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Bom Filme
Cinema / TV

Análise a “Vidro”

Glass é o retorno de M. Night Shyamalan ao universo por si criado em Split (ou terá sido logo a partir de Unbreakable?). Julgo que não é segredo pra ninguém que este é o terceiro capítulo de uma trilogia que se iniciara 19 anos antes em Unbreakable.

No ano 2000, o universo dos filmes de Hollywood ainda tinha poucas entradas baseadas em  personagens de banda desenhada. A bd e o cinema ainda estavam longe de se cruzar com tanta frequência como agora acontece. Unbreakable foi um dos primeiros filmes de bd, que se levava a sério, indo até mais longe, incorporando a bd na narrativa e desmontando os seus mecanismos para o público. Para mim enquanto apreciador de bd, Unbreakable foi refrescante por trazer os comics para o centro da trama sem os ridicularizar. Não foi este o filme que tornou mainstream os filmes de bd, mas apresentou o tema de forma muito digna.Era um filme de Bd na essência pois não foi baseado em nenhum comic.

Em Split, fazendo jus à sua assinatura/maldição de “plot twister”, o realizador brinda-nos nos últimos momentos com a ideia de que Split, se passava no mesmo universo do filme que fizera 17 anos antes. Inesperado para o filme que se estava a ver e ao mesmo tempo absolutamente pertinente nesta era em que todos os estúdios andam atrás do seu universo cinemático.

Em Glass voltamos a encontrar o protagonista de Split personagem magistralmente interpretado por James McAvoy; Bruce Willies regressa ao ao papel de David Dunn, o herói denunciado pelo nome que partilha as mesmas iniciais, recurso recorrente na bd; e por fim voltamos a ver Mister Glass antagonista denunciado também pelo roxo que veste, tal como muitos outros violões de bd. O filme junta os três volta às origens falando mais de bd levantando questões que pareciam já arrumadas neste universo.

O primeiro ponto pelo qual gosto de julgar um filme sequela é se funciona, sem conhecimentos externos, ou seja, se é uma obra completa (e válida sem a soma das partes)? Sim. Mas ter visto os capítulos anteriores ajuda a criar mais peso. Apesar dos longo dos dois filmes anteriores nenhum ter a preocupação de ser parte de um todo. Mas é lhes acrescentado peso e sentido se colocados lado a lado.

A história funciona e eu estava interessado desde os primeiros momentos, acho que até para alguém que não aprecie fantasia a trama é apresentada de forma inteligente o que é bom para o género.

Uma nota positiva para a banda sonora que pontua a tensão que se vai instalando e nos leva até ao intenso 3° acto do filme. Discreta e eficaz.

O filme pode não ser no entanto consensual uma vez que algumas decisões do realizador podem não agradar a todos que podem questionar ou procurar plot holes. Alguma discussão o filme há de gerar. Eu estarei com certeza do lado dos que gostaram. Personagens com arcos bem definidos e um honesto esforço narrativo que deixa de lado a tendência e se preocupar sim em evoluir os personagens. Se a evolução é de acordo com as expectativas já é outra questão.

Como encerramento da trilogia este é um filme inteligente, cheio de boas interpretações uma verdadeira carta de amor à bd com um terceiro acto de agarrar todos à cadeira.

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Bom Filme
Porque a meu ver o filme faz aquilo a que se propõe: encerrar uma triologia sem pontas soltas. Embora possa não haver um consenso em relação às decisões criativas e de interpretação da trama de banda desenhada, dificilmente , podemos considerar Glass um mau filme. Em momento algum existe desrespeito intelectual por quem vê e quando assim é escolho ficar com o realizador até ao fim e ver a história que me quer contar. No final o que interessa é saber se é bom tempo passado no cinema e para isso julgo que só há uma resposta: Sim.
Também conhecido como bdnauta. Um fã de banda desenhada, filmes e acima de tudo de boas histórias.
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