6.0
Relevante
Cinema / TV

Análise a “Alita: Anjo de Combate”

Alita: Anjo de Combate é mais um esforço de Hollywood para adaptar um manga ao cinema. Será que é bem sucedido?

Em 2018 tivemos a adaptação ao cinema de Ghost in the Shell que gerou alguma discussão devido ao “white washing”. A agente Makoto, originalmente japonesa, passou a caucasiana na adaptação norte-americana. Os olhos da actriz principal sofreram até um tratamento digital, na tentativa de esbater a ocidentalização da história. Dentro da trama era explicado o porquê de ser japonesa mas ter uma fisionomia ocidental. Tudo para serenar polémicas em prejuízo da história ali contada.

Em Alita, as polémicas são arrumadas de forma eficaz. A personagem principal simplesmente tem cara de “anime” e o facto de ser andróide faz com que isso nem seja assunto na trama. Aqui vai o primeiro ponto positivo para o filme. Os efeitos especiais. A última fronteira dos efeitos especiais é representar humanos, de forma realista e aqui é conseguido. A personagem bem como o mundo à sua volta são criados digitalmente de forma bastante credível, interessante e coerente com o universo em que estão inseridos.

Aqui entra o segundo ponto muito positivo do filme. Este cenário e personagens ali recriados de forma credível são sem dúvida interessantes e fiéis ao material original que inspirou o filme. Quem leu o manga irá reconhecer muita coisa no ecrã, visual e narrativamente.

É justamente aqui que reside também a parte da fraca do filme. Devido a esta ansia de acrescentar elementos e mistérios para resolver futuramente deixando esta história maior, a narrativa avança veloz deixando as personagens coadjuvantes unidimensionais. Estão ali como pano de fundo do processo de autoconhecimento de Alita. Esta falha fica mais evidentes na transição do 2º para o 3º acto em que o vamos recuperar tramas que praticamente se ausentaram durante o 2º acto criando uma sensação de incompletude.

Na primeira crítica que aqui fiz falei de o filme ter de valer por si só e este falha nesse teste. Existe um vilão omnipresente mas que não sentimos como muito ameaçador ao longo da trama. A meio do filme já me tinha conformado com o facto de nem tudo vir a ser resolvido ali, mas esta transição de actos final e a longa duração do filme deixam uma sensação de que podia ter sido melhor executado se mais focado nas personagens e menos em condensar o manga.

Outro factor importante para avaliar é o objectivo. Cumpre o objectivo? Sim é uma adaptação fiel do material original e consegue, nos seus melhores momentos, transpor para o ecrã a dinâmica Pinóquio/Gepeto das personagens principais . Embora tenha alguma violência Alita é dirigido a um público juvenil que talvez mais facilmente “compre” o romance forçado ali apresentado.

É para fãs de aventura e acção mas para quem procura mais profundidade talvez seja melhor passar ao lado e rever antes Ex Machina.

 

 

6.0
Relevante
O esforço é positivo e esta reflectido em tela. Vai provavelmente originar uma sequela (até porque se não o fizer fica incompleto) essa sequela poderá vir a subir a nota deste, mas por hora já sabemos que copiar imagens directamente do livro que originou o filme não chega para fazer um bom filme. Não sendo mau, não chega a ser mesmo bom. Peca por duração e ambição. É no entanto um passo em frente e nota-se o respeito pelo material original. Provavelmente a nota sobe se visto em 3D, uma vez que James Cameron esteve envolvido.
Também conhecido como bdnauta. Um fã de banda desenhada, filmes e acima de tudo de boas histórias.
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