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Análise a ‘A Maldição de Hill House’

Se Um Lugar Silencioso e Hereditário ocupam os lugares de melhores filmes de terror de 2018, no campo das séries, esse posto é ocupado por A Maldição de Hill House, sem dúvida.

A série da Netflix, estreada em Outubro, foi inspirada no livro de Shirley Jackson com o mesmo nome mas, com excepção dos nomes das personagens e do foco na casa assombrada, muito pouco têm em comum. Nesta versão, Hugh e Olivia constituem um casal que se dedica à remodelação de casas antigas, de forma a que depois as possam vender a um preço mais elevado. É isto que os leva a mudarem-se para Hill House durante uns meses, juntamente com os cinco filhos: Steve, Shirley, Theo e os gémeos Luke e Nell. E tudo poderia ter corrido bem, não fosse a casa estar impregnada de fantasmas.

A acção decorre entre flashbacks, mostrando a estadia da família na mansão e, alguns anos depois, como cada membro lida com o que viveu durante esse período. Isto é mais um ponto positivo para a série dado que, sejamos honestos, quantas mais séries (ou filmes, ou livros) nos mostram como as personagens vivem o pós-assombração?

Faz sentido, por isso, que cada episódio se centre numa personagem – retirando um ou outro que abordam as relações familiares de uma forma geral e o último, que se foca numa divisão específica da mansão: a misteriosa Sala Vermelha (mas já lá vamos!).

Os 5.º e 6.º episódios são bons exemplos da qualidade de A Maldição de Hill House. Centrado em Nell, o 5º episódio apresenta-nos um plot twist (sim, a meio da série) estrondoso. Um mind blown chocante que ajuda a definir a não linearidade da série e nos prepara para o que ainda está para vir. E quando não pensávamos ser possível superar este episódio, surge o 6º, que se distingue não só por atingir o pico da cinematografia, marcado pelas sequências sem cortes, enormes, mas também por todos os subplots que surgem e uma das discussões mais bem representadas que já vi em televisão. Um dos melhores episódios do ano? Definitivamente.

(Uma curiosidade: os cenários foram construídos lado a lado, exactamente para permitir que, neste episódio específico, a ligação entre tempo presente e passado pudesse ser feita sem cortes)

O final da temporada revela-nos o que esconde a Sala Vermelha, uma divisão da casa onde ninguém consegue entrar, e a série volta a fazer com que a nossa mente expluda (as teorias que daí advêm criadas pelos fãs são igualmente incríveis). Não é um plot twist tão impactante quanto o do 5º episódio, na minha opinião, mas está muito bem escrito e cumpre dois dos seus principais objectivos: chocar-nos e fazer com que queiramos rever A Maldição de Hill House desde o início.

Para terminar, um alerta para os detalhes disfarçados ao longo da série e que atestam a mestria da sua escrita e realização: durante todos os episódios, é possível encontrar alguns fantasmas escondidos pela casa, no decorrer das cenas. As personagens, naturalmente, não se apercebem da sua presença – e o espectador, muitas vezes, também não. Alguns aparecem apenas uma vez, outros são mais frequentes.

The Haunting of Hill HouseVê a galeria com alguns exemplos de fantasmas escondidos durante as cenas
Imagens retiradas de Popsugar

Com muito boas prestações (em especial, as de Carla Gugino, Elizabeth Reaser, Kate Siegel e do pequeno Julian Hilliard), momentos cheios de tensão, uma cinematografia incrível e plot twists levados da breca, A Maldição de Hill House tornou-se uma das melhores séries de 2018.

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A Maldição de Hill House

A série de terror do ano

Pros

  • Elenco excelente
  • Boa cinematografia
  • Os fantasmas "escondidos"

Cons

  • Os episódios não precisavam de ser tão longos
Licenciado em Línguas, Literaturas e Culturas, sonha com uma carreira no meio editorial. O fascínio pelo Cinema e pela TV levaram-no a tirar uma Pós-Graduação em Storytelling e a passar demasiado tempo a ver Netflix.
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