Uma história em 3 frentes narrativas, um elenco quase de luxo, Xavier Dolan como realizador conseguiram fazer um filme “assim assim”. O filme provavelmente não ficará para história como a melhor obra do realizador e isso chega para ser melhor que muitos filmes.

Assim que vi Jon Snow, desculpem Kit Harington, sem casacos de pelo e neve no cabelo num filme de um dos meus realizadores favoritos, pensei imediatamente que seria uma combinação vencedora. A história é passada em 3 actos, a infância de Rupert Turner (Jacob Tremblay), a vida já adulta onde descodifica o seu passado perante a jornalista Audrey Newhouse (Thandie Newton) e a vida de John F Donovan (Kit Harington). Rupert é um rapaz socialmente excluído pelo resto dos rapazes, quer seja por ser um americano em terras de sua majestade quer pela orientação sexual, a história de Rupert é talvez a mais interessante e a que claramente queria mais intensidade sentimental no espectador, ainda que os conflitos ente Rupert e Sam Turner (Natalie Portman) tenham sido excessivamente explorados criando muitas vezes diálogos desnecessários que acabaram por retirar alguma dinâmica do filme. A narrativa de Donovan um actor consagrado prestes a receber um importante papel num filme de Super Heróis, explorando os clichés e mal explorados até entre a sua orientação sexual e não adaptabilidade com a fama a personagem vai evoluindo de forma dramática quando são reveladas cartas trocadas entre ele e Rupert. A personagem que Kit executa tem alguns momentos inspirados principalmente a cena na casa de banho com o irmão e a mãe (Susan Saradon) que de resto acaba por ser a performance que segura esta parte da narrativa de John. No outro lado vemos um Rupert já adulto a construir o puzzle da história com a jornalista céltica que acaba sensibilizada com a história.

 

Já que fiz uma referência a Game Of Thrones tenho que fazer uma a Harry Potter já que vemos Michael Gambon, ele que fez a personagem de Dumbledore trazer o mesmo tipo de interpretação naquela que é para mim a pior parte do filme, pois trazer um actor desta qualidade para o colocar num plano completamente ocasional a fazer o tal “velho sábio” que retira John F Donovan da sua mediocridade certamente não me deixa satisfeito. Gambon podia ter ajudado Dolan com algum truque de magia que tornasse a estreia do Realizado em Hollyhood uma experiência mais satisfatória, o realizador que encantou em Cannes tinha as expectativas muito altas principalmente as minhas, no entanto apesar do potencial para crescer. O argumento é apressado, longo em pontos desnecessários e demasiado superficial em aspectos que eram importantes. A banda sonora esta nomeada para a pior do ano, será pouco possível ver este ano uma tão mal executada como a que vi neste filme. Existem pormenores interessantes no filme, como alguns pormenores de edição e cor, a caracterização do quarto de Rupert e a luz escolhida para esse ambiente

REVER GERAL
A Minha Vida Com John F Donovan
Pedro Camacho
Licenciado em comunicação e jornalismo, divide-se entre tudo o que é cultura e desporto. De momento a tirar mestrado em ciências da comunicação, adora filmes dos anos 80 e 90 e tem como grande "fetiche" o cinema independente europeu e asiático