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Genial
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Análise de ‘Black Mirror: Bandersnatch’

O novo filme de Black Mirror finalmente saiu e vai deixar o mundo de boca aberta e se for como a mim, com a cabeça frita. O filme retrata a história de um jovem que faz um jogo baseado num livro que a sua falecida mãe tinha, Bandersnatch. Isto é tudo o que sabemos da vontade própria de Stefan, depois disto cabe a cada um dos visualizadores começar a tomar as decisões por ele de forma a avançar com o filme e ter a hipótese de saber mais sobre a vida dele e o mundo que o rodeia. Há medida que o tempo vai avançando e vamos tomando decisões, vezes e vezes sem conta, entende-se que o próprio filme e o facto de nós tomarmos decisões por ele, está completamente interligado com o jogo. Há uma perceção que não só estamos a tomar decisões pela personagem como também somos parte do filme ao monitorizar o que ele vai fazer, no sentido em que num momento do filme, é como se diretamente interagíssemos com a personagem.

O filme fala de realidades paralelas e como nós conseguimos ter acesso a elas como se fosse um espelho. Ao longo do filme, temos a experiência de assistir ás diversas realidades do Stefan. As diversas realidades que podem existir, desde a ele não se aperceber dessas mesmas constantes realidades, a ele saber que elas existem e que ele está a ficar perdido nelas. A meio do filme inclusive, ele começa a perceber que deixou de tomar decisões por ele próprio e que como previamente mencionei, que somos nós que agora o estamos a fazer. O filme, tal e qual como um jogo, pode tornar-se viciante porque a audiência tem a hipótese de assistir a diferentes cursos que podem levar a diferentes finais – ainda que, pelo o que parece, o final infelizmente será sempre o mesmo, acaba por ser tudo uma ilusão que nós temos controlo quando na verdade não o temos.

Black Mirror: Bandersnatch

A equipa do Netflix elevou o patamar ao fazer um filme de uma série como se fosse um videojogo. Tanto a qualidade do filme, como a qualidade dos atores é fenomenal. Chega a um ponto que até o espetador pode começar a questionar se a sua realidade pode ser controlada pelo o governo, ou se existe mesmo qualquer controlo sobre o destino e os caminhos da nossa vida. O filme tem várias referências a George Orwell, especialmente por se passar no ano de 1984 e também, Aldous Huxley sendo que estes dois autores se dedicaram a escrever livros sobre mundos distópicos que cada vez mais deixam de estar tão longe da realidade.

Como todos os outros episódios de Black Mirror, este filme é mais uma critíca à sociedade onde vivemos. Até que ponto temos mesmo controlo sobre aquilo que decidimos? Será que o entretenimento é uma forma de manter a audiência calada e distraída face aos terrores que andam a acontecer, ou ao que o governo faz por trás das nossas costas? O que sabemos na realidade? Estaremos assim tão desatentos ao mundo em nosso redor? A nós mesmos? E, levanta uma questão pertinente, será que a audiência tem mesmo poder sobre aquilo que um criador faz? Ou, temos apenas a ilusão que podemos criticar e mudar os finais das séries, filmes ou livros que lemos e assistimos?

O que tu achaste do filme?

Mais tarde sairá uma outra publicação dedicada às teorias do filme, por agora podemos dizer que a equipa de 8.5Bits adorou este filme, o que não é surpresa nenhuma, sendo que é um filme de Black Mirror.

9
Genial

Black Mirror Bandersnatch

Mais uma grande criação sobre a realidade distópica.

Pros

  • Inteligente
  • De cortar a respiração
  • Bons Visuais

Cons

  • Falta de soundtrack
Writer, poet, student and dreamer.
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