Destaques Videojogos

Teste a ‘Middle Earth: Shadow of War’

Pelas mãos da Monolith Productions, distribuído pela WB games, chega a sequela de Middle Earth: Shadow of Mordor. Este segundo título, Shadow of War, está para o primeiro como Arkham City esteve para Arkham Asilum: baseia-se no primeiro jogo, já de si muito bom, e eleva-o ao estatuto de clássico. A comparação que estabelecemos não é casual, pois são títulos da mesma editora com mecânicas de jogo semelhantes, em especial no que diz respeito aos combates ou à ação furtiva.

Middle Earth: Shadow of War introduz uma série de elementos interessantes na jogabilidade, como por exemplo a possibilidade de lavar o cérebro aos comandantes Uruk e fazê-los juntarem-se a nós. Sim, vamos comandar exércitos de Orcs contra as forças de Sauron, por mais estranho que pareça. Mas este elemento não só funciona bem, como junta o elemento de estratégia à ação sem interrupções de Shadow of War.

Tecnicamente, Middle Earth: Shadow of War é bastante competente: o grafismo é bom, detalhado e adequa-se a uma recreação da Terra Média, tal como a música, que previsivelmente se assemelha à dos filmes de Peter Jackson. O trabalho de voz é também muito bom, com inúmeros Uruk a terem direito às suas próprias falas, em particular os comandantes, para nem falar dos diálogos que nos contam a história através das numerosas e empolgantes cutscenes. Na versão testada, a da Xbox, o jogo manteve-se sempre fluído, com algumas quebras no framerate que em nada atrapalhavam a jogabilidade, mas apenas quando havia demasiados inimigos no ecrã. Pena que isso aconteça com bastante frequência…

A campanha é bastante longa, de umas 15 a 20 horas, distribuídas por cinco zonas bastante diferentes umas das outras, o que, infelizmente, continua a ser raro nos jogos atuais. Pena que alguma dessa longevidade advenha do facto de ser necessário algum grind  para obtermos os itens e o equipamento de que necessitamos para evoluir… e foi aqui que os programadores cometeram o seu pecado capital, que retira muito do valor a Middle Earth: Shadow of War: se quiserem podem comprar, por dinheiro real, caixas cujo conteúdo é completamente aleatório, tal como se faz em alguns MMORPG infamemente conhecidos como tendo o modelo de negócio pay-to-win. É completa e absolutamente incompreensível que haja a opção de comprar espólio por dinheiro real num jogo de um só jogador, apenas justificada pela ganância sem limites de tirar mais dinheiro aos clientes. E é só por isso que Middle Earth: Shadow of War, em vez de poder ser considerado um jogo fantástico, é apenas um jogo bom.

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.

Deixe uma resposta

Scroll to top