8.9
Bom
Videojogos

Teste a ‘Moss’

Lançado no dia 27 de fevereiro pelas mãos da Polyarc, Inc., Moss conta-nos a história de Quill, um pequeno rato que controlamos ao mesmo tempo que a nossa própria personagem. Sim, em Moss controlamos Quill com o comando, num típico jogo de plataformas, ao mesmo tempo que nós próprios interferimos com as nossas mãos, que seguram esse mesmo comando, apanhando objetos dos cenários, arrastando pedras, curando Quill e imobilizando inimigos.

Os cenários são, efetivamente, muito bem elaborados e pensados, em vários aspetos: são belos, são coloridos, são bastante detalhados, parecendo-nos que estamos efetivamente a controlar um pequeno ser numa espécie de casa de bonecas. Ao não haver movimentos de câmara nem grande distância a desenhar no motor de jogo, consegue-se que, mesmo face às limitações de hardware da PS4, haja bastante detalhe nas texturas e consegue-se eliminar permanentemente o efeito de enjoo do qual sofrem muitos dos jogos do PSVR. Ou seja, aproveitaram-se inteligente e artisticamente as possíveis falhas, resultando num jogo belo e apetecível.

A música e os efeitos sonoros são agradáveis e ajudam à imersão. Se a ideia de controlar-mos um pequeno rato num jogo de plataformas com ideias claramente inspiradas num Tomb Raider ou num Uncharted poderia parecer estapafúrdia, rapidamente nos sentimos absorvidos por um mundo que tem tanto de mágico como de familiar: explorar cenários como um antigo campo de batalha em que seres gigantescos combateram há muito, vulgo humanos, e vaguear por entre espadas que servem de pontes ou elmos do tamanho de casas, cria simultaneamente em nós estes efeitos aparentemente antagónicos de familiaridade e estranheza.

Apenas não gostámos muito dos combates. Surgem-nos ao caminho inimigos como, por exemplo, escaravelhos, que derrotamos sempre com a mesma combinação de golpes. Na maioria dos casos, são combates insípidos e repetitivos, que nada acrescentam à experiência de jogo. Outro aspeto discutível, que agradará a alguns mas não a todos, é a falta de linearidade de alguns puzzles. É claro que é bom que o jogo nos coloque desafios e que estes não sejam demasiado óbvios de superar, mas alguns deles não são nada óbvios e não há nada que nos possa ir indicando pistas, o que pode desencorajar os mais novos, pois este é um jogo para toda a família, ou os mais impacientes.

Resumindo, Moss é uma boa aquisição para qualquer biblioteca de PSVR, sobretudo para os amantes de aventuras em geral e de jogos de plataformas em particular: é interessante, é divertido, é intrigante, é belo, é apropriado para novos e velhos.

 

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

8.9
Bom

Moss

Um bom exemplo de como se pode criar um jogo em realidade virtual, sem qualquer hipótese de provocar enjoos e sem quebras de fluidez. Recomendado para todas as idades.

Pros

  • Não provocará enjoos a ninguém.
  • Jogabilidade acessível.
  • Grafismo simples mas belo.

Cons

  • Combates simplistas e, muitas vezes, desnecessários.
  • Alguns puzzles não são óbvios e não há qualquer ajuda.
Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.
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