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Videojogos

Teste a ‘Déraciné’

Déraciné é o título de estreia na Realidade Virtual do director da FromSoftware, Hidetaka Miyazaki, e da própria FromSoftware. Para quem não conhece, Hidetaka Miyazaki é um dos nomes associados ao mais que conhecido Bloodborne. Em Déraciné, os jogadores controlam um espírito num colégio interno, num mundo onde o tempo pode parar, e no qual vamos tentar resolver um mistério através dos fragmentos de informação que apanhamos. A história desenrola-se aos poucos, fragmentada, sem um aparente fio condutor, mas à medida que avançamos esta vai-se formando, apesar de não ser nada do outro mundo, mas é suficientemente interessante para nos querer fazer chegar ao final. Não vamos estragar algumas das surpresas que vos aguardam, mas ao completar a jornada sentimos um misto de sensação de dever cumprido e vontade que o jogo continuasse, acima de tudo porque é bastante curto e limitado ao cenário do colégio.

Déraciné é, na sua essência, um jogo de aventuras, na linha das clássicas aventuras gráficas, mas com recurso à Realidade Virtual e aos controlos PS Move, um requisito obrigatório deste jogo, que em muito contribuem para a sensação de imersão, embora sem deixarem de trazer os problemas associados à jogabilidade aos que, infelizmente, já nos vamos habituando quando falamos de jogos para o PSVR com este tipo de controlo, que em nada contribui para a fluidez da ação em jogos mais rápidos. Afortunadamente, não estamos perante um título de ação, mas sim perante uma aventura pausada e na qual queremos perder algum tempo para observar tudo o que nos rodeia, pelo que o uso do PS Move é o mais adequado. Com um comando Move em cada mão, iremos controlar as mãos do espírito que controlamos, interagindo com os objetos no cenário, assim como com os nossos anéis, um em cada mão, com funções diferentes que aprenderemos durante o tutorial.

Graficamente, estamos perante um jogo que aproveita bem as já parcas capacidades da PS4, pois ao ser pausado e em espaços fechados permite um detalhe bastante satisfatório ao nível dos cenários e objetos com que interagimos. A música poderia ser mais elaborada, pois limita-se a melodias muito semelhantes entre si, sempre em violino, que são, no entanto, adequadas à atmosfera que se pretende transmitir. Já as vozes, completamente em português, são muito agradáveis de ouvir, apesar de ser aconselhável ligar as legendas, para que melhor se compreendam todas as mensagens. A banda sonora, essa sim, poderia ser bem melhor: estamos perante uma série de melodias tocadas em violino, muito adequadas à atmosfera que se pretende transmitir, mas são, sem dúvida, monocórdicas, e ao fim de pouco tempo tornam-se tão agradáveis como o som de um martelo pneumático.

Gostaríamos de dizer que estamos perante um título que vem revolucionar os jogos em Realidade Virtual. Gostaríamos de dizer que Déraciné é um título obrigatório. Gostaríamos, mas não o podemos fazer. Não nos interpretem mal, Déraciné é um bom videojogo, uma boa aventura gráfica, nota-se que foi feito com carinho e com a vontade de nos fazer viver uma experiência diferente, original, que nos cause impacto a nível emocional, e consegue-o a espaços. No entanto, tendo em conta a sua curta duração, a falta de variedade nos cenários e na música, e a falta de alguma substância a nível de conteúdo em geral, estamos perante apenas mais um entre tantos pequenos jogos para o PSVR, o que é pena, pois Déraciné tem boas ideias e teria potencial para se destacar. No seu estado, é uma boa aventura, mas só isso…

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

6.9
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Déraciné

Déraciné é um bom jogo de aventuras, no qual o jogador constrói a história com os fragmentos de informação que encontra durante a sua jornada. Não é perfeito, mas é uma boa adição às bibliotecas de jogos que ainda não contem com nada deste género.

Pros

  • História interessante, dá-nos vontade de ir até ao fim.
  • Grafismo bastante aceitável para um jogo em Realidade Virtual.
  • Totalmente em português, incluindo as vozes.
  • Controlos com o PS Move ajudam à imersão.

Cons

  • Curto.
  • A música é tão repetitiva que incomoda.
  • Requer dois comandos PS Move, o que pode deixar alguns jogadores de fora.
Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.
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