Actualmente existe uma nova tendência por parte dos grandes estúdios de cinema. Refazer filmes clássicos.
No caso da Disney refazer os seus clássicos de animação com actores reais ou computadorizados.  A animação original foi lançada em 1992 e posso dizer que era o meu filme favorito da Disney, parto por isso para esta crítica tendo que fazer esta declaração de interesses.

Um dos meus principais critérios de avaliação é sempre: O filme cumpre o objectivo a que se propõe?
O objectivo do filme era adaptar um conto das mil e uma noites, uma história que tinha sido adaptada 27 anos antes em animação com grande sucesso. Os sapatos em que tinha de se colocar eram grandes. Será que o filme conseguiu preencher esse molde? Na verdade, não sei. Apesar de gostar imenso do original e o ter visto inúmeras vezes na infância há muito que não o vejo. Muitas das cenas que aqui vi eram de lá, reconheci, mas o filme a que assisti é outra coisa. Diria que é impossível recriar com realidade a abstração que é atingida pela simplicidade de um desenho. Portanto parece-me que o objectivo do filme pode parecer que é actualizar a história do jovem ladrão que encontra uma lâmpada mas na verdade penso que seria mais justo dizer que o objetivo do filme é apresentar a uma geração de crianças actual um conto clássico. Portanto, ver esta versão da história dificilmente pode ser descrito como ver o Aladdin mas com pessoas de carne e osso. Este filme é outra coisa e a distância do tempo permitiu-me apreciar o filme que ali vi. Era o Aladdin, o Génio, o Abu, o Tapete, a Princesa e todos os personagens que conhecia. Eram todos mas ao mesmo tempo não eram. Eram outra coisa e é como outra coisa que o filme deve ser encarado. Eu já não sou exactamente o público alvo. Era, quando o Aladdin foi lançado em 1992. Portanto, ir ali procurar os mesmos sentimentos seria um erro. Em 1992 com 7 anos estava certo de que era o melhor filme de sempre. Ao entrar na sala de cinema já sabia que não iria voltar a ver o “melhor filme de sempre” e isso ajudou a aliviar o filme de comparações constantes com o “melhor filme de sempre” de um miúdo de 7 anos.

Depois de ultrapassada a primeira questão a segunda questão que surge é se o filme é um bom, por si só?
Para mim que já tinha visto o Aladdin foi uma agradável experiência. Para quem nunca tinha visto julgo que também vai ser. Para quem for criança esta história tem um potencial de vir a ser o “melhor filme de sempre” tal como foi para mim há muitos anos. Só por isso já legitima ter sido revisitado. Diverti-me e recordei a bonita história do jovem ladrão que encontra um génio mágico capaz de conceder 3 desejos e se apaixona por uma bela princesa. Uma história simples e que é novamente apresentada com humor e personagens carismáticas.

A mão do realizador faz-se sentir em alguns momentos. Não que a mão do realizador não se deva sentir, mas quando são só os habituais tiques  (no caso de Guy Richie os slow motions), isso pesa mais do que deveria. Contudo, pode-se dizer que a realização serve bem a história.

Uma nota positiva para o os actores: A princesa vê o seu papel ampliado relativamente à versão original. É estranhamente refrescante ver uma história passada no médio oriente não ser protagonizada por caucasianos. Algumas notas menos positivas para os actores: Ja’Far talvez tenha sido menos bem escolhido para o papel é o vilão. Teria de ser alguém mais velho, na minha opinião. Neste caso não consegui deixar de me lembrar do ameaçador vilão da animação. O Aladdin também não me conseguiu convencer inicialmente, mas ao longo do filme melhora.
O Will Smith vai bem como génio da lâmpada  e apesar das polémicas iniciais sobre os efeitos especiais, a maior parte do tempo o génio azul resulta.

Os efeitos especiais do filme são o ponto de que menos gostei prefiro sempre menos espalhafato e por conseguinte menos “Uncanny Valley”. Quando a física se ausenta das regras de um filme não posso deixar de pensar que preferia mais física e menos computaores a simular comportamentos impossíveis de objectos. Uma vez mais não estraga o filme pois não é algo constate, mas os grandes cenários computadorizados já são uma constante e podiam ter sido um pouco menos exagerados.

A banda sonora é irresistível e recebe até alguns toque pessoais do Fresh Prince of BelAir só resvalando quando aparecem os créditos finais em que se tenta injectar alguma modernidade que felizmente se manteve afastadas longo de todo o filme que não mexeu muito nas músicas intemporais.

No fim de contas passei 2 horas divertido a recordar sensações boas e criar novas. Dificilmente verei tantas vezes este como revi o original e penso que também o estatuto de clássico não está tão consolidado neste filme como no primeiro. Mas julgo que realmente não sou a pessoa certa para responder a esta questão.
Eu com 7 anos conseguiria responder com mais clareza, julgo.