‘Sing’ – Análise ao Filme

Mais um filme da Illumination

Sing é um filme de animação para crianças e é uma espécie de mistura entre Zootopia e os Ídolos. A história passa-se num mundo habitado por animais e não pessoas, e onde um coala cria uma competição para todos os cantores da cidade, numa última tentativa de salvar o seu teatro da inevitável bancarrota.

Infelizmente, tal como o último trabalho da Illumination, A Vida Secreta dos Bichos, também Sing é fraco no que toca à narrativa. Ainda que hoje em dia o panorama seja dominado em grande parte por remakes ou reboots, este filme não se consegue destacar, também porque o formato que Sing utiliza – o de um concurso de talentos – já tenha sido tantas vezes utilizado e não é refrescante, em vez disso é cansativo e ficamos com a sensação de que já vimos este filme dezenas de vezes, mesmo que o conceito seja original no que toca a filmes de animação.

No decorrer deste ano já tivemos vários filmes cujas personagens são animais, e Zootopia foi o filme mais bem-sucedido desta vaga, por isso faz sentido analisarmos este filme à luz do da Disney. Zootopia funciona porque o facto de o universo ser exclusivamente animal está intrinsecamente ligado com o próprio plot; por exemplo, os funcionários serem interpretados por preguiças tem piada porque sabemos que estes animais são conhecidos pela sua lentidão. Já em Sing, nada disto é relevante; um gorila canta porque sim, um porco canta porque sim – o filme ser protagonizado por animais é apenas uma ferramenta de marketing e não está lá para servir a narrativa geral do filme. Não há nenhuma razão palpável para que as personagens sejam animais, apenas o são porque… são queridas e as crianças (supostamente) gostam disso.

Posto isto, o filme é incrivelmente formulaico. Tem (muita) música, humor, sequências de ação, mas ainda assim nunca sentimos que estamos a ver algo orgânico, algo vivo; em vez disso, parece que estamos a assistir a algo que foi meticulosamente criado e estruturado para funcionar mas nem por isso há algo que nos prende àquele mundo. Tudo é demasiado previsível, todos os tempos são demasiado certos, e toda a artificialidade está demasiado à vista.

Alguns momentos têm realmente piada mas nem por isso são suficientes para salvar o filme. Estas quase duas horas estão mais perto dum anúncio publicitário aos grandes êxitos pop das últimas décadas do que propriamente de um filme que se destaque no meio de tantos e tantos outros. Mas não me parece que esse fosse o objetivo da Illumination; como produto pronto a ser consumido pelas camadas mais jovens, Sing funciona.

Pedro Gomes é Editor de Cinema no 8.5Bits | pedrogomes (arroba) 8dot5bits.com

Escrito Por
Com a escrita e a música em plano de fundo desde pequeno, e sendo licenciado em Argumento pela ESTC e autodidata musical por natureza, ambiciona escrever filmes, séries, e compôr música para cinema.

Deixa o teu Comentário

Recuperar a Password

Escreve o teu nome de utilizador ou e-mail. Vais receber um link para criares uma nova password na tua caixa de correio electrónico.

Registar

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.