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‘Desbobinar’: Os Esquecidos dos Óscares 2019

Devido à quantidade de filmes produzidos ao longo de um ano, é comum testemunhar várias ausências das listas aos mais aguardados prémios cinematográficos. Terminada, assim, a cerimónia dos Óscares, o Desbobinar deste mês é dedicado a todos os atores, realizadores, obras ou argumentistas cujo trabalho não foi reconhecido pelo júri da Academia. Uma espécie de menção honrosa àqueles que, na modesta opinião do redator desta rubrica, mereciam ver o seu nome incluído na corrida às Estatuetas Douradas.

Ethan Hawke como Ernst Toller em First Reformed – MELHOR ATOR

O filme escrito e realizado por Paul Schrader confirmou o regresso à forma do argumentista de Taxi Driver. O seu ritmo lento pode não agradar à maioria da audiência, mas a crítica mordaz à temática abordada e a interpretação de Ethan Hawke acrescentam outro relevo a First Reformed. Considerado por muitos como um dos principais candidatos, o ator texano acabou por ficar de fora da lista dos cinco nomeados ao prémio de Melhor Ator, onde a concorrência, como seria de esperar, era feroz.

Timothée Chalamet como Nicholas Sheff em Beautiful Boy – MELHOR ATOR SECUNDÁRIO

Depois de se ter destacado com a atuação em Call Me By Your Name, o jovem ator provou uma vez mais, em Beautiful Boy, que é um nome a ter em conta para o futuro. A sua interpretação de um rapaz problemático, viciado em drogas, cuja história verídica é relatada pela voz de sofrimento do seu pai, Chalamet vestiu a pele de um é um dos pontos altos do filme. Não obstante as várias nomeações a diversos prémios mediáticos, acabou por ver Sam Rockwell a merecer o voto do júri, pela sua performance como George W. Bush em Vice.

Claire Foy como Janet Armstrong em First Man – MELHOR ATRIZ SECUNDÁRIA

First Man não fez jus ao tópico retratado e não brilhou tanto quanto outras obras de Damien Chazelle resplandeceram no passado. Contudo, a atriz que também protagoniza a raínha Isabel II na série The Crown mostrou a sua valia ao ser um dos destaques do filme biográfico de Neil Armstrong. Atendendo às cinco nomeadas, onde se incluiu a surpreendente Marina de Tavira, parecia haver espaço suficiente para Claire Foy ter o seu pequeno momento de glória. Para já, recebe uma menção honrosa.

Bradley Cooper em A Star is Born – MELHOR REALIZADOR

O versátil Bradley Cooper deu o corpo e a alma em A Star is Born mas isso apenas lhe valeu, em termos individuais, a nomeação ao prémio de Melhor Ator. Esteticamente, pode não ser o filme mais vistoso, isso se compararmos com o trabalho desenvolvido em Roma ou The Favourite. Contudo, pela entrega do elenco e a capacidade em adaptar uma narrativa à medida dos intervenientes, cativando e emocionando audiências, merecia ver o seu nome inserido noutra categoria. Isto tudo, sem esquecer, na estreia de Cooper como realizador.

Paul Schrader em First Reformed – MELHOR REALIZADOR

Começa-se a construir um padrão recorrente nesta rubrica. First Reformed parecia ser um filme que encaixava perfeitamente no puzzle que é a mente do painel da Academia, com uma realização cuidada e que procura evidenciar os estados de espírito das personagens através dos planos montados por Paul Schrader. Sem dúvida uma das maiores ausências do certame dos Óscares logo no melhor filme desenvolvido pelo argumentista e realizador norte-americano em largos anos.

A Quiet Place – MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL

Co-escrito e realizado por John Krasinski, A Quiet Place foi um dos filmes mais populares do ano que, provavelmente, estaria indicado à mais recente categoria epónima dos Óscares, entretanto retirada pelo painel da Academia. Com uma estrutura sólida, para o qual contribuiu o argumento, performance do elenco e realização, causou alguma surpresa não ter figurado na lista de candidatos para receber o prémio acima indicado. A explicação que muitos apontam para a ausência é tratar-se de uma produção de terror.

Sorry To Bother You – MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL

Talvez o nome da presente lista com a menor hipótese de figurar no lote de aspirantes à supramencionada categoria. Uma sátira de Boots Riley cujo conteúdo funcionaria melhor numa minissérie mas cuja originalidade merece ser enaltecida, quer pelo humor, quer pelo comentário crítico nele presente. De referir que se trata de uma obra de cariz pessoal e que também foi adaptada em álbum pela sua banda, The Coup, contribuindo ainda mais para a intertextualidade cinematográfica.

First Reformed – MELHOR FILME

A rubrica termina com o culminar do padrão dos esquecidos dos Óscares de 2019. Num ano em que alguns filmes nomeados à categoria máxima da cerimónia não deslumbraram e dividiram a crítica, First Reformed foi, à semelhança de Schrader e Hawke, colocado de parte. Mesmo que tenha reunido algum consenso, a falta de publicidade e consequente popularidade podem explicar a razão pela qual ter sido preterido em favor de certos filmes que fizeram valer o seu word-of-mouth.

 

A escrita, o cinema e a Netflix são o norte deste rapaz que procura não se perder no Mestrado em Gestão de Marketing.
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