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Análise a: “THE BEACH BUM: A Vida Numa Boa” (2019)

O filme de poeta, merece um tipo de poético, e Moondog, é certamente um personagem, um amante da erva, da bebida, e da mais pura liberdade, é um espírito livre que vive a vida pelos seus próprios termos, na soalheira Flórida, em Miami, e de onde a pausa nas drogas não está nos seus planos, empacotando o seu natural talento de escrita, adiando para sempre, o lançamento do seu maior trabalho que há memória, numa trama de explosivas combinações, inspirado em todos vós excedentes das drogas leves, algures no meio das figuras que vagueiam pelas praias quentes, com suas cabeleiras loiras e camisas havaianas, e máquina de escrever debaixo do braço, vive a vida no máximo para depois a destilar, em sonetos e na literatura, que nunca lhe deu tanto gozo.E a vida numa boa, o vagabundo da praia, e a mais e melhor brilhante expressão da alegre doçura da vida, é este o filme que vi, e que recomendo que seja visto, um filme que me mostrou a alegria de viver, pese embora os nossos momentos de dor e de perda, e do lado a lado com a morte, com a pobreza no horizonte, este filme é tudo numa celebração da vida, embebida e esfumeada por uma magnífica e memorável performance de um ator de craveira, sobre uma vida de um poeta exultante, mais apaixonado pela vida que pela poesia, e que de uma vida excessivamente prazerosa de preocupações, eleva o poeta sano, e que se entregando mentalmente ao filme, vai certamente passar um bom bocado, que no fim, é o que o filme acaba por nos oferecer.Um deleite do desastre, no melhor dos sentidos, e um espetro do oposto, é uma película de perversidade, donde encontra e se celebra o pior do melhor, dos comportamentos ao bom viver, dos bons tempos que com alma e coração, tornam o filme num verdadeiro sonho americano, que vai caminhando no mais duro dos caminhos, e onde o riso é palavra de ordem para o espetador, sem cinismo, é um filme de completo caos magnífico, acompanhado a todo o percurso, por uma perfeita trilha sonora, que compõem a melodia da narrativa da história, e onde a mensagem do filme sobressai, de que o amor é o melhor caminho para as nossas vidas, uma amostra de pura poesia, de quem só curte a sua melhor onda.É o sentido da vida, do ponto de vista de uma viagem filosófica, do dia a dia a fumar na caminhada, celebrando as coisas simples que a vida lhe deu, é um filme com personagens igualmente irrisórias, que de tudo em mais engrandecem o protagonista, do sexo, drogas e loucura desmedida, é um filme muito visual e brilhante, de uma cinematografia excecional, de diálogos grotescos e cenas de pura diversidade, entretenimento e excessos, e diversão maravilhosa, é um profeta dos tempos modernos, que espalha a sua palavra por todos os que o rodeiam, com as qualidades da boa vida, um rebelde, que vive a vida na sua própria dimensão, na sua bolha, e liberdade pessoal, mas sempre com algo para nos contar, tem uma mensagem simples, a vida é mesmo uma escolha, onde tudo rima sem razão aparente.A felicidade como num rol, e um conceito de vivência, da total demência e criatividade, é um filme negro mas romancista, violento mas niilista também, do excesso cómico que nos transmite adoração, podes ou não gostar de o ver, mas que tem um todo pedacinho de moda e vivacidade, um filme que não tem estribeiras, é lunático e carinhoso ao mesmo tempo, que resulta da mania e provança da provocação mais real, onde nada é convencional, e onde tudo é dimensional, um crepúsculo de outro mundo, mas sempre com o conforto do toque de uma mensagem, numa dança de peripécias, com todo um charme de odisseias, e de um final de condenação divina.Então que surge, na doença infestante de muitos filmes atuais, este aparece como a cura para a patologia, é um filme que não tenta mais do que entreter e divertir quem o segue, do início ao fim, é uma alta pedrada de total confusão, num estilo de realização muito próprio e de essência, um filme para mentes abertas e esclarecidas com a vida, onde o humor, as melodias e as interpretações, são mesmo o clímax momentâneo a um preço de admiração, onde a bizarrice está como uma ganza num papagaio, a sobrevoar tudo e todos, na ressaca da vida sem regência de regras, onde o limite é ele próprio desconhecido.Uma selvagem viagem ao carrossel da vida, é um espírito de filme liberto de amarras, de um bebedor barato e fornicador drogado, um cavalheiro da vida simples, um bom gajo, amante do mar e da paisagem paradisíaca, é um afrodisíaco do amor e do talento dos versos, como uma tela de momentos épicos, requer uma boa dose de generosidade, não sendo somente um filme de praia, mas sendo assim um conjunto de vários elementos, que se ligam, se conjuntam, e se casarão, como uma sanduíche de puro relaxe.Vá então assistir, à história deste janado da rebeldia, um adorável vagabundo desmesurado, que só bem sabe viver de acordo com as suas tendenciosas regras, e veja por si mesmo, este tratado de bom cinema, aconselhado por nós, não podia melhor ser, e acompanha as aventuras escandalosas deste falhado, o nosso querido e astuto Moondog, que usa as suas crónicas jornadas, como inspiração para escrever uma espécie de diário, obra que acredita ser o próximo grande sucesso literário.Com um supre e completo elenco de estrelas com nomes como os de, Snoop Dogg, Isla Fisher, Zac Efron, Jimmy Buffett, Martin Lawrence e Jonah Hill, é a nova comédia loucamente original e subversiva do argumentista e realizador americano Harmony Korine, e será exibido em antestreia nacional na sessão de abertura da 16ª edição do IndieLisboa, marcada já para o próximo dia 2 de Maio no Cinema São Jorge, e chega às salas de cinema nacionais a 9 de Maio.

DATA DE ESTREIA: 09/05/2019

REALIZAÇÃO: Harmony Korine

ARGUMENTO: Harmony Korine

ELENCO: Matthew McConaughey, Snoop Dogg, Isla Fisher

GÉNERO: Comédia

PAÍS: EUA, Suíça, França, Reino Unido

ANO: 2019

DURAÇÃO: 95 minutos

CLASSIFICAÇÃO: M/16

 

 

 

 

 

 

 

 

23 anos. A licenciar-me em Comunicação Social e Cultural. Um futuro Jornalista de Cinema.
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