Ando a precisar de trocar as lentes dos óculos, pois as moedas de 50 cêntimos passam-me pelas mãos como as de 2 euros. É o mesmo que acontece com o Reino de Gallowmere de 1998 e o de 2019.

O facto de não ser uma réplica do original, torna-o um dos melhores jogos desde final de ano!

É muito tempo. Mas eu estava lá, com 10 anos, a trocar os CDs de fundo preto da minha Sony PlayStation 1, ainda com a abertura central. Ainda a guardo, e funciona, como um pedaço da história dos videojogos. Medievil é parte da história da PlayStation e tem um lugar muito especial no coração dos jogadores. Não me recordo quando joguei Medievil ou Medievil 2 pela última vez, mas são daqueles jogos que, se acompanham as nossas análises e podcasts, de quando em vez, são mencionados.

Medievil é parte da história da PlayStation e tem um lugar muito especial no coração dos jogadores.

E lá estava eu, um miúdo de 10 anos, lentamente a aprender Inglês a jogar videojogos (só Medievil 2 teve dobragem em Português de Portugal), e, por essa altura, a entrar para os ossos de Sir. Daniel Fortesque, a matar zombies e afins como se não houvesse amanhã, de espada (ou braço) na mão, percorrendo lugares grotescos que se tornaram pontos de conforto e de lembrança.

Agora já não estamos no velhinho e já inexistente SCE Studio Cambridge. O Medievil de 2019 foi produzido pela Other Ocean Emeryville, do outro lado do oceano, e é mesmo isso: é um “diz que é uma espécie de remake”, refeito com base na nostalgia, na memória de cada nível, o que por si só transforma o jogo que poderia ser um simples remake, num conjunto de memórias que nos faz sorrir, nível a nível, com o cérebero a dizer baixinho “opá… pois era”.

O facto de não ser uma réplica do original, torna-o num dos melhores jogos desde final de ano e para mim em especial, que aguardo por ele desde o anúncio na E3 do ano passado. Transporta o charme do original para o 4K, com cores saturadas (como não poderia deixar de ser) que conquistam a vista e a alma dos velhos jogadores e oferecem uma aventura de qualidade para os jogadores mais novos, acompanhada por uma das mais extraordinárias bandas sonoras que a PlayStation já criou (com um toque rejuvenescedor). Graficamente sensacional, Medievil não é uma surpresa, mas o irmão mais velho dos velhinhos Medievil, e o espaço vazio na biblioteca que esperávamos preencher há tanto tempo.