Análise a The Nightmare Before Christmas (1993)
Um Clássico de Halloween

Começando pelo lado mais técnico do filme…é um filme de animação stop motion, em que todos os elementos são feitos de esculturas de diversos materiais. Foram tiradas 24 fotografias por segundo com película de 35mm, as câmaras eram comandadas por computador para fazerem as panorâmicas e travellings de maneira mais estável.

No que toca aos planos e movimentos de câmara podemos observar que em Halloween Town a câmara é usada em perspetivas poucos “normais”, os movimentos de câmara (travelling e panorâmica) são mais lentos em comparação aos de Christmas Town, para dar um ar mais “melancólico” que combina com o espaço…estes movimentos só começam a ser um pouco mais rápidos quando Jack tenta fazer o Natal em Halloween Town, podemos ver que neste filme são usados os vários tipos de planos, desde o geral ao de detalhe e planos picados e contra picados.

Falando agora no “visual” do filme; podemos reparar que este filme tem “3 mundos” diferentes, Halloween Town, Christmas Town e o Mundo Real.

 

 

 

 

Halloween Town assemelha-se aos filmes do expressionismo alemão, tem um estilo mais negro, com muitas silhuetas, luzes que dão efeito dramático; a paleta de cores consiste em preto, branco, laranja, verde e vermelho (com pouca saturação nas restantes cores, quando existem). A arquitetura é assimétrica, as texturas são algo de bastante importância e por isso são feitas com camadas de cola por cima das esculturas e depois “escavadas” para dar relevo dando um ar de “ilustração viva”…fazendo lembrar as ilustrações feitas a caneta de Ronald Searle, Edward Gorey e Dr. Seuss.

Christmas Town tem cores brilhantes e vivas, são usados rápidos movimentos de câmara para intensificar a ideia de “divertimento”, a arquitetura é simétrica e as linhas direitas são predominantes, assim como as formas simples e com poucas texturas.

No que toca às personagens de Halloween Town, estas têm uma aparência mais “assustadora”. No caso de Jack, a sua aparência é uma mistura de esqueleto alto e magro com uma aranha com longas pernas e braços. Geralmente as personagens têm um tom pálido e são magras, com olhos grandes e cabeças um pouco maiores do que é estipulado pelo canon do renascimento. As personagens de Christmas Town são quase o oposto das de Halloween Town, tanto a nível de cores como anatomia.

Os filmes de Tim Burton são conhecidos pela sua “aura” gótica, podendo parecer terror pela luz dramática (inspirada no expressionismo alemão), temperatura de cor mais fria e pelos temas de morte, rapto, etc.

No que toca á narrativa e ao lado mais “textual” do filme, a ação passa-se sempre no tempo presente, mas vai mudando (intercalando) de cena para dar a sensação que várias coisas estão a acontecer ao mesmo tempo, não tem uso do flashback, tem um narrador heterodiegético (aparecendo este só ao inicio para nos introduzir a este novo mundo). Em alguns países, este filme não foi aconselhado para crianças com menos de 12 anos por conter cenas fortes, falar de temas um pouco “negros” e ter uma “aura” um pouco deprimente e assustadora. Nos seus filmes, Tim Burton, dá-lhes sempre (ou quase sempre) um final feliz.

Falando por fim no som e música, percebemos que este filme é um musical, com som diegético e não diegético, sendo tanto a melodia como letra da música a combinar com o estilo visual do filme. Tim Burton consegue misturar terror com musical como mais ninguém consegue, neste caso com a ajuda do compositor Danny Elfman. Mostra pela música os sentimentos/pensamentos mais profundos das personagens, dando-lhes assim um lado emocional e “humano”, mostrando que os “monstros” também têm coração.

The Nightmare Before Christmas é um filme com bastantes inovações, tanto a nível de tecnologias como a nível de stop-motion; que se tornará um dos mais conhecidos neste campo da animação e que vai ficar para a história do cinema.

É um filme apropriado para audiências acima dos 13 anos, não pelo seu conteúdo mais pesado, mas pela profundidade dos temas de questões existenciais. Encaixa-se totalmente na estética de Tim Bruton; para quem gosta dos restantes filmes deste realizador, vai gostar de certeza deste. Muitos dos espectadores podem identificar-se com as personagens, sendo Jack a personagem mais provável por querer fugir ao quotidiano e ter mais duvidas sobre o que o rodeia. Nos filmes de Tim Burton conseguimos reparar na tentativa de explicação da história do vilão, há uma tentativa de mostrar que nem tudo o que é visualmente diferente é mau, coisa que se repete em todos os filmes do realizador.

O filme tem temas como amor, sonhos e ambições, questões existenciais, caminhos que se devem seguir ou não. Acho que uma das frases que melhor descrevem a lição de moral deste filme é “I’m bad, and that’s good. I will never be good, and that’s not bad. There’s no one I’d rather be than me.” dita pela personagem Ralph de Wreck-it-Ralph ou pelo próprio Jack na música “Poor Jack” quando canta:

“Well, what the heck!
I went and did my best!
And, by God, I really tasted something swell!
And for a moment, why, I even touched the sky!
And at least I left some stories they can tell, I did!
And for the first time since I don’t remember when
I felt just like my old bony self again…
And I, Jack, the Pumpkin King…
That’s right, I am the Pumpkin King! Aha, ha, ha!
And I just can’t wait until next Halloween,
‘Cause I’ve got some new ideas
that will really make them scream!”

 

Curiosidades: 

– Foram precisos à volta de 100 artistas para a realização dos bonecos e cenários;
– Foram feitos cerca de 200 bonecos;
– Jack tem cerca de 400 cabeças diferentes, cada uma com uma expressão ou posição da boca diferente;
– Foram precisos 3 anos para fazer este filme, considerado um dos melhores filmes de stop motion;
– Tim Burton tinha feito um poema de 3 páginas com o mesmo nome do filme e chegou a fazer esboços das personagens, 10 anos antes do filme ser feito;
– Para algumas cenas foram precisas cerca de 20 a 30 luzes para dar o efeito dramático;
– Tim Burton só esteve presente na produção do filme entre 8 a 10 dias, ficando Henry Selick encarregue de coordenar;
– A música foi feita ao mesmo tempo que a imagem, Danny Elfman não tinha o filme feito para ver, por isso pediu a Tim Burton para lhe descrever como seriam as cenas seguintes e/ou desenhá-las, para poder ter alguma inspiração para criar a música;
– As personagens têm um esqueleto em metal, são depois moldados com “oil based clay” (seria algo parecido a latex ou borracha que depois vai ao forno) sendo depois pintado;
– Primeiramente foram feitos pequenos sets (cenários) onde seriam postas as personagens, se resultasse os cenários eram construídos na escala final que seria muito maior (quase como os cenários de outros filmes com pessoas reais), normalmente estes sets eram feitos de maneira a poderem ser desmanchados para facilitar a filmagem e o transporte;
– Foram usados desenhos 2D para fazer os fantasmas, fogo e sombras na lua;
– Jack faz a sua primeira “aparição” no filme Beetlejuice no chapéu da personagem Beetlejuice;
– Um dos elementos que se repetem em alguns dos filmes de Tim Burton são: a serpente ás riscas e o cão (que é animal de estimação da personagem principal);
– Este filme teve 2 jogos, e apareceu como referência num jogo de Kingdom Hearts, foi também feita na Disneylândia uma atração sobre o filme;
– Alguns músicos/bandas como Korn, Amy Lee, Marilyn Manson, Fall Out Boy, fizeram covers de algumas das músicas deste filme.