Nunca é tarde demais para reconhecer que, a realidade que nos rodeia, pode ser mais traiçoeira que o mundo que criamos para nos proteger. E é essa a premissa de Closer to Me.

Closer To Me é um jogo na terceira pessoa que explora a mente de um indivíduo aparentemente normal, mas quanto mais avança na sua jornada, mais questões lhe surgem. Aos poucos o senso de verdade e realidade desvanecem-se. As respostas são cada vez mais escassas. Afinal o que se passa?

Em Closer to Me, a estória é contada através de um ambiente interactivo, misterioso e pesado. A pressão psicológica é sempre constante. A personagem principal apesar de demonstrar estar inicialmente atenta, aos poucos, tem a sua sanidade em causa. Nunca se sabe o que poderá acontecer e se está mesmo a acontecer, ou se será tudo fruto da sua perda de sensibilidade.

Na missão apresentada no trailer, o jogador encontra-se numa igreja. A mesma onde o casamento dos seus pais se tinha realizado vários anos atrás. Porém, no momento presente, está a decorrer um funeral… sem participantes. O que se passa? Porque é que o caixão está abandonado? O que é que aquela nota quer dizer? Essas respostas serão dadas na resolução de diversos puzzles e desafios, baseadas nas memórias (re)vividas da personagem principal.

Principais características de Closer To Me:

  • Thriller/Suspense: a deterioração mental da personagem permite visualizar aquilo que está além da compreensão. Do mais simples, ao mais complexo, a perda de sentidos é uma constante.
  • Puzzles estranhos: vários desafios enigmáticos serão colocados ao longo dos níveis, que contribuíram para a perda e ganho de lucidez da personagem principal.
  • Violência psicológica: psicologicamente pesado/violento. Closer to Me, poderá incomodar os jogadores mais sensíveis, visto que aborda casos de depressão e pressão psicológica.

Closer to Me está actualmente em desenvolvimento para PC e PS4.

Via Lewk Inc.

O 8.5Bits falou com o Vasco Silva, Team Leader da Lewk Inc. para conhecermos melhor o ‘Closer To Me’.

Fala-nos um pouco acerca do teu jogo, a história, a banda sonora

A história do jogo é focada num rapaz, do qual não se sabe o nome, e que, por algum motivo, algumas das suas memórias foram ficando turvas. Ele não se lembra muito bem de certas partes do seu passado. Há medida que vamos avançando na história, o personagem vai, não só redescobrir, mas também descobrir que a sua vida nem sempre foi aquilo que parecia. É através das cartas que os mistérios vão sendo revelados, contando uma história que outrora ficou esquecida.

a banda sonora irá basear-se no espaço e tempo da ação e é reproduzida através de fontes espalhadas pelos cenários, focando-se essencialmente em música instrumental, desde órgão, guitarras, quartetos de cordas, piano etc. Cada uma inserida de acordo com o espaço e estado de espírito do personagem e ambiente envolvente. em comunhão com este elemento teremos também elementos eletrónicos, como se fossem vozes na cabeça da própria personagem e irão acompanhar o áudio reproduzido pelo elemento físico do cenário de forma consonante e/ou dissonante à mesma.

Como começou a tua paixão pelos videojogos?

Lembro-me de quando era criança, passar as tardes, a seguir às aulas a jogar com o meu pai, numa daquelas consolas que se ligava à televisão e vinha com vários jogos dentro da consola. A paixão começou aí, mas só se desenvolveu quando tive o meu primeiro GameBoy Advance, o qual não o largava, nem de noite, esperando os meus pais irem dormir para continuar a jogar mais umas horas. A pixel art presente naqueles jogos sempre me deslumbrou e me despertou curiosidade sobre como aqueles jogos eram feitos. Mas foi apenas à cerca de 8 anos que comecei a tentar desenvolver um jogo, já depois de ter acabado o meu curso de Artes. A partir daí foi-se desenvolvendo cada vez mais.

 

Dizes que é um jogo para resolver puzzles e colectar as cartas num ambiente claustrofóbico. Porque decidiste criar um jogo assim?

Nós queriamos representar as várias fases da depressão de uma pessoa que passou por vários eventos traumáticos durante grande parte da sua vida. Acho que também se deve a dois de nós termos passado por uma situação idêntica, e querermos mostrar aos jogadores que a depressão é algo mais do que aquilo que se faz passar para aos outros. Não vejo o jogo como uma forma de mostrar que tudo vai correr bem, pois nem sempre isso acontece, mas serve como forma de as pessoas terem uma noção do que realmente é passar por uma fase depressiva. Os puzzles e as cartas servem exactamente para isso. Os puzzles simbolizam os obstáculos pelos quais uma pessoa passa durante esta fase, e as cartas são as memórias escritas da personagem ao logo da sua vida, que são adquiridas apenas após resolver o problema, neste caso o puzzle.

Como foi o processo de criares as ilustrações para o jogo? Qual a tua inspiração?

Nós achámos importante que as ilustrações fossem diferentes do resto do jogo, e por isso pedimos a uma artista nossa conhecida para as fazer, baseando-se num guião escrito por nós.

As inspiração, segundo ela, nascem de um longo processo de pesquisa do tema e de um longo processo de exploração, criando diversos rascunhos para explorar o futuro potencial do personagem e ambiente, indo buscando, também, inspiração a várias obras que vai observando dia a dia, e vários autores, como Tyson Hesse, Mariana Domingues e Max Grecke.

Como é o dia a dia do desenvolvimento deste jogo? Quantas pessoas estão envolvidas? Quais os teus recursos?

Temos como hábito fazer reuniões semanalmente, mas mantemos sempre o contacto entre nós, trocando ideias e mostrando o desevolvimento uns aos outros, diariamente. Nem sempre conseguimos estar a desenvovler o jogo devido à vida profissional e universitária, mas temos arranjado sempre um tempo para nos dedicarmos ao Closer To Me.
Como somos vários a trabalhar no jogo, sendo neste momento 8 pessoas a fazê-lo, conseguimos abranger um pouco todas as áreas, o que facilita o processo, e não temos a necessidade de nos afastar da nossa área para aprender outra durante o processo de criação.

Alguma sugestão para novos developers que estão agora a começar?

Acho que a melhor sugestão que posso dar a novos developers é para deixarem sempre espaço para aprenderem mais. Ninguém sabe tudo, e acredito que esse é o erro de muita gente quando começa um projecto, seja ele qual for. Devemos sempre querer aprender mais, e estar em constante prática e estudo, pois só desta forma conseguimos evoluir enquanto profissionais.

Onde as pessoas podem seguir o teu trabalho?

Quem estiver interessado em Closer To Me pode seguir o nosso trabalho no Instagram, Facebook e Twitter, onde vamos publicando o desenvolvimento do jogo:
Instagram: https://www.instagram.com/lewk_inc/
Facebook: https://www.facebook.com/Lewk-Inc-100850564609630/
Twitter: https://twitter.com/IncLewk