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Reportagem especial – 20 anos de Tomb Raider

Chegou recentemente às lojas de todo o mundo Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration, para PC, Xbox One e PS4. Para muitos, este pode ter sido o primeiro contacto com a mais famosa heroína da história dos videojogos, Lara Croft. No entanto, como o próprio nome indica, Lara faz vinte anos, e apenas aqueles que já eram jogadores nos anos 90 poderão ter real noção do impacto que as várias entregas da série tiveram na indústria do entretenimento. Assim sendo, convidamos-vos a uma viagem, adequadamente de arqueologia, pelos primórdios das aventuras de Lara Croft.

Tomb Raider

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Foi a 25 de Outubro de 1996 que começou a história de Lara, em PC e nas velhinhas Playstation e Sega Saturn. Tomb Raider pode parecer-nos horrível no presente, mas era um dos poucos jogos de plataformas em três dimensões que existiam, e certamente um dos únicos com qualidade, juntamente com Super Mario 64, que tinha sido lançado uns meses antes. A clara influência de filmes como os de Indiana Jones, quer no ambiente recriado quer na questão da demanda por artefactos e civilizações perdidas, aguçava ainda mais o apetite dos jogadores, em sequências memoráveis como aquela em que fugíamos de uma grande pedra, tal como Harrison Ford em “Os Salteadores da Arca Perdida”, ou a luta com um enorme T-Rex, que parecia saído diretamente de Jurassic Park

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O grande trunfo de Tomb Raider acabou por ser a sua protagonista, Lara Croft: bela, carismática, corajosa. Curiosamente, o plano inicial da Core Design era ter um protagonista masculino, uma espécie de Nathan Drake ou Indiana Jones, até que alguém se lembrou que estaria na hora de dar o papel principal de um jogo a uma mulher. Não se devem ter arrependido…

Tomb Raider II

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O segundo jogo saiu um ano mais tarde, em 1997, mas apenas para PC e Playstation. Apesar de não ter causado tanto impacto como o primeiro, pois já tinha perdido o fator novidade, vendeu mais meio milhão de unidades (8 milhões, face aos 7,5 milhões de Tomb Raider). Graficamente era bastante superior ao primeiro jogo, em especial na versão PC, e tinha uma série de novidades que o tornaram, segundo os seguidores mais acérrimos da série, naquele que foi possivelmente o melhor Tomb Raider: a possibilidade de conduzir veículos, a maior variedade de cenários, as diversas indumentárias da nossa aventureira, fizeram de Tomb Raider II um sucesso comercial, aclamado pela crítica e pelos jogadores, que confirmou que Lara veio para ficar.

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Tomb Raider III

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Mais um ano, mais um Tomb Raider. Novamente em PC e Playstation, o terceiro jogo teve um decréscimo em relação ao segundo quer a nível de vendas quer a nível da crítica. Não que Tomb Raider III fosse mau, nada disso, mas não era, face ao segundo, um grande salto em frente: manteve a variedade de cenários, a qualidade gráfica, diferentes veículos e roupas, mas foi um pouco “mais do mesmo”. Se bem que a viagem à famosa Area 51 dava um friozinho na barriga…

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Tomb Raider IV: The Last Revelation.

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Em 1999 sai, para PC, Playstation e Dreamcast, a quarta entrega, aquela que é vista ainda hoje como o princípio da decadência da saga Tomb Raider. Tal como o terceiro jogo, não era mau, nem de longe, mas retomou alguns dos erros do primeiro jogo: puzzles longos, pouca ação, cenários repetitivos. A história, por outro lado, é bastante melhor que a dos três primeiros, mas isso só não foi suficiente para evitar que as vendas afundassem (“só” vendeu 5 milhões de cópias) e que os jogadores se fartassem do Egipto…

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Tomb Raider: Chronicles

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No ano 2000, foi o fim da picada: Tomb Raider: Chronicles, também para PC, Playstation e Dreamcast, provou que a série estava a perder cada vez mais o apoio da crítica e que a sua qualidade começava a ser duvidosa, pois Tomb Raider: Chronicles continuava a usar o mesmo motor de jogo que a primeira entrega, agora com cinco anos. Chonicles é divertido, pois nele revemos várias fases da vida de Lara, contadas pelas pessoas que se reúnem no seu suposto velório, pois é dada como morta após os eventos de The Last Revelation. Também aqui se nota o desnorte da Core Design, pois passa-se de um jogo numa só localização e muito mais parado para outra entrega cheia de ação, poucos puzzles e localizações variadas. Claramente, a série precisava de uma pausa e de ser repensada. E foi o que aconteceu…

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Tomb Raider: The Angel of Darkness

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… Mas da pior maneira possível. Tomb Raider: The Angel of Darkness só saíu em 2003, após intermináveis adiamentos, para PC e PS2, e foi o último jogo da série a cargo da Core Design: um fracasso de vendas (se bem que um “fracasso” para Lara Croft são 2,5 milhões de cópias vendidas…). Os gráficos do jogo eram bons, a história também, mas por culpa de controlos horríveis e uma câmara ainda mais medonha, The Angel of Darkness era praticamente injogável, o que é uma pena, pois tinha tudo para revitalizar a série, mas as péssimas decisões de design, aliadas à pressão da necessidade de lançar um jogo que já tinha sido adiado diversas vezes levaram ao momento mais negro de Lara, que quase acabou de vez com a saga Tomb Raider. Mas quando todos a julgavam perdida…

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Tomb Raider: Legend

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… Chegou a lenda, três anos depois, em 2006. Tomb Raider: Legend foi lançado para uma infinidade de plataformas (PC, PS2, Xbox, Xbox 360, PSP, Game Boy Advance, Nintendo DS, GameCube) pelas mãos da Crystal Dynamics, que desenvolveu os títulos da série até hoje. Legend revitalizou Lara, elevando-a a patamares de quase perfeição: gráficos e sonoplastia deslumbrantes, ainda bastante bons mesmo pelos padrões de hoje, controlos intuitivos e responsivos, cenários variadíssimos, uma história empolgante, bosses desafiantes, sequências de ação alternadas com puzzles, enfim, todos os melhores ingredientes de Tomb Raider juntos num só jogo. O único senão que se pode apontar refere-se aos níveis de condução da moto de Lara, que apesar de relativamente curtos não acompanham a qualidade fenomenal do restante Legend. Se por acaso nunca o jogaram, façam-no, pois Legend é imperdível.

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Tomb Raider: Anniversary

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O Tomb Raider menos vendido de todos (1,3 milhões de cópias, para PC, PS2, PS3, PSP, Xbox 360, Wii) celebrou o décimo aniversário de Lara, apesar de ser lançado em 2007, 11 anos depois. Compreendem-se as fracas vendas porque Tomb Raider: Anniversary é, simplesmente, um remake do primeiro jogo, convertido agora para o motor que deu vida a Legend. Muitos seguidores da série afastaram-se deste título porque era, no fundo, um jogo que já tinham e porque queriam ver o fim da história iniciada um ano antes. Se por acaso nunca jogaram a este nem ao original de 1996, Tomb Raider: Anniversary é uma excelente aposta.

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Tomb Raider: Underworld

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Saíu em 2008, para Nintendo DS, PS2, PS3, Wii, Xbox 360, a continuação da história de Legend, cujo final deixou o apetite aguçado para a continuação. Vendeu 2,6 milhões de cópias e esteve no centro de outra polémica, que tem tanto de caricata como de absurda e que nada teve a ver com a qualidade jogo, mas sim com a sua protagonista, polémica essa que enfureceu e afastou muitos fãs: a transformação da figura curvilínea de Lara numa mulher mais humana e menos sexualizada. Ou, por outras palavras, a redução do tamanho do seu peito. Underworld é um bom jogo, mas também não vendeu tanto como o esperado, pelo que Lara foi lançada num novo hiato, de quase cinco anos, até nova revitalização da série.

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Tomb Raider

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Em 2013, a Crystal Dynamics recuperou o nome do primeiro jogo para fazer um reboot à saga Tomb Raider. Para PS3, PS4, Xbox 360 e Xbox One, Tomb Raider igualou as vendas de Tomb Raider II (8,5 milhões), conquistou consenso crítico, reconquistou muitos seguidores que se tinham desiludido com alguns dos jogos de Lara e, finalmente, chegou a toda uma legião de novos jogadores que nunca tinham conhecido a aventureira mais célebre da história dos videojogos. Tomb Raider tem todos os ingredientes certos: uma Lara mais jovem, bela, corajosa, carismática, frágil, humana; uma história empolgante, com momentos de terror, de ação, de sobrevivência, momentos mais parados em que se resolvem puzzles; tem lutas com bosses e sequências de fugas quase cinematográficas, tem segredos para explorar numa ilha misteriosa, a fazer lembrar a série Lost, na qual controlamos uma Lara de arco em punho, qual Katniss Everdeen em Jogos da Fome.

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O Presente e o Futuro

Rise of the Tomb Raider só agora chegou à PS4, mas já tem um ano de idade nas Xbox One e 360, e pouco menos de um ano no PC. Jogadores e imprensa concordam que tem qualidade e mercado para assegurar que Lara terá direito a pelo menos mais outro título, pelo que apenas temos que esperar. Até lá, se têm curiosidade em experimentar algum dos jogos mais antigos que referimos neste artigo, têm duas maneiras de os adquirir: em lojas de segunda mão, especialmente no caso dos jogos de consolas mais antigos, ou nas lojas digitais, quer de PC quer das consolas, embora neste segundo caso nem todos os jogos estejam disponíveis. Podemos recomendar, por exemplo, que aguardem por uma promoção em plataformas como o GOG ou o Steam, onde encontram pacotes com todos os jogos por preços muito apetecíveis.

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.

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