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‘Why Him?’ – Análise ao Filme

Why Him?, na verdade, é sobre quase nada. Talvez devesse só chamar-se Why?, porque essa é a pergunta que queremos fazer após estas quase duas horas.

Bryan Cranston interpreta um pai incrivelmente protetor que, como não poderia deixar de ser, tem vários problemas com o novo namorado da filha. Este é interpretado por James Franco, e à boa maneira deste tipo de comédias, todas as suas características são exageradas ao máximo. É bilionário, vive numa mansão gigante, não se sabe comportar perante outros nem domina as regras básicas da etiqueta social – dispara asneiras a torto e a direito e está demasiado à vontade em frente à família da namorada, que acabou de conhecer nem há dois minutos. Tudo isto se perde rapidamente num mar de escândalos, onde a personagem de James Franco se afoga constantemente, fazendo com que essa seja a única característica da sua personagem.

O filme é bastante representativo daquilo que se passa nas comédias R-rated de hoje em dia. Tudo é exponenciado ao limite, fazendo com que as gargalhadas resultantes existam apenas por causa de todo o ambiente tão desmesurado que paira sobre o filme. Não são pessoas reais que ali estão, mas sim personagens completamente tiradas da gaveta dos guiões para comédias fáceis e preguiçosas. Até existe um alce numa espécie de urina. Sem grande explicação.

Falo em comédia fácil e preguiçosa porque é muito fácil rir de algo escandaloso, e isso mais fácil ainda se torna quando tanta coisa no filme é sexualizada. Se se retirassem piadas sexuais, metade do guião ia para o lixo. O problema não é fazer piadas sexuais, como é óbvio, o grave é quando uma grande porção do filme se baseia à volta disso para fazer rir uma audiência. É uma muleta barata e gasta. Mas isto não é novo, porque, como disse, as comédias R-rated de hoje praticamente só funcionam desta maneira.

Claro que tudo isto é corrigido no terceiro ato. Como é obrigatório nestes filmes, de repente todas as personagens ganham imensos sentimentos e adquirem as humanidades próprias e exclusivas dos maiores dramas cinematográficos. Do nada, comportam-se como seres humanos normais. Comunicam uns com os outros, mesmo. Com calma e tempo. Como que num ligar de interruptor, são ligados à vida real e comportam-se como tal.

Este desfecho, claro, só existe porque o filme tem de acabar bem, o final tem de ser feliz, e isso, por mais irónico que seja, acaba por desvalorizar o filme. Isto porque tudo até ali foi num determinado registo – escabroso e escandaloso – sem olhar a meias medidas, e de repente tudo se torna simpático e belo, como se nem o próprio filme confiasse no seu valor para lhe dar o final que este pedia. Em vez disso, tudo é resolvido numa sequência que tem tanto de autêntico quanto a química entre as personagens.

Posto isto, a função deste filme, já que se trata de uma comédia, é cumprida de vez em quando. Tudo é tão ridículo que é impossível não achar graça. Mas isso passa, mal nos apercebemos que estamos a ver uma comédia banal e que será esquecida dali a umas horas.

Pedro Gomes é Editor de Cinema no 8.5Bits | pedrogomes (arroba) 8dot5bits.com

Com a escrita e a música em plano de fundo desde pequeno, e sendo licenciado em Argumento pela ESTC e autodidata musical por natureza, ambiciona escrever filmes, séries, e compôr música para cinema.

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