8.8
Bom
Videojogos

Teste a ‘The Persistence’

Todos estão mortos… incluindo nós próprios. Mas há uma pequena hipótese de conseguirmos escapar, recuperar a nossa vida e reparar os sistemas danificados da nave “The Persistence” antes de voltar à Terra. No entanto, não será fácil: o campo gravitacional de um buraco negro está a atrair-nos inevitavelmente, e os sistemas danificados da nave estão agora a criar clones com mutações dos nossos antigos companheiros de tripulação… Preparem-se para morrer. Muitas vezes. Para dizer a verdade, começamos o jogo mortos, mas somos clonados e reencarnados de cada vez que morremos, não como as aberrações mutantes que povoam os corredores da The Persistence, mas sim com as nossas memórias e personalidade.

Esta é a premissa de The Persistence, que pode não fazer dele o título de terror mais original do mundo, pois recorda-nos imediatamente de Doom ou da saga Dead Space, mas é suficiente para nos levar a uma viagem assustadora em Realidade Virtual, perdidos no espaço e rodeados de mutantes que mais parecem zombies saídos diretamente de Left 4 Dead.

No entanto, as diferenças entre The Persistence e os títulos mencionados acima, dos quais bebe certamente alguma inspiração, são principalmente notórias a dois níveis: em primeiro lugar, estamos perante um jogo de ação furtiva, muito mais ao estilo de Thief ou Dishonored do que ao estilo Doom, ou seja, se nos armarmos em Rambos e dispararmos contra tudo o que se mexe vamos passar mais tempo estendidos no chão do que a jogar; e em segundo lugar, os cenários não são pré-definidos, mas sim gerados aleatoriamente, o que significa que cada sala da nave é diferente de um jogo para outro, o que aumenta a tensão, pois nunca sabemos o que nos espera, assim como temos um motivo para voltar a jogar depois de concluída a generosa campanha, de cerca de oito horas. Depois de terminada a campanha desbloquearemos o modo Survival, que nos desafia a completar o jogo com apenas dez vidas. Podemos jogar furtivamente, o que é aconselhado, mas obviamente teremos armas para nos defendermos. É pena que The Persistence esteja desenhado exclusivamente para ser jogado com o DualShock 4, pois seria um título perfeito para usar o Aim Controller ou o PSMove. Convém ter algum cuidado com as definições que usam para mover-se com o comando, pois facilmente causam enjoos se o movimento for rápido demais. Experimentem as várias configurações e usem uma que não vos dê vómitos ao fim de dois minutos.

O maior trunfo de The Persistence é o modo a dois. É um modo de jogabilidade assimétrica, em que um jogador usa o PSVR e outro usa um smartphone com a aplicação do jogo, disponível para IOS e Android, bastando procurar por “The Persistence” em qualquer uma das lojas. Depois, basta ligar o telemóvel à mesma rede em que estiver a PS4 e o jogador que estiver com o telemóvel tem acesso ao mapa de cada sala em que entra o jogador que está no PSVR. A partir desse mapa, o segundo jogador pode atrair inimigos para outros sítios, abrir portas, desmontar armadilhas, congelar inimigos, ajudando-nos. Só que o nosso “amigo” também ganha recompensas se nos matar, e é imensamente mais divertido fazer aparecer novos inimigos e levá-los mesmo até ao sítio onde o primeiro jogador se encontra, só para ver a reação dele…

Graficamente, o jogo é bastante bem conseguido, mas não esperem cenário0s deslumbrantes, pois tudo se resume ao interior da nave. No entanto, isto é algo positivo, pois as limitações técnicas da PS4 não lhe permitiriam criar cenários altamente complexos em Realidade Virtual, como já vimos em, por exemplo, Arizona Sunshine. Aqui, tal como em Resident Evil VII, os cenários pequenos e com poucos objetos a renderizar permitem-nos ter uma experiencia de jogo mais detalhada e fluida, acima de tudo mais convincente, o que se quer num jogo de terror. A banda sonora também cumpre e ajuda a criar a sensação de isolamento e tensão que nos faz saltar da cadeira… ou colar-nos a ela. Os sons emitidos pelos mutantes são também eles bastante convincentes, especialmente nas alturas em que nos atacam. Não é, de resto, uma experiência apropriada para quem tenha problemas cardíacos.

Resumindo, estamos perante um título em Realidade Virtual bastante apetecível, isto se formos adeptos do género de terror ou um pouco masoquistas: é tecnicamente competente, tem uma boa jogabilidade, algum valor para ser jogado por uma segunda ou terceira vez, e altamente recomendado se tiverem algum amigo que vos acompanhe na jornada de telemóvel em punho.

 

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

8.8
Bom

The Persistence

The Persistence é um ótimo título de terror em Realidade Virtual, conseguindo realmente assustar-nos e dar-nos medo de nos movermos do sítio. O facto de os cenários serem gerados aleatoriamente torna-o sempre diferente. A jogabilidade assimétrica com um amigo no telemóvel é muito divertida.

Pros

  • Ambiente de terror no espaço.
  • Sensação de imersão.
  • Longevidade garantida pelos níveis gerados aleatoriamente.
  • Divertidíssimo para se jogar com um amigo na aplicação do telemóvel.

Cons

  • Podemos facilmente enjoar.
  • Sem suporte para PSMove nem Aim Controller.
Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.
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