Teste a ‘Middle Earth: Shadow of War’

Regressemos com Talion à Terra Média!

Pelas mãos da Monolith Productions, distribuído pela WB games, chega a sequela de Middle Earth: Shadow of Mordor. Este segundo título, Shadow of War, está para o primeiro como Arkham City esteve para Arkham Asilum: baseia-se no primeiro jogo, já de si muito bom, e eleva-o ao estatuto de clássico. A comparação que estabelecemos não é casual, pois são títulos da mesma editora com mecânicas de jogo semelhantes, em especial no que diz respeito aos combates ou à ação furtiva.

Middle Earth: Shadow of War introduz uma série de elementos interessantes na jogabilidade, como por exemplo a possibilidade de lavar o cérebro aos comandantes Uruk e fazê-los juntarem-se a nós. Sim, vamos comandar exércitos de Orcs contra as forças de Sauron, por mais estranho que pareça. Mas este elemento não só funciona bem, como junta o elemento de estratégia à ação sem interrupções de Shadow of War.

Tecnicamente, Middle Earth: Shadow of War é bastante competente: o grafismo é bom, detalhado e adequa-se a uma recreação da Terra Média, tal como a música, que previsivelmente se assemelha à dos filmes de Peter Jackson. O trabalho de voz é também muito bom, com inúmeros Uruk a terem direito às suas próprias falas, em particular os comandantes, para nem falar dos diálogos que nos contam a história através das numerosas e empolgantes cutscenes. Na versão testada, a da Xbox, o jogo manteve-se sempre fluído, com algumas quebras no framerate que em nada atrapalhavam a jogabilidade, mas apenas quando havia demasiados inimigos no ecrã. Pena que isso aconteça com bastante frequência…

A campanha é bastante longa, de umas 15 a 20 horas, distribuídas por cinco zonas bastante diferentes umas das outras, o que, infelizmente, continua a ser raro nos jogos atuais. Pena que alguma dessa longevidade advenha do facto de ser necessário algum grind  para obtermos os itens e o equipamento de que necessitamos para evoluir… e foi aqui que os programadores cometeram o seu pecado capital, que retira muito do valor a Middle Earth: Shadow of War: se quiserem podem comprar, por dinheiro real, caixas cujo conteúdo é completamente aleatório, tal como se faz em alguns MMORPG infamemente conhecidos como tendo o modelo de negócio pay-to-win. É completa e absolutamente incompreensível que haja a opção de comprar espólio por dinheiro real num jogo de um só jogador, apenas justificada pela ganância sem limites de tirar mais dinheiro aos clientes. E é só por isso que Middle Earth: Shadow of War, em vez de poder ser considerado um jogo fantástico, é apenas um jogo bom.

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

Ponderação Final
Um bom jogo de ação-aventura, que decerto fará as delícias de todos os que gostaram do universo de Tolkien, dos jogos da série Arkham ou simplesmente de uma história interessante. Fica apenas manchado pela tentativa de exploração dos jogadores com as infames caixas...
Pontos Positivos
  • Grafismo e sonoplastia competentes, recriando a Terra Média na perfeição.
  • Sistema de combate empolgante.
  • Imenso conteúdo.
  • História interessante, contada em belas cutscenes.
Pontos Negativos
  • Os cercos são interessantes, mas aborrecem ao fim de algum tempo.
  • Às vezes os combates duram tanto tempo que se tornam chatos.
  • As controversas caixas...
8.5
Ótimo
Escrito Por
Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.

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