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Análise a ‘Blood & Truth’

PlayStation VR Worlds é sem dúvida o jogo que tenho sempre à mão quando quero impressionar alguém que nunca tenha experimentado o sistema de realidade virtual da Sony PlayStation: é um conjunto de experiências que objectivamente utilizam a maioria das funcionalidades do equipamento, tanto na técnica como na dramaturgia. Uma dessas surpresas, o The London Heist, colocou-nos à prova numa aventura de tiroteios e crime que não deixa ninguém indiferente, apesar da curta duração da experiência.

A sensação de autenticidade é avassaladora.

Quando Blood & Truth foi anunciado, algumas certezas estavam em cima da mesa: eram os mesmos criadores do PlayStation VR Worlds e consequentemente do The London Heist, o que por si já significava um selo de qualidade pois de todos os jogos que saíram entretanto para VR, este nunca foi retirado da minha lista dos melhores disponíveis. Blood & Truth teria tudo para ser um excelente jogo.

No Lisboa Games Week do ano passado tive a oportunidade de testar uma das demonstrações e falar com um dos directores artísticos do jogo, acerca do seu desenvolvimento. Apercebi-me que tecnicamente muitos elementos deram um passo em frente e que tudo me parecia mais autêntico e imersivo.

Há duas semanas tive a oportunidade de visitar o SIE London Studio, bem no coração de Londres, onde o jogo final estava nas nossas mãos e ali mesmo ao lado, Stuart Whyte, Director de Desenvolvimento de Produtos VR do estúdio, e director do jogo em si, tal como vários responsáveis do áudio, da animação, da tecnologia, e Klariza Clayton, actriz que dá vida a uma das personagens principais e que nos brindou com uma demonstração de motion capture.

A jogar a versão final do jogo, destaquei vários pontos. Em primeiro lugar a mecânica dos comandos Move que está cada vez mais precisa. No jogo temos de usar as nossas mãos à séria: equipar e desequipar as armas, disparar as armas, carregar as armas, apanhar objectos, abrir fechaduras, escrever em teclados, partir vidros, mexer numa mesa de som e efeitos de discoteca… tudo isto numa dinâmica de controlo entre as duas mãos, do soltar / largar, que podem servir para todas as opções acima descritas, combinadas com os movimentos que, num cenário real, seriam óbvios na utilização das mãos.

Blood and Truth é indiscutivelmente o melhor shooter para o PlayStation VR

Em segundo lugar, e não menos importante, a animação e a dramaturgia. Ao contrário de The London Heist, aqui somos Ryan Marks, um ex-operações especiais, e temos voz. Somos uma personagem activa em todos os sentidos. Mas logo desde o primeiro momento do jogo, quando acordamos sentados, a sermos interrogados, fiquei rendido à animação. As personagens do jogo, neste caso, são réplicas dos seus actores que lhes dão vida, voz e corpo através do motion capture. E existe um eye-tracking que não é comum nos jogos de VR, como me contava Stuart Whyte quando percorríamos os corredores dos sete pisos do estúdio: “se te moveres, as personagens não só se enquadram nesse movimento como os seus olhos se movimentam directamente para ti.” E é mesmo isso que acontece ao longo do jogo. A sensação de autenticidade é avassaladora. Isto, claro, aliado a excelentes interpretações dos actores e a sequências bem intensas onde temos de fazer pela vida para sairmos vencedores. É de facto no argumento que sentimos essa autenticidade. O jogo foi inspirado em grandes filmes de acção dos anos 80/90 e os ambientes transparecem isso mesmo, enquadrados com diálogos com bastante densidade – houve mesmo um grande cuidado com o trabalho da escrita e da interpretação o que acaba por ser um trunfo no jogo.

Por fim gostaria de destacar o engine, desenvolvido no estúdio e utilizado exclusivamente em VR, pela necessidade de uma pesada renderização a 60fps, duplamente para cada um dos olhos, que funciona como uma máquina a reduzir tempos de loading que, ao serem mais longos, retiravam ritmo a um jogo que vive muito da sua história. E a tridimensionalidade do som, que nos apanha de surpresa, mas nos dá também uma vantagem competitiva como me contava o Supervisor de Design de Som, Loic Couthier.

Penso que estamos num momento fantástico para os videojogos em todas as suas vertentes, e este jogo é a prova de duas coisas: Blood and Truth é indiscutivelmente o melhor shooter para o PlayStation VR, e demonstra que a precisão está cada vez mais afinada; que o SIE London Studio é absolutamente o melhor sítio para se desenvolverem conteúdos VR e esperamos ver muito mais nos próximos tempos, quem sabe em próximas novas gerações de consolas, com um headset mais confortável, sem unidades externas e por favor… sem os 15kg de cabos à nossa volta. Vamos para um VR sem fios na próxima consola da PlayStation?

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Fantástico

Blood & Truth

A sensação de autenticidade é avassaladora. Blood and Truth é indiscutivelmente o melhor shooter para o PlayStation VR.
Filmmaker, Writer, Champion Gamer, Part-Time Comedian, Aspirant Avenger CrossFitter and Otorhinolaryngologist
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