‘Thor: Ragnarok’ – Análise ao Filme

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Fãs da Marvel, nada temam. Não-fãs da Marvel, nada temam também. Thor: Ragnarok é um bom filme. Tem entretenimento e diversão que chegue para compensar os últimos filmes menos bons do grande estúdio americano (Ant-Man, conseguimos ver-te mesmo que te tentes esconder).

Taika Waititi filtra a história deste Thor por uma granda camada de humor e por um ambiente que não se leva sempre totalmente a sério, ou não tivesse sido Waititi o responsável pelo fenómeno indie What We Do In the Shadows – um mockumentary sobre uma comunidade de vampiros. A premissa, bem como o seu consequente desenvolvimento, deste novo blockbuster de super-heróis é apresentada de forma cativante, que faz com que o espetador nem se aperceba que está a olhar para um filme com enormes estrelas de Hollywood e para uma produção assombrosa de milhões e milhões de dólares. E ainda bem que não se apercebe. O dinamismo entre as personagens é bem construído o suficiente para nos prender a atenção até ao fim.

Se existiam ainda provas a dar sobre a química entre os dois atores principais, Chris Hemsworth e Tom Hiddleston voltam a tirá-las neste novo filme. O à-vontade com que as personagens interagem, sem nunca parecer forçosamente sério mas também sem estarem à procura de fazer piadas só porque sim, entretém bastante e é uma das (muitas) grandes mais-valias do filme. Também um dos grandes confrontos de Thor – o confronto com Hulk – é levado a cabo com humor, sem por isso deixar de ter alma. Grande parte destes momentos são executados num estilo descomprimido sem, no entanto, deixar de nos manter interessados nos desenvolvimentos da narrativa nem das personagens.

Mas ainda que o filme seja bom e consiga corresponder às expectativas dos fãs, há partes menos boas. Hela, a personagem interpretada por Cate Blanchett, devia ter sido pensada de forma mais profunda. Thor: Ragnarok tem uma vilã genérica e, verdade seja dita, não particularmente imponente. Não tememos realmente pelo futuro de Asgard quando a construção da personagem encarregada de a destruir é tratada de forma preguiçosa. Para além disso, o grande clímax do filme arrasta-se durante demasiados minutos sem que nada de verdadeiramente interessante – e com personalidade – aconteça. Uma vez que os espetadores conseguem decifrar com facilidade o final da história, os seus criadores deviam tê-los surpreendido em vez de lhes apresentarem o mesmo final a que todos os filmes de super-heróis se submetem.

À parte destes factores menos bons, a performance de Jeff Goldblum faz valer o preço do bilhete – o ator consegue roubar todas as atenções para si, sempre que aparece no ecrã. Mas enquanto não chega um filme protagonizado pela sua personagem, Thor: Ragnarok vale a pena ser visto e revisto.

7
Bom
Escrito Por
Com a escrita e a música em plano de fundo desde pequeno, e sendo licenciado em Argumento pela ESTC e autodidata musical por natureza, ambiciona escrever filmes, séries, e compôr música para cinema.

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