5.5
Ok
Cinema / TV

Análise a ‘IO’

 

Io é a lua de Júpiter onde a humanidade vai procurar refúgio neste cenário pós-apocalíptico em que as alterações climáticas tornaram tóxico o próprio ar do nosso planeta. Mas não é nessa colónia distante que o filme se foca. Na Terra, a jovem cientista Sam Walden (Margaret Qualley) insiste na pesquisa que assenta na filosofia que partilha como o seu pai, Dr. Henry Walden (Danny Huston): A vida adaptar-se-á às novas condições, e a humanidade deve lutar pela sobrevivência no planeta. O seu conflito interno, entre a luta por esta crença e a necessidade de abandonar o planeta cada vez mais hostil, é o ponto de partida do filme.

A mensagem ambientalista pode não ser o foco da história, mas tem um forte peso, com uma representação pungente da volatilidade das condições que permitem a vida no nosso planeta. Fora de pequenas áreas onde o ar é respirável, as deslocações são apenas possíveis utilizando máscaras de oxigénio. As plantas que sobrevivem adquirem uma coloração diferente, a terra, o ar e o mar acabaram desprovidos de animais.

Quando um estranho num balão (Anthony Mackie) aparece à procura de Henry Walden antes de partir para a última nave que transportará pessoas para a nova colónia em Io, despoleta uma pesada trama inter-relacional.

“Io – Last on Eart” procura explorar estas personagens revelando lentamente os seus motivos através das suas ações e diálogos, tentando atingir uma profundidade que nem está presente no guião nem na representação. Longas cenas preenchidas com nada mais que estes diálogos insípidos minam o ritmo do filme que nunca chega a fazer sentir a tensão que pretende apresentar.

Com um pé nos sucessos da exploração espacial e outro no fim do mundo como o conhecemos, a história da humanidade tem um destaque reverencial através da arte e mitologia clássica, numa dualidade entre as maravilhas e a perversidade da natureza humana.

 

5.5
Ok

IO

O simples enredo de IO serve de pano de fundo para a progressiva e lenta interação entre as suas poucas personagens, que dificilmente são profundas que chegue para encher o ecrã durante a sua hora e meia de duração. Os grandes temas humanísticos abordados preenchem o filme com momentos reflexivos que mantém o interesse mesmo nesta calmaria pós-apocalíptica.

Pros

  • Mensagem forte nos seus grandes temas

Cons

  • Diálogos estéreis ocupam grande parte do filme
J. Machado dos Santos
@SopraCartuchos
Estudante de jornalismo, amante de histórias em todas as formas: escritas, no pequeno e grande ecrã, ou exploradas com um comando de videojogos na mão.
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