Série da Netflix, baseada no livro de Caroline Kepnes com o mesmo nome, é um thriller psicológico que tem 10 episódios de cerca de 45min cada…para já tem 2 temporadas, no entanto é provável que vá haver uma terceira. A temática da série continua a ser a mesma, a vida amorosa de Joe e os esquemas que ele arranja para conseguir o que quer.
É uma série que se torna um tanto ao quanto educativa a nível psicológico, provavelmente uma série que espectadores com interesse em psicologia irão adorar…obviamente que com muito drama e mistério à mistura.
Sendo uma série com apenas 10 episódios e que mantém um ritmo constante, será completamente normal que no fim do primeiro episódio o espectador queira ver o episódio seguinte…para quem gosta destes temas muito provavelmente vai ficar colado ao ecrã e acabar por ver a série em 3 dias (se não for menos).

 

Análise formal:
A nível de imagem nesta temporada temos novamente um cuidado em deixar uma imagem suave sem efeitos dramáticos, no entanto a nível de temperaturas de cor temos maioritariamente uma divisão de tons quentes e frios menos evidente…existem temas de cor mais neutra ou tons frios e quentes menos exagerados…o que pode simbolizar a mistura do “bom” com o “mau”…do “cinzento” em vez do “preto no branco”.
Assim como na primeira temporada temos transições de imagem suaves assim como movimentos de câmara…talvez para suavizar o tema (visto que é algo pesado). Temos o uso do flashback com uma imagem menos saturada, normalmente acionado em momentos de stress psicológico de Joe.

Já não temos as mensagens que aparecem no plano a serem lidas pela personagem que as escreve…acho que é algo que se fosse mantido como na primeira temporada seria mais interessante, dando um dinamismo ao plano em que duas coisas estão a acontecer ao mesmo tempo…no entanto percebo porque não tenha sido usada essa técnica, porque vemos muito menos mensagens nesta temporada e não há conversas de grupo entre as personagens.
Assim como na primeira temporada, temos novamente a narração de Joe, mas apenas dele em toda a série. A música é variada em estilo dependendo da ação em que se insere…o score é minimalista e progressivo como na primeira temporada, muito soft que passa despercebida enquanto a série decorre.

O uso de plot twist no primeiro episódio vai prender muitos ao ecrã…no entanto temos que perceber que isto é apenas uma estratégia para ter esse exato efeito…sim haverá mais plot twists para a frente no entanto será mais para o fim da série…mas que não vão deixar ninguém descontente…está realmente bem feito e para quem não está habituado a este tipo de temas psicológicos será uma grande surpresa.
Ao contrário da temporada anterior, nesta nova temporada temos uma participação maior por parte das personagens que convivem com Joe…conseguimos melhor perceber como são psicologicamente e do que são capazes.

Para quem pensa que esta temporada vai ser mais do mesmo, que vai ser tal e qual como a primeira, está completamente enganado…sim ao inicio temos a mesma tática de aproximação e a mesma maneira de representação que nos leva a pensar que vai ser tudo igual…mas poucos episódios depois percebesse que não vai ser nada como a primeira…vai ter uma complexidade muito maior e os comportamentos de Joe e das personagens que convivem com ele vão ser muito diferentes aos da primeira temporada. Coisa que não deixa de ser usado nesta temporada é a pequena dose de informação que nos dão de episodio em episodio, coisa que nos leva a fazer muitas questões e nos deixa curiosos sobre o que vai acontecer a seguir, mantendo-nos agarrados ao ecrã.

 

PERSONAGENS:
Todas elas muito bem representadas, os atores e atrizes encaixam perfeitamente nos seus papeis e tornam a série ainda mais interessante. Sendo esta uma série que envolve muito o lado psicológico das coisas, uma má representação poderia estragar a série por completo.
As personagens que convivem com Joe acabam por ser afetadas de alguma maneira psicologicamente…sendo a sociopatia uma patologia que se cria (que não se nasce com) algumas personagem começam a desenvolver padrões e comportamentos parecidos, devido ao trauma que Joe lhes causou, assim como aconteceu com Joe em criança.

 

Joe:
Continua a ser de longe a personagem mais interessante em toda a série. Retrata uma pessoa com sociopatia perfeitamente, obviamente com alguns exageros visto que é ficção, no entanto os padrões de comportamento e linhas de pensamento estão lá. É uma personagem complexa e em conflito interno durante toda a série…o facto de termos acesso ao seu pensamento faz-nos ter mais empatia por ela e torna-a ainda mais interessante.
Joe começa por nos dizer que vai começar do zero em L.A. com uma identidade diferente (Will) e que não se vai envolver, mas isso rapidamente muda. Temos um Joe mais consciente da sua maneira de ser e a esforçar-se para que a mesma história não se repita. Vemos mesmo joe a debater-se e lentamente a se deixar ir nos comportamentos típicos da primeira temporada. Temos durante o decorrer dos episódios a explicação através de flashback de o que levou Joe a ser o Joe que conhecemos e algumas perguntas se levantam sobre a mãe de Joe (tanto por memórias como por alucinações que nos são apresentadas).
Nesta temporada temos um Joe um pouco mais desleixado, deixa pontas soltas, quase que facilita o trabalho das outras personagens a desmascará-lo…e o mais curioso…sendo Joe tão metódico como é que não reparou que lhe entraram em casa? (provavelmente conveniência narrativa, como a situação de não haver cortinas no apartamento de Beck).

Candace:
A personagem misteriosa da primeira temporada (que pensávamos que estava morta mas que afinal está viva) que vai deixar de ser um mistério. É nos mostrada toda a história e todos os acontecimentos ao longo desta temporada. Começa a desenvolver alguns padrões parecidos a Joe…no entanto sem ser capaz de matar ou magoar alguém da maneira que Joe é capaz. É a vingadora e justiceira desta temporada. Tendo o desfecho que teve em cena…será que Candace ainda vai aparecer na próxima temporada, ou será que foi este o fim dela?

Will:
A personagem que iria criar uma nova identidade para Joe e a quem Joe decide roubar a identidade…e que na verdade parece ser bastante compreensiva depois de tudo o que Joe o faz passar. Não foi uma personagem que psicologicamente fosse consistente, talvez pelo facto de durante toda a série só o vemos a conviver com Joe e numa situação um pouco “limitadora”. É uma personagem que anda por caminhos um pouco perigosos e que pelo meio acaba por arranjar problemas a Joe…sendo Joe, a pessoa com a sua nova identidade a ter que resolver.

Love:
A rapariga que é o oposto de Beck, astuta, independente, com uma personalidade forte e com estabilidade financeira. Vai mostrar-nos muitas facetas e vai logo de início fazer-nos questionar o seu comportamento…para quem tem conhecimentos em psicologia não será uma surpresa e será quase previsível, para o resto das pessoas será realmente uma grande surpresa. É Love que vai poder entrar na terceira temporada e talvez tornar as coisas mais caóticas.

Forty:
Irmão gémeo de Love, um bocado desequilibrado devido ao seu vicio em drogas e álcool…será um furacão descontrolado…que também irá exibir alguns comportamentos e padrões questionáveis…será mais um justiceiro nesta temporada com grandes problemas por resolver.

Henderson:
Um pouco como o ex namorado de Beck e Peach, um “famoso” convencido e arrogante (mas com uma máscara de pessoa amigável e preocupada), a típica pedra no sapato como Joe o veria. Com atitudes e comportamentos questionáveis que Joe irá resolver á sua maneira.

Ellie:
Um pouco como Paco, é uma adolescente um pouco negligenciada que tem que ser adulta mais cedo, novamente Joe mostra o seu lado mais humano e amigável, preocupando-se realmente com ela. É uma rapariga inteligente assim como Delilah (irmã) que vai passar muita coisa e a vai transformar talvez em alguém muito diferente. Joe sendo a personagem protetora acaba por ajudar Ellie a sair de más situações, metendo-se ele nas más situações.

Delilah:
Inteligente, mas com a faceta de menina mimada, ao mesmo tempo “dona do seu nariz”. É uma personagem com traumas e tenta esconder esses traumas com uma máscara de frieza e desinteresse. Será alguém com quem Joe se vai dar muito bem e com quem se irá preocupar.

 

Para finalizar…esta série está ainda mais complexa do que a primeira, tanto a nível de enredo como a nível de personalidade das personagens, no entanto trata o tema de uma maneira ritmada e fácil de ser compreendida e digerida pelo espectador.
Esta série é apropriada para audiências acima dos 16 anos, obviamente devido à complexidade psicológica das personagens e pelas partes mais sexuais e gore de alguns episódios.