8.5
Bom
Videojogos

Teste a ‘Firewall Zero Hour’

Chegou ontem à PS4 mais um exclusivo para o PSVR, Firewall Zero Hour. Para melhor entenderem de que tipo de jogo se trata, a melhor comparação que poderíamos estabelecer seria que estamos perante uma espécie de Counter Strike em realidade virtual, pois os elementos do título da Valve estão todos cá: temos confrontos por equipas, de jogadores contra jogadores, em mapas diversos, com uma equipa a atacar o objetivo e outra a defendê-lo, objetivo esse que consiste sempre em hackear um computador portátil, depois de passar pelas diversas firewalls, que dão o título ao jogo. Após um pequeníssimo tutorial, que serve para nos ambientarmos com os controlos, estamos prontos para entrar em ação.

Quanto a modos de jogo, temos um modo simples para um só jogador, ideal para continuarmos o nosso período de ambientação ao jogo, pois temos bastante mais saúde que os adversários e eliminamos facilmente vários deles, mesmo estando sós. Depois, será recomendável experimentar o modo cooperativo contra a Inteligência Artificial, onde teremos já uma ideia de como são os combates do modo competitivo multijogador, que será o ponto central de Firewall Zero Hour. Os jogadores mais ou menos habituais de jogos de tiros em primeira pessoa saberão decerto que o modo competitivo online não se esgota facilmente, pelo que estamos perante um título em Realidade Virtual com uma longevidade muito acima do que é habitual.

Firewall Zero Hour é o mais recente título para PSVR a ser vendido num pacote em conjunto com o Aim Controller, pelo que podemos concluir que é assim que deve ser jogado, apesar de também haver suporte para o Dualshock 4. Mas, obviamente, o Aim Controller permite-nos uma sensação de imersão e um controlo muito mais preciso que seria o do comando. E imersão é mesmo a palavra de ordem neste título: os gráficos, para um jogo do PSVR, são dos mais detalhados e realistas que tivemos oportunidade de ver, pois por culpa das limitações da PS4 os jogos em VR costumam ter um grafismo muito abaixo da média, mas não é o caso de Firewall Zero Hour. Poder-se-ia pensar que os cenários seriam algo limitados em tamanho para fazer face às tais limitações, mas não: serão da dimensão aproximada dos mapas de outros jogos do género, como o já mencionado Counter Strike.

O trabalho ao nível do som também não fica nada atrás dos aspetos gráficos: as vozes em português estão muito boas, os efeitos sonoros, em particular os dos disparos, são muito convincentes, as músicas são poucas, mas típicas de jogos (ou até filmes) de ação, contribuindo para a recreação do ambiente, que se quer, ao mesmo tempo, tenso mas frenético. A ação, infelizmente, não é tão frenética como desejaríamos, pois movemo-nos lentamente, mesmo a correr, isto em comparação com a maioria dos FPS clássicos, o que pode ser algo irritante para quem está habituado às rondas rápidas de Call of Duty ou Counter Strike. Por outro lado, encontrámos várias falhas na deteção de colisão, em especial no que se refere aos disparos à queima-roupa. Não é normal encostar o cano de uma caçadeira a um adversário, disparar, e falhá-lo, tendo que recorrer à faca para o eliminar. E isto aconteceu várias vezes…

Tudo somado, estamos perante um dos melhores títulos do PSVR dos últimos tempos, especialmente pelo uso do Aim Controller. Firewall Zero Hour não é um título perfeito, nem agradará a todos, mas é um ótimo exemplo de como se podería alargar o parco catálogo de realidade virtual da Playstation, repleto de pequenas experiências e de títulos de qualidade duvidosa, mas ainda sem jogos que permitam convencer a maioria dos jogadores, sem verdadeiros blockbusters, salvo as honrosas excepções de Resident Evil VII e de Dirt Rally. Firewall Zero Hour, sem ter o peso de nomes como esses, prova que o PSVR pode servir para algo mais que pequenas experiências. Será que é desta que mais estúdios começam a seguir o exemplo?

 

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

8.5
Bom

Firewall Zero Hour

Firewall Zero Hour é o mais recente título para uso com o Aim Controller, especialmente focado na vertente competitiva online. Uma ótima aposta para quem procura uma alternativa válida e muito mais imersiva a Call of Duty ou a Counter Strike.

Pros

  • Grafismo detalhado em Realidade Virtual.
  • Cenários variados e detalhados.
  • Duração quase ilimitada.
  • Suporte para Aim Controller.
  • Totalmente em Português.

Cons

  • Deteção de colisão bastante deficiente.
  • Sensação de lentidão a andar.
Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.
Scroll to top