Escrito e realizado pelo americano David Lowery, autor de alguns filmes de médio sucesso dos últimos anos, chega aos cinemas esta semana, O Cavalheiro com Arma, obra um tanto verídica da história real de Forrest Tucker, um típico ladrão de bancos, na casa dos 70 anos, desde a sua fuga da prisão de San Quentin, a uma sucessão de roubos e fugas das autoridades, que encantavam o público, com charme e sorrisos por onde passava, e esta é também, a aventura do cativado detetive que o perseguiu, John Hunt, e de uma mulher, que no final o amou, apesar de tudo.

Já em exibição, este filme com honras do festival de Toronto, é uma das mais bonitas e belas histórias de vida que vi ultimamente, totalmente inspirado em factos, é o drama melodramático que mais me entreteve recentemente, um filme audacioso, como o nosso personagem central, apenas me sentei na sala e observei um homem a cometer crimes de sorriso no rosto, e retive em mim o sentimento de adoração, de um homem sem pena do que fazia, pois era feito sem vitimizar ninguém, e isso é o que melhor passa do filme, mesmo de um género já gasto, e que demora a revelar, de um homem nos finais da vida, apenas a fazer o que melhor sabe, e o que mais gosta, e que acabamos por respeitar, de todas as maneiras e mais algumas, é um homenagem a uma figura de pura e dura classe americana.

Robert Redford, nomeado aqui aos Globos de Ouro, para melhor ator, senhoras e senhores, é a classe em pessoa, um ator mais que respeitado e apreciado pela sua presença, hoje com 82 anos, e ainda para as curvas, é quem respira este personagem, em todo o seu carácter e charme no ecrã, carismático por natureza que afeta a audiência, numa performance não se sabe, mas que pode muito bem ser, a derradeira antes da reforma, o ator deixa o filme na mais alta frequência capaz, apesar de não ser o filme do ano, é apenas em termos de entretenimento, a mais relaxante experiência de cinema que se pode ter, num filme que lhe dá tudo o que espera dele, e ainda um pouco mais, o ator é razão deste filme existir, a briza que eleva no filme é imensa, e numa atuação graciosa como esta, só lhe deve dar mérito, de um velho sábio e carinhoso, com uma personalidade de matar corações.

O filme conta ainda com dois atores de peso, a atriz Sissy Spacek, a Jewel, e jóia do nosso ladrão, também ela graciosamente tremenda no seu tempo, e com o ator Casey Affleck, no papel do detetive, completam a poesia bonita e mais intensa dos últimos tempos, num filme de lento passe mas nada enfastiador, de um homem, junto do seu gangue de três homens, que apenas fazia o que queria que a vida dele fosse, roubar bancos, sem dor, apenas com o sorriso, classe pura e entretenimento, num filme calmo mas com todos os elementos presentes, para apreciar as mais particulares caraterísticas da vida deste homem, de um ladrão com cadastro desde os seus 13 anos, que teve 16 fugas de diferentes prisões conseguidas no seu tempo, e mais de 90 roubos, mas que no fim, não se consegue apontar ou criticar, especificamente, é um filme de direção para a loucura, mas realista e genuína, de um homem natural e bem disposto romântico, que certamente lhe recomendamos.

Que mais pode querer, vá ao cinema e veja esta belíssima peça de poesia cinematográfica, onde Robert Redford é Forrest Tucker apenas, um cavalheiro, a viver as aventuras da vida, com um sorriso.