9.1
Muito Bom
Videojogos

Teste a ‘Destiny 2: Forsaken’

E é assim que inicia Destiny 2: Forsaken, já disponível para PC, PS4 e Xbox One. O nosso simpático Cayde-6 é morto a sangue frio por Uldren Sov, que regressa após os eventos de The Taken King, uma das expansões do primeiro Destiny. Destiny 2: Forsaken abandona até certo ponto o tom épico das narrativas em que queremos salvar o mundo, ou até mesmo o universo, para se centrar numa simples vingança. O que não é mau, mas já lá vamos.

Para os que ainda não sabem o que é Destiny 2 (já agora, se têm PS4, é este o título que encabeça os jogos do PS Plus deste mês, embora sem as expansões), este é um híbrido entre FPS e MMORPG da Bungie, que produziu a série Halo. O universo de Destiny conta já com um número muito considerável de títulos, pois os dois jogos tiveram já, no seu conjunto, diversas expansões de conteúdo.

Destiny 2: Forsaken é a última dessas expansões, e transforma suficientemente o jogo base para que se justifique fazer-lhe uma nova análise. Ou melhor, não o transforma, como acontece em algumas atualizações de conteúdo aos MMOs em geral, mas acrescenta-lhe muito mais do que simplesmente zonas e armas. Tem novos Strikes, um novo Raid a abrir em breve, The Dreaming City, e um novo modo de jogo, Gambit. Este modo, por si só, quase justifica que se considere este Destiny 2: Forsaken uma expansão que marca um ponto de viragem naquilo que Destiny 2 foi: é um modo cooperativo/competitivo, no qual duas equipas de quatro elementos correm contra o tempo para eliminar inimigos controlados pela inteligência artificial até conseguirem chamar um Boss. A primeira equipa que o derrubar ganha o round, e a partida é à melhor de três. No entanto, e é aqui que a diversão dá um passo ainda mais à frente, de vez em quando somos levados ao cenário onde se encontra a equipa que compete contra nós. Obviamente, o nosso objetivo é atrapalhá-los o mais possível, de preferência matando-os a todos.

Já falámos do antagonista principal da história, mas ele não está só: os Scorn, novos inimigos, não são muito diferentes dos nossos conhecidos Fallen, incluindo nas suas tipologias e habilidades, mas os Baron são as estrelas de Destiny 2: Forsaken. A nossa primeira missão, na qual acompanhamos Cayde-6, passa-se numa prisão da qual Uldren Sov foge, levando com ele os que serão, ao longo da campanha, os tradicionais bosses de final de missão, sendo cada um deles único no seu aspeto, nas táticas que emprega e na forma que temos de os derrotar. A história, como já dissemos, centra-se na nossa vingança, mas revela um pouco do que está para vir nas próximas expansões, mas não o vamos revelar, pois não queremos dar spoilers.  Digamos apenas que, em especial durante algumas cutscenes, os mais atentos repararão que há algo muito maior por detrás do que Uldren fez, ou do que nós faremos. Fica também um elogio ao excelente trabalho, quase cinematográfico, nas animações e nas vozes das inúmeras cutscenes que o jogo nos apresenta. Não estamos ainda perante um argumento digno de ganhar óscares em Hollywood, mas a história e a forma como vai sendo contada é, no mínimo, empolgante.

Aproveitando a deixa, tecnicamente podemos esperar o mesmo que no jogo de base, Destiny 2: grafismo e trabalho de arte excelentes, sonoplastia sem mácula e banda sonora rica, mesmo que não se dê muito por ela, culpa dos tiros e explosões constantes. Se, por acaso, só vão começar a jogar agora, ou se querem tentar uma nova classe, Destiny 2: Forsaken vem com um boost de personagem incluído gratuitamente, que vos levará até ao anterior nível máximo de personagem, 30, e equipamento de nível 320 de Light. Os novos máximos são, respetivamente, 50 e 500, pelo que esta expansão também vos levará a quererem voltar a subir de nível. Apenas um par de notas em relação a estas personagens elevadas a nível 30: em primeiro lugar, cuidado com a vossa escolha, pois saltarão praticamente todo o conteúdo anterior de Destiny 2, que apenas poderão ver numa outra personagem, o que vos pode obrigar a começar de novo; em segundo lugar, o equipamento de 320 Light não é o mais indicado logo para a primeira missão, que é requisito para desbloquear o resto. Concretamente, ficámos encravados no boss final dessa missão porque simplesmente não tínhamos equipamento suficiente para o matar, o que nos levou a ter de voltar atrás no jogo, às zonas antigas, subir um par de níveis, apanhar novas armas, para só aí podermos, finalmente, entrar na zona nova. Só por curiosidade, fica em seguida a gravação de quando o conseguimos derrubar.

Outro aspeto em que o jogo não é nada nosso amigo é no preço. Se já tiverem Destiny 2 e as duas expansões anteriores, Forsaken custa 39,99€, mas em breve terão de desembolsar mais algum dinheiro para as duas próximas expansões que sairão no espaço de um ano. Há também uma edição que inclui Forsaken e o Anual Pass, por mais 29,99€ euros, ou a Digital Deluxe por 79,99€. Se não têm nada ainda, todo o conteúdo anterior, mais Forsaken, custa 69,99€ euros, e se lhe acrescentarem o Anual Pass, 99,99€. Tudo isto com a promessa de, muito provavelmente, virmos a ter novo conteúdo para adquirir daqui a precisamente um ano. E isto já sem falar de, nos casos das consolas, ser necessário pagar o PS Plus ou o Games with Gold para a maioria das atividades no jogo. Em suma, e feitas as contas, quer os jogadores novos quer os antigos, têm alguma razão de queixa em relação ao que vão pagar,. É certo que é um jogo que apenas se tornou realidade graças a um orçamento altíssimo, é certo que os servidores constantemente ligados têm custos elevados, é certo que temos conteúdo para meses e meses de jogo, mas vender um jogo como sendo completo mas que, afinal, vai continuar a ser pago ao longo do tempo para poder ser atualizado, não será a forma mais transparente de uma companhia se relacionar com os clientes. Esta prática tem sido recorrente na Activision-Blizzard, bastando olhar para o exemplo dos Call of Duty anuais com diversos DLCs lançados ao longo dos anos, mas não só: ainda há pouco tempo, as ações da Electronic Arts caíram a pique porque os jogadores se fartaram de comprar jogos que são vendidos como completos mas que afinal são pouco mais que demonstrações, pois muitos têm quantidades tais de DLCs, pagos a preços demasiado elevados, que não justificam a aquisição de um jogo base no qual pouco ou nada se pode fazer, isto se falarmos da componente que se tornou cada vez mais a mais impotante dos jogos, a interação online.

Tendo tudo isso em conta, podemos afirmar que Destiny 2: Forsaken é uma boa aquisição para quem pretender realmente jogar e dedicar-se a ele na maior parte do seu tempo livre, ao longo de vários meses, não só para rentabilizar o investimento mas também porque esta expansão aparenta não ser tão amiga dos jogadores casuais como foi o Destiny 2 original, requerendo mais algum tempo para ser explorada a sério. Os que se encontram em condições, quer financeiras quer de disponibilidade, de se dedicarem a esta aventura, vão encontrar atividades variadas e interessantes, uma história emocionante, novas e velhas caras em situações pouco fáceis de antecipar antes desta expansão, e todo um novo mundo no qual adorarão perder-se a explorá-lo.

 Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

9.1
Muito Bom

Destiny 2: Forsaken

Destiny 2: Forsaken recupera os elementos do primeiro Destiny que mais agradaram aos jogadores e expande-os ao segundo, resultando numa história mais séria, mais cativante, mais bem contada que a do jogo base. Os Strikes, Raids e Gambits de Forsaken e futuras expansões trazem ao jogo o endgame que faltava.

Pros

  • Nova campanha com uma história interessante.
  • Muitas diferentes atividades para realizar.
  • Grafismo e cenários continuam deslumbrantes.
  • Introduz bastante conteúdo para o nível máximo.

Cons

  • O endgame requer tempo e dedicação.
  • Como é tradição de Destiny, todo o futuro conteúdo será pago.
Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.
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