de referências próprias para a concepção desta mais recente aventura pós-pós-apocalíptica. Os grandes jogos, por vezes, não são aqueles que lançam as sementes de novos sistemas de jogabilidade ou normas de organização de uma cosmologia, mas sim aqueles que aprendem e sabem reproduzir e melhorar estes elementos. Horizon Zero Dawn não é um jogo inovador, mas foi buscar as melhores peças de engrenagem dos melhores jogos dos últimos anos e o resultado é fabuloso.

De uma forma muito clara, os jogadores vão olhar para Horizon Zero Dawn e lembrar-se de Middle Earth: Shadow of Mordor e The Witcher 3: Wild Hunt. Por um lado temos uma visão aprimurada da realidade com o dispositivo que Aloy encontra numa caverna no início do jogo, tal como Talion consegue entrar num limbo e visualizar outros seres e objectos à sua volta ou Geralt que consegue estudar o ataque de um grifo numa aldeia e perceber qual o caminho a seguir e mesmo chamar o cavalo com um assobio. Depois temos um sistema de escala e distância igual ao de Shadow of Mordor, tal como a recolha de recursos por todo o mapa, a conversão das máquinas para, por exemplo, as podermos cavalgar (tal como Talion converte os Caragors para irmos de um ponto ao outro do mapa mais rapidamente) ou o sistema de evolução de habilidades que é exactamente igual – muito prático, porém inteligente. Só faltava algo como o Sistema Nemesis. Os menus são simples de explorar e embora possuam muita informação, conseguem ainda ser mais user-friendly que os de Final Fantasy XV.

Horizon Zero Dawn é uma vitória a todos os níveis!

Mas o ponto mais importante de todos, aquele que origina a malha das missões principais e das missões paralelas, é o factor cinematográfico. A animação é impressionante até nas transições entre cut-scene e o ambiente de jogo. O motor gráfico é do melhor que existe (chama-se Decima e será também utilizado em Death Stranding de Hideo Kojima). A banda sonora e a tridimensionalidade do som (por exemplo quando rodeamos o Pescoçudo e ouvimos as suas pegadas, ou quando seguimos uma personagem que está a falar connosco) trazem um realismo ímpar para o percurso da narrativa – ficando claro que o jogo está totalmente em português e chegamos ao ponto de sentir que estamos a ver um filme da Pixar. Já a inteligência artificial das personagens e NPC‘s é digna e bem concebida e até as condições meteorológicas têm vida própria, pois as nuvens movimentam-se consoante a velocidade do vento e tudo o que acontece no solo (explosões, fumos, etc) influenciam o estado do tempo e a visibilidade.

Horizon Zero Dawn é uma vitória a todos os níveis! Reparem só que estamos a falar de um blockbuster, do melhor que se consegue produzir, em que a personagem principal é, curiosamente, feminina. Aloy é uma jovem rapariga que vive exilada da sua tribo e passa toda a sua infância e adolescência a tentar descobrir quem é, de onde veio e qual a sua história, ao lado de um homem que ficou encarregue de zelar por ela, ele próprio um pária, com muitos segredos que são revelados no percorrer da história. Estamos habituados a poucas protagonistas de videojogos com budgets de grande dimensão como este – e contam-se pelos dedos: Tomb Raider, MetroidBeyond Good & EvilThe Last of Us

Horizon Zero Dawn chega como a nova jóia da coroa da Sony PlayStation.

Este é um videojogo ponderado, com uma protagonista feminina e um conjunto de personagens, sejam homens, mulheres, máquinas ou entidades, que mantém um equilíbrio de importância na dramaturgia e com isso consegue calcetar o caminho para um grande público. Embora o argumento seja excepcional para um videojogo, não me parece que seja um conceito que se possa tornar episódico como as aventuras de Lara Croft, mas espero bem que isso aconteça.

Com uma jogabilidade para todos os gostos, por vezes complexa, outras vezes acessível, e missões que também vão agradar aos fãs dos géneros de plataformas, shooters e aventura / mistério, Horizon Zero Dawn chega como a nova jóia da coroa da Sony PlayStation, para um target de jogadores tão amplo quanto as possibilidades de exploração e evolução neste mundo povoado pelo Homem e pela máquina.

Bernardo C. é Director do 8.5Bits

Video Review

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