Cinema / TV Destaques

‘Desbobinar’: 2018, de A a Z

Para celebrar o final de ano, o Desbobinar decidiu fazer jus ao seu nome e passar em revista os destaques de 2018 no que ao universo do cinema e da televisão concerne. Assim, seguindo a ordem alfabética, a rubrica parte numa viagem (pouco) nostálgica para se fazer ouvir uma última vez antes de dar lugar ao celeuma ensurdecedor dos batuques da meia-noite. De referir que todas as menções são reflexos de uma opinião meramente pessoal.

A de Avengers: Infinity War

O filme celebrativo do décimo aniversário do Universo Cinematográfico da Marvel foi uma das principais referências culturais de 2018. Recebido em apoteose, bateu recordes de bilheteira e tornou-se no primeiro filme de super-heróis a registar proveitos acima dos dois mil milhões de dólares. Para ajudar a confirmar esse estatuto, a Internet certificou-se que a popularidade de Infinity War não caía a pique, com inúmeras referências espalhadas pelas redes sociais.

B de Bohemian Rhapsody

Outra obra cujos índices de notoriedade foram (e ainda estão) elevados. O público deslocou-se em massa às sessões, provocando uma enchente diária nas salas de cinema, não obstante as críticas tecidas à narrativa algo desregulada. Porém, a performance de encher o olho de Rami Malek e a exímia réplica da atuação do Live Aid em 1985 são suficientes para tornar a biografia de Freddie Mercury num dos pontos marcantes do ano.

C de Call Me By Your Name

O filme realizado por Luca Guadagnino continua a ser assunto proeminente entre os aficionados da Sétima Arte. Após ter arrecadado o Óscar de melhor argumento adaptado, confirmou os rumores sobre a produção da sequela que os fãs tanto aguardavam. A estética, o naturalismo e a simplicidade embelezam uma das narrativas mais tocantes da década.

D de Deadpool 2

Não há muito a dizer sobre esta óbvia escolha. A irreverente personagem interpretada por Ryan Reynolds regressou numa sequela que vincou a qualidade de Deadpool, permitindo estabelecer-se como uma das obras mais influentes do universo Marvel.

E de Emily Blunt

Pode não ser uma escolha consensual, mas à falta de figuras cujos nomes se iniciassem pela letra ‘E’, a atriz britânica merece ser incluída nesta lista ao ter protagonizado outros dois cabeças de cartaz em 2018: A Quiet Place e Mary Poppins Returns.

F de Favourite, The

É verdade que deturpei alguns títulos para poder emparelhar algumas obras com o alfabeto. Contudo, espero que não seja razão suficiente para não prosseguirem a leitura do artigo. The Favourite só estreará em Portugal no mês de fevereiro, mas já foi reconhecido pela crítica como um potencial candidato aos Prémios da Academia. Tudo parece indicar que o realizador Yorgos Lanthimos vai, finalmente, afirmar-se internacionalmente com o seu estilo único e peculiar.

G de Glow

Glow narra os eventos de um conjunto de mulheres que, em 1985, se juntam a um programa de Wrestling. Uma série protagonizada por Alison Brie, aborda duas realidades convencionalmente não associadas pela sociedade com uma pitada de humor e algum drama a acompanhar, de forma a apaladar a narrativa.

H de Handmaid’s Tale, The

Novamente distorcido, mas espero que não levem a mal. A segunda temporada da série adaptada do livro de Margaret Atwood estreou num irónico, para os portugueses, dia 25 de abril, prosseguindo a trama da aia Offred, encurralada numa ditadura teocrática e forçada a servir de concubina. Ainda que distópico, aborda algumas premissas não muito distantes da nossa realidade.

I de Incredibles 2

Catorze anos depois, eis que a sequela de Incredibles obrigou Millennials a regressarem às salas de cinemas para reviver as aventuras da incrível família Parr. Mesmo que esteja uns patamares abaixo do seu antecessor, Incredibles 2 contém a mesma emoção e magia que originalmente marcou a minha geração, suficientes para não desapontar e deixar qualquer um de sorriso nos lábios. Agora, venha de lá Toy Story 4, Pixar.

J de John Krasinski

Integro o nome de John Krasinski na revista do ano com o mesmo intuito da referência à sua esposa Emily Blunt: homenagear um dos mais arrojados e perspicazes filmes de 2018, A Quiet Place. Protagonista e responsável pelo ambiente intenso e de cortar a respiração dessa obra, Krasinski continua a mostrar serviço na indústria cinéfila e a solidificar o seu lugar como um dos indivíduos mais influentes do mundo.

K de Killing Eve

Outra série amplamente aclamada pela crítica e que conta com um notável desempenho de Sandra Oh no papel principal. Para os amantes e apreciadores de espionagem, Killing Eve tem todos os ingredientes para saciar os gostos desse público.

L de La Casa de Papel

Provavelmente a série mais emblemática do ano, especialmente em Portugal. Chegou à Netflix no início do ano e rapidamente embrenhou-se no nosso quotidiano como tema de conversa à hora de almoço ou através de múltiplas referências à música Bella Ciao. A fama de La Casa de Papel atingiu proporções imensas e quem ousasse não ter visto sequer um minuto, era imediatamente considerado uma pária. Privilegia a fórmula ao invés do conteúdo, mas a mensagem inerente à narrativa e o modo como esta está desenhada foram suficientes para nos manter com os olhos colados à televisão e perturbar os padrões de sono.

M de Maniac

Realizado por Cary Joji Fukunaga e protagonizado por intérpretes aclamados como Emma Stone e Jonah Hill, Maniac pasma a audiência com elementos imaginários num argumento que procura escrutinar a psicose e os meandros íntimos da natureza humana. Induz ao pensamento sobre o modo como vemos e nos apresentamos ao mundo.

N de Narcos: Mexico

Após três anos em solo colombiano, a guerra contra as drogas mudou-se para o México e para meados da década de 80. A narrativa sobre o nascimento do primeiro grande cartel mexicano organizado e encabeçado por Miguel Ángel Felix Gallardo, continua a apostar na mesma fórmula e a ter sucesso graças a uma coesa equipa de produção, realização e grandes interpretações de Michael Peña e Diego Luna.

O de Ozark

Quarta série original da Netflix consecutiva. Estão a perceber o padrão, certo? A segunda temporada de Ozark não encantou tanto quanto a primeira, porém o omnipresente clima de suspense agarra a audiência, ao mantê-la intrigada e sempre na expectativa. Além disso, os traços das personagens passam por uma transformação semelhante aos de Breaking Bad, o que permite somar pontos na avaliação final.

P de Podem contactar-me para apresentar os Óscars

A sério, não se vão arrepender pois nenhuma das minhas redes sociais exibe comentários insultuosos ou profanações capazes de ofender alguém. Além disso, não precisam de pagar tanto para eu subir a palco e poderei transmitir um símbolo de integração comunitária a um país cujas relações internacionais têm azedado.

P2 de Paddington 2

Numa era em que as sequelas não conseguem replicar o quilate dos seus antecessores, Paddington 2 contraria essa tendência com mais uma divertida e bem construída estória do ursinho peruano.

E sim, é verdade que tardei a encontrar um filme para associar à letra ‘P’ e quando o fiz já era tarde demais. No entanto, decidi acrescentá-lo pois é capaz de resultar para efeitos humorísticos. Ou só para chatear. Prometo não colocar mais sub-letras.

Q de Queer Eye

Outra produção da Netflix e o ressuscitar de um antigo reality show que causou furor junto da comunidade LGBTI e não só. Relevante para a sociedade atual pois além de ajudar os participantes, também educam audiências com temas pertinentes, capazes de emocionar, esperançar e unir através da empatia e não desagregar pela raiva – algo que o conteúdo que consumimos é incapaz de concretizar.

R de Rami Malek

Despertara atenção para o seu talento como Elliot Alderson em Mr. Robot e em Bohemian Rhapsody confirma o que sobre ele há muito se augurava. Rami Malek é uma das figuras do ano e a sua interpretação do lendário Freddie Mercury ajudou a catapultá-lo para os reluzentes holofotes da fama. O seu desempenho foi o ponto alto do filme e mereceu a nomeação para vários prémios. Veremos se as palavras de Brian May se confirmam.

S de Spider-Man: Into the Spider-verse

Em jeito de homenagem a Stan Lee, faço referência à enérgica reinvenção do super-herói criado pelo falecido autor. Faz uma reflexão sobre as bastante conhecidas narrativas da personagem mas não esgota o público com estórias saturadas. A base da premissa pode ser a mesma, mas consegue reconstruir-se sob o mesmo ADN e sem alterar a essência do Homem-Aranha. Um dos filmes do ano.

T de The End of the F***ing World

A verdadeira razão para ter colocado The Favourite e The Handmaid’s Tale noutras letras foi para poder mencionar a série da Netflix junto do ‘T’. Uma conjunto de oito pequenos episódios que são grandes o suficiente para estabelecerem uma ligação instantânea à rebeldia e ingenuidade de dois adolescentes que procuram viver a vida à sua maneira e abrigar-se da hostilidade do mundo… mesmo que isso signifique ir de encontro a maiores adversidades. A segunda série já está confirmada.

U de Underwood

Pelas polémicas envoltas em Kevin Spacey, pela estreia da temporada de House of Cards com a ex-primeira-dama, Claire (Robin Wright), a assumir a presidência dos Estados Unidos e porque não encontrei outra escolha para a letra ‘U’ senão esta. Para quem está a leste na menção, é o apelido da personagem interpretada por Kevin Spacey na série mencionada.

V de Vice

O filme de Adam McKay que ilustra as ambições de Dick Cheney em tornar-se no mais poderoso vice-presidente norte americano. Com estreia marcada em Portugal para 2019, já começou a causar frenesi e divisão nos críticos, em especial dos Estados Unidos. Muitos aplaudem a abordagem satírica, outros sugerem uma forte parcialidade em relação aos visados. De qualquer forma, está nomeado para vários prémios e conta com um elenco recheado de estrelas, tais como Christian Bale, Steve Carell, Sam Rockwell e Amy Adams.

W de Westworld

Outrora considerado o sucessor de Game of Thrones, essa ideia extinguiu-se quando Westworld provou ter capacidade de galgar terreno na originalidade e construir um enredo próprio e marcante na televisão. Uma série de ficção científica, com uma ponderação inquietante sobre a inteligência artificial e a natureza humana, obriga o público a seguir a narrativa com atenção. Ainda que complexa, envolve a audiência dedicada à estória e desdobra-se em inúmeras teorias Internet fora.

X de X-Men, podiam ter feito mais um filme da vossa saga

Como não encontrei nada nem ninguém para a sempre traiçoeira letra ‘X’, utilizarei este espaço para acrescentar mais três menções honrosas à lista que, devido à desproporcionalidade entre o alfabeto e a indústria cinematográfica, não foram destacadas singularmente. Assim, fica o registo da incrível atuação de Lady Gaga em A Star is Born, da lufada de ar fresco que Sara, de Bruno Nogueira e Marco Martins proporcionou à televisão portuguesa e de Roma, de Alfonso Cuarón, que trouxe calma e serenidade a um mundo intensamente frenético.

Y de You Were Never Really Here

Intenso. É assim que descrevo o filme de Lynne Ramsay. O reconhecimento do thriller protagonizado por Joaquin Phoenix, que mais uma vez demonstra a sua versatilidade, teve o seu ponto alto logo no início, quando, no festival de Cannes, recebeu uma ovação de sete minutos. A estreia nas salas internacionais veio confirmar a expectativa gerada em torno desta obra que, apesar de tudo, ficou um pouco aquém nas bilheteiras.

Z de Zlatan Ibrahimovic

Sejamos francos, o futebolista sueco nada tem a ver com cinema e séries, mas ninguém pode negar a sua influência e ubiquidade. Zlatan é tão Zlatan que até figura em listas de atividades as quais nada contribuiu. Ainda assim, vou considerar a sua presença como convidado nos programas de Jimmy Kimmel e James Corden para legitimar a sua presença neste artigo.

Dois mil e dezoito foi um ano marcado pela crescente afirmação da Netflix e a capacidade em atrair grandes produtores e atores para os seus projetos. O cinema independente continua a demonstrar qualidade e inovação, enquanto Hollywood procura reinventar-se no meio do mar de polémicas que inundou a costa oeste americana. Com dois mil e dezanove à porta, ficam duas questões no ar: será que o paradigma irá continuar a mudar radicalmente? Quais serão os primeiros filmes a surgirem no mapa térmico da época quente? É esperar para ver e, posteriormente, desbobinar para analisar.

A escrita, o cinema e a Netflix são o norte deste rapaz que procura não se perder no Mestrado em Gestão de Marketing.
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