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Cinema / TV

Análise a “VICE” (2018)

Estreia já na próxima semana, dia 14, a nova biografia satírica de Adam McKay, escrito e dirigido na íntegra pelo realizador americano, esta comédia dramática já apelidada de filme do ano, é tudo o que se espera dela, um filme louco e completo de pura adrenalina, na onda habitual deste homem, que nos traz um filme com propósitos pessoais, mas mesmo assim importantes, um filme factual o quanto baste, num estilo único e perverso, com um argumento original que inunda a experiência fílmica, e atuações de porte imenso do variado elenco de luxo, que o compõem de tanta presença, e resultando em cheio, entrega a história sobre o homem por detrás do mundo atual, o senhor de nome, Dick Cheney.

Neste filme, vemos a história de Dick Cheney, um energúmeno burocrata americano, um conhecedor da vida política de Washington, que quietamente recolheu imenso poder, como, Vice, de George W. Bush, mudando a todas as formas e feitios, o país e todo o planeta consigo, em questões que todavia sentimos, numa história verídica, que supostamente, nem devíamos conhecer, e contando na produção com os grandes, Christian Bale e Amy Adams, como Dick e Lynne Cheney, com Steve Carell, como Donald Rumsfeld, e ainda Sam Rockwell, como George W. Bush.

Pondo desde já em pratos limpos, é o meu filme favorito aos Óscares 2019, e talvez é mesmo o filme do ano, tudo neste filme foi sádico, doentio, constrangedor, horripilante, mas tudo no melhor sentido, é sem dúvida, um filme de poder, do silêncio da política que explode para o mundo inteiro ver, o que este homem conduziu, numa fascinante história, contada de forma muito criativa e inteligente, numa edição um tanto estranha mas que resulta, sendo que o que realmente sobressai, são mesmo as performances no ponto, num filme que une em mais de duas horas, cerca de quatro décadas de trama, aqui narrado por um personagem, providenciando contexto e explicações para o espetador acompanhar, e na continuidade um grande trabalho, a desmascarar o homem, do poder ao seu amor e devoção pela família, e na distração do humor que o preenche, que o vai levar a ver até ao fim, e mesmo ao fim.

Um filme de riso nervoso, pois o embaraço é enorme depois de o ver, este filme é muito bem processado num universo realístico, com resultados destronadores e divertidos, onde a parte mais inquietante desta experiência, é experienciar que isto tudo se passou, é o realizar que isto foram pessoas, escolhidas pelo público americano, com a responsabilidade e dever de conduzir os destinos desta importante nação mundial, onde o nosso protagonista principal, é mesmo o melhor do filme.

Christian Bale é Dick Cheney, e o ator inglês voltou a surpreender, ganhou cerca de dezoito quilos, cabelo e barba rapada, tudo branqueado, é um mestre das transformações para o grande ecrã, numa aparência viciante, linear e absorvente neste respetivo filme, onde recolhe todos os maneirismos e gestos que são, há falta de outra palavra, perfeitos em todo o sentido, é das melhores atuações do ator de sempre, com o seu toque de génio a sobressair na pessoa deste cidadão, que muito mal fez ao país e ao mundo, durante a criminosa administração da altura do fatídico e arrepiante, 11 de Setembro, em relação aos media e ao público, e como os políticos se vendem a todo o custo na busca pelo poder, numa abordagem drástica mas sincera do que realmente foi, onde até uma meia, mas curiosa piada a meio do filme, com uma cena fantástica de créditos finais, a provocar as reações que todos vão poder sentir quando o forem ver.

Depois de um cativante trailer, clips e imagens, em toda a força o filme excede as espectativas criadas, onde a diversão foi palavra de ordem, ainda que a inquietude depois e durante o seu visionamento, seja realmente perturbante, porque sem se parecer, o homem que vemos era um homem de extremo intelecto, influenciador e com sede para dominar, o grande conhecedor de política, mas de pouco toque humano, e neste filme quase perfeito, se reflete toda a sua imensidão, com muito humor de sobra, mas de conclusões bem reveladoras, da realidade que se sucedeu, e dos segredos ocultos da política, que o vai certamente chocar.

Como audiência, vai ser surpreendido, arrasado e floreado, e simplesmente afetado com a realidade do caso, num ponto de vista liberal, como não podia deixar de ser, é um filme de opinião do mestre, e podendo assim não acrescentar muito ao público, pode também parecer, agora numa crítica específica, que o filme tente o sabotar a si como espetador, e tentar de certa forma, reafirmar uma artificialidade dramática, com truques e instrumentos, mexendo mais as mãos que um grupo de italianos, pode ser que ache o filme demasiado orgulhoso e manipulador, numa noção básica de ilusionismo, mas que a meu ver, não pode deixar de se fazer um grande filme, para quem efetivamente, entender a mensagem trasmitida, melhor dizendo, a crítica.

Em teoria, o filme resulta muito bem, é uma comédia negra, tem de o aceitar, e por isso, a cara do filme é somente um alvo a abater, e nisso, a comédia é simplesmente excecional, repetindo, com um número de atores de grande relevo, que o preenchem por inteiro, são camadas de cebola de puro entretenimento, num filme ainda que trivializado, e teatralizado, é de competência imensa, onde o público é um personagem também, estilizado e de qualidade, numa película de apetite por humilhar um monstro da história moderna, um líder reservado, que o filme estende por terra, de forma brilhante e capaz, onde o rei é mesmo o niilismo da narrativa.

De realçar ainda, os inúmeros ataques cardíacos do personagem, onde a humilhação cava ainda um fosso maior, na procura da relação com a América, de Donald Trump, nas correlações finais que o filme tenta abordar, na vulgaridade com que atribui a cada cena, a cada crise política, e referência a megalomania, dos conservadores políticos que o filme refere e ironiza, é sem dúvida, o cair da máscara dos tempos passados, das figuras políticas da ordem mundial, que tanto mal fizeram, e que o leva a questionar, se tudo foi o que pareceu quando contado, do burocrata que subiu a pulso, das festas à política, mas que aqui, é apenas fruto da tortura que implementou e praticou, um sem forma, conservadorista, um covarde de fato e gravata.

E não pode mesmo perder, vá então ao cinema, veja o filme do ano, chega às salas na próxima semana, Vice.


DATA DE ESTREIA: 14/02/2019

REALIZAÇÃO: Adam McKay

ARGUMENTO: Adam McKay

ELENCO: Christian Bale, Amy Adams, Steve Carell, Sam Rockwell

GÉNERO: Biografia, Comédia, Drama

PAÍS: EUA

ANO: 2018

DURAÇÃO: 132 minutos

 

 

 

 

10
23 anos. A licenciar-me em Comunicação Social e Cultural. Um futuro Jornalista de Cinema.
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