9.0
Muito Bom
Cinema / TV Destaques

Análise a ‘The Good Place’ – Temporada 3

The Good Place começa a justificar o porquê de ser considerada uma das séries do momento. Divertida e inovadora, a terceira temporada da comédia distópica criada por Michael Schur apresenta-se como a mais consistente ao provar uma vez mais a sua capacidade em se reinventar.

Há uma nova viragem na aventura de Eleanor Shellstrop (Kristen Bell) e do seu grupo de amigos pelas diferentes dimensões do Lugar Bom e Lugar Mau. Uma vez mais, as variáveis da narrativa e as motivações das personagens sofrem alterações sem pôr em causa a sua essência e a coerência do enredo. Há que dar crédito aos guionistas e produtores por distorcerem os campos de ação sem nunca deturparem as características dos protagonistas. O ‘demónio’ Michael (Ted Danson) revela-se cada vez mais apologista do bem e procura encontrar justiça para o conjunto de terráqueos que, ainda na primeira temporada, os tencionava torturar eternamente.

Esta mudança repentina não o desfigura. Bem pelo contrário, molda-o de acordo com a mensagem que The Good Place tem a transmitir e ajuda não só o seu desenvolvimento, como o das restantes personagens. É a prova do potencial de criatividade que Michael Schur e a sua equipa possuem no desenho da trama, que mantém a mesma linha de orientação, não obstante das distorções de que é alvo.

Um elemento que ajuda à firmeza da série são as abordagens à ética e filosofia. Introduzidas por uma das mais idiossincráticas personagens, o professor Chidi Anagonye (William Jackson Harper), são o catalisador principal da narrativa que abre caminho ao elemento unificador de The Good Place. Todas as ações e consequências das personagens, no decurso das três temporadas, influenciam-se mutuamente, estejam em dimensão ou espaço temporal que estiverem. Um ténue elo que é bem utilizado para expressar, uma vez mais, a moral existencialista que pretende demonstrar.

O facto de se tratar de uma comédia que também procurar educar, permite somar pontos para a obra de Michael Schur. Não é comum haver menções a Hume, Aristótles ou Philippa Foot neste género e estas multiplicam-se ao longo dos capítulos e sustentam a boa disposição. Contribuem inesperadamente um muito característico humor que também é fortalecido pelas omnipresentes referências culturais e pela subtileza da construção do espaço imaginário do Lugar Bom e Lugar Mau, que ganha relevo graças às singulares personagens que neles habitam. O exemplo de Janet (D’Arcy Carden), uma espécie de humanização robótica da Google que detém todo o conhecimento do universo, é a prova que The Good Place consegue criar uma imagem de um ambiente próprio que satiriza a vida após a morte ao demarcar-se dos conceitos de Paraíso e Inferno.

Ainda que as reviravoltas sejam menos estonteantes e surpreendentes, surgem em vários capítulos para garantir continuidade à narrativa que, por vezes, se perde ao divagar sobre elementos secundários. A introdução de pares românticos era inevitável e, apesar de ter espaço na estória, parece tirar o foco a outros componentes com potencial por explorar. Alguns momentos melosos destoam do tom crítico e existencialista da série, contudo, espera-se que serviam de entrada ao prato principal da quarta temporada.

Guiado pelas exímias performances de Ted Danson e Kristen Bell, The Good Place exibe-se com maior maturidade e mais lições por ensinar, ao equilibrar temas relevantes com um humor perspicaz numa adaptação do Além à medida dos tempos modernos.

9.0
Muito Bom

The Good Place

Uma série capaz de tornar aulas de Filosofia muito mais interessantes e que introduz uma perspetiva arrojada sobre o sentido da vida.

Pros

  • Envolvimento da ética e filosofia
  • Originalidade das personagens
  • Atuações de Ted Danson e Kristen Bell

Cons

  • Demasiado romance desequilibra o desfecho da temporada
A escrita, o cinema e a Netflix são o norte deste rapaz que procura não se perder no Mestrado em Gestão de Marketing.
Scroll to top