Cinema / TV

“EXTREMAMENTE PERVERSO, ESCANDALOSAMENTE CRUEL E VIL” (review)

Extremamente Perverso, Escandalosamente Cruel e Vil, é a íntima partilha da história, de um dos mais notórios e violentos assassinos em série de que há memória, o americano, Theodore Robert Bundy, conhecido por todos como simplesmente, Ted Bundy, que durante a década de 70, raptou, roubou, violou, assassinou e praticou necrofilia, em mais de 30 casos confirmados pelo próprio, com mulheres e raparigas de variadas idades e sítios, nos Estados Unidos da América, ao longo de sete estados, dados estes que se acreditam, poderem ser de números até superiores, muito perto da casa da centena de casos, que levaram posteriormente, há execução do mesmo acusado, por meio de cadeira elétrica, em 1989, morrendo aos 42 anos de idade, e vendo as suas cinzas espalhadas e depositadas, em locais de crime assinalados pelo próprio.

O filme é em si, a crónica da vida criminosa deste sociopata, contado inteiramente, através da perspetiva da sua namorada de longa data, Elizabeth Kloepfer, mais conhecida também por, Liz Kendall, numa fita que revela o lado atraente, inteligente, carismático e carinhoso deste monstro, que de forma manipuladora, mentirosa e suja, impossibilitou a namorada de resistir aos seus encantos, considerado o homem perfeito por ela, até ao dia em que a felicidade e a vida perfeita do casal são quebradas para sempre, aquando da acusação e prisão do namorado, indiciado por uma série de crimes terríveis, onde a preocupação depressa dá lugar à paranoia, e Liz é obrigada a encarar a realidade, enfrentando as provas de que Ted, o homem com quem partilhava a sua vida, era de facto, possivelmente, o psicopata mais implacável de todos os tempos.

Num tribunal em frenesim, de voltas e revoltas, durante longos anos, onde uma jovem mãe solteira, relutantemente envolta em atenção, na caça ao homem e namorado de vida, é uma pequena sinopse para esta trama, baseada no livro das memórias da mesma, o príncipe fantasma, como se referiu a ele, é um filme onde o documentário choca com o drama, e o resultado é um bom pedaço de cinema, um filme de grande talento de ambos os protagonistas, envoltos num argumento e narrativa controversa, dada à extrema delicadeza do caso, que ainda abala o mundo, é uma grande aposta no género de crime e mistério, que vai certamente gerar discussão, mas também, devo dizer, uma agradável surpresa fílmica, cinematograficamente falando, é um filme que satisfaz e entrega, principalmente, por mandar Ted Bundy às ortigas, nunca o glorificando, e sempre com o olhar para as vítimas que perderam as suas vidas, às mãos de uma besta como esta.

É um filme de homicídios em séries, com um toque e estilo bem próprio, daí ser diferente e para melhor, na minha opinião, pois não eleva a rodagem de mortes ao ecrã, mas sim os bastidores, e apenas o que de forma invisível e indireta, Ted Bundy queria transparecer, invulgar e numa nova lufada no género, mas que resulta por completo, realizado sem foco na violência extrema e nos atos em si, foca na batalha pela condenação em tribunal, e na relação entre ambos, onde a primeira parte e ato do filme é um pouco complicado de definir, enquanto a segunda é estabelecida em momentos de tristeza, ladeado de uma atmosfera forte, de passo interessante e no bom caminho técnico, o filme envolve o espetador muito bem, melhor que muitos outros dramas, e que mostra muito para além do que já se sabia de partida, não sendo um filme para apresentar o assassino, mas sim para descodificar o assassino, desde as suas relações amorosas, as vítimas, o tempo de prisão, a interação com os média, e tudo envolto aos julgamentos, e onde uma abordagem tão pessoal, característica e única do realizador e do argumento, faz este filme ser tão acertado.

Passados cerca de 40 anos, é ainda um tema a explorar, e certamente, a melhor abordagem até à data, que mostra como o demónio evolui, na presença de amor, e no segredo da relação, e sobretudo justifica e apoia, a mulher que muitos anos foi enganada pelo perverso, cruel e vil homem que partilhou, na perspetiva da mesma, este filme defende e segura uma mulher, que ainda se encontra viva, e que merece uma homenagem como esta, e que sugere a ideia, que cada um de nós, por mais bem parecido que aparente, pode ser capaz de cometer tais asquerosas cenas, atos de contradição para quem nos trata bem, e onde apesar dos cortes que o filme perde em cometer, é amparado por um casting de grande e forte presença, que com todo o acesso a imagens reais da altura, encararam muito bem o que deviam de encarar, e de grandes cenas, é um filme que promete, cumprindo.

Conclusão, filme importante, diferente, que vale a pena, nem que seja, para não esquecer, 12 de Maio, em cinema.

7/10

TÍTULO ORIGINAL: EXTREMELY WICKED, SHOCKINGLY EVIL AND VILE

DATA DE ESTREIA: 16-05-2019

REALIZAÇÃO: JOE BERLINGER

ARGUMENTO: MICHAEL WERWIE

PRODUÇÃO: NETFLIX

ELENCO: ZAC EFRON, LILY COLLINS, KAYA SCODELARIO, ANGELA SARAFYAN, HALEY JOEL OSMENT, JIM PARSONS, JOHN MALKOVICH

GÉNERO: BIOGRAFIA, CRIME, DRAMA, THRILLER

ANO: 2019

PAÍS: EUA

CLASSIFICAÇÃO: M/14

DURAÇÃO: 110 MIN

 

23 anos. A licenciar-me em Comunicação Social e Cultural. Um futuro Jornalista de Cinema.
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