O novo filme da franchise de ação de Tom Cruise tenta ser muitas coisas mas acaba por não conseguir passar de uma extrema monotonia.

O realizador, nada menos que o responsável por O Último Samurai, não consegue criar sequências memoráveis ou setpieces de cortar a respiração, ainda que tenha estado perto; o clímax do filme passa por uma parada de Halloween e esse momento tem os seus pontos positivos, ainda que no final fiquemos com a sensação que no último filme de James Bond, Spectre, um momento assim foi mais bem executado.

Estas quase duas horas parecem ter sido feitas unicamente para mostrar Tom Cruise à bulha. Pessoalmente não tenho nada contra isso, mas quando essa é a principal prioridade, os outros campos do filme ficam bastante aquém do que seria expectável: o vilão, por exemplo, nem sequer tem nome ou uma backstory, não sabemos nada dele, sabemos apenas que é o mau e que tem de ser derrotado pelo nosso protagonista, porque já vimos filmes suficientes para saber como estas coisas se desenrolam. Apesar disto, é refrescante ver que um filme de Hollywood dê mais importância a lutas mano-a-mano do que a disparos de armas e metralhadoras sem sentido (coisa que tem amaldiçoado quase todos os filmes de ação dos últimos anos).

Mas o maior problema com este filme reside no facto de que este parece não ser sobre o protagonista. Isto é, ele é a figura principal mas nunca o conhecemos verdadeiramente, porque mil e uma coisas se vão metendo pelo caminho, a começar pelo pseudo-drama que o realizador nos tenta impingir sobre uma possível filha perdida. Há uma forte recorrência nos filmes de ação em tentar dramatizar tudo e mais alguma coisa porque, afinal de contas, toda a ação decorre de drama, no entanto, aqui não faz qualquer sentido, nota-se que é uma linha narrativa completamente forçada e para nos tentar mostrar um lado mais humano de Jack Reacher – é uma forma bastante preguiçosa de nos fazer mostrar isso. Todo o argumento à volta, bem como do resto dos eventos da história, é fraco, insonso, em que nunca nada parece real. Mas esse é o resultado que se obtém quando se faz um filme que tenta demasiado e que não tem uma personalidade própria ou sequer vincada, como é o caso aqui.

Uma coisa é certa: este filme não teria tanta audiência se a sua estrela não fosse Tom Cruise. Isto porque a única coisa que nos prende ao filme não é o plot, a fotografia, ou a música, mas sim o carisma do ator americano. Infelizmente, mais nada no filme está ao seu nível.

Pedro Gomes é Editor de Cinema no 8.5Bits | pedrogomes (arroba) 8dot5bits.com