X-Men a saga da Fénix Negra é o último suspiro da franquia pelas mãos dos Estúdios Fox. Depois deste filme a propriedade intelectual mutante vai para a gaveta arrefecer e esperar que o público tenha esquecido os acertos e muitos desacertos dos estúdios com que os Estúdios Fox nos brindaram. A Disney comprou os Estúdios Fox e vai começar a plantar as sementes de uma nova abordagem aos mutantes no Marvel Cinematic Universe (MCU) daqui a alguns anos.

Para mim, que acompanho os X-Men desde cedo, nos comics, cada uma destas aparições no cinema deixava sempre um gosto amargo. Os Estúdios Fox sempre trataram o material original com pouco respeito e ambição. O reboot da franquia “X-Men: First Class” deu esperança (para mim o melhor filme da franquia, estava lá o “espirito do X-Men”). Mas a partir daí foi sempre a descer. Terá sido este último filme, à semelhança de Logan, uma despedida cheia de dignidade?

A primeira pergunta que me ocorre é se precisávamos de voltar a ver a saga da Fénix Negra adaptada pelas mesmas pessoas que a adaptaram mal da primeira vez? Esta pergunta denuncia a minha má vontade para com o filme. Mas como sabem essa não é a primeira pergunta que faço sempre que analiso um destes filmes. A primeira pergunta é sempre se é um bom filme? Fui por isso ver o filme aberto e colocando o preconceito de lado. Durante os primeiros 20 a 30 minutos estava a apreciar o filme, aceitando as mudanças feitas deixando o fanboy em mim adormecido. Agora quando o argumento começou a apresentar fragilidades, personagens genéricos e a narrativa começou a arrastar-se o filme perdeu-me e dei por mim a olhar umas quantas vezes para o relógio. Acho que até sei o momento exacto em que isso começou a acontecer.

“Os miúdos estão a chamar Fénix à Jean…” e assim se apresenta o título de um filme. Os miúdos estão a dizer… A sério?

É uma boa adaptação é a segunda questão. Também posso dizer que não. Antigamente quando explicava aos meus amigos menos entendidos em comics que os filmes dos X-Men, uns melhores outros piores, com mais ou menos acertos nos actores, eram ainda assim fracos quando comparados com o material original era difícil passar a minha mensagem. Com o culminar do MCU que aconteceu este ano em Avengers: Endgame ficou mais fácil. Não havia peso no X-Men, não havia ambição e podia haver a Marvel Studios criou isso mesmo, portanto a Fox também podia ter feito, com a vantagem de os X-Men serem muito mais populares do que os Avengers. No caso deste filme esta ambição falha porque nos apresentou a Jean Grey há um filme atrás e por isso não me importava assim tanto com o seu destino. Falta peso a estes personagens e filmes. Falta peso e o peso também está mal distribuído. A personagem Raven e a sua importância altamente exagerada na franquia é disso a principal evidência.

Os actores envolvidos sustentam a atenção do espectador uma vez que o 2º acto arrastado e 3º acto genérico me fizeram aguardar impacientemente pelo fim do filme para poder escrever aqui sobre ele. Tal como disse os actores escolhidos para alguns dos papeis foram dos principais acertos da franquia e que me mantiveram os olhos abertos. James McAvoy e Michael Fassbender são sempre um prazer de ver actuar. Talvez o principal acerto da Fox e que mascarou um pouco os filmes que fizeram ao longo destes 19 anos foram os actores escolhidos para desempenhar o papel de Professor X e Magento, fundamentais na mitologia dos mutantes e que em “X-Men: First Class” tiveram a sua relação bem explicada aos espectadores. O tal peso que faz com que quando as coisas acontecem as possamos sentir, juntamente com as personagens.

Um filme genérico com actores acima da média e duração exagerada mas que dificilmente deixa saudades aos fãs dos X-Men. Agora resta esperar que a franquia arrefeça o suficiente para que a Marvel Studios possa começar a misturar os mutantes com o restante universo e possamos ver bons filmes e boas adaptações.